Acabou a trégua: Biden terá que dizer a que veio

Classe trabalhadora fora dos grandes centros continuou com Trump.

Fatos e Comentários / 18:21 - 9 de nov de 2020

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Definida a eleição de Joe Biden, acaba a trégua dentro do Partido Democrata. Diferente do que aconteceu com Hillary Clinton, em 2016, o partido se uniu para derrotar Donald Trump. Agora, a disputa começa para se definir que mudanças prometidas serão realmente feitas. O alerta foi feito pela deputada por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez. Reeleita com tranquilidade, com as outras 3 democratas que integram “o esquadrão”, pelotão de frente da esquerda no Congresso, AOC, como é conhecida, cobra do partido o reconhecimento de que foi o desejo por mudanças que levou à vitória; e essa alteração deve ser ampla, da forma como os democratas se comunicam às políticas públicas e à economia. Não fosse a crise trazida pela pandemia, provavelmente seriam os republicanos comemorando.

Qualquer análise do resultado das eleições norte-americanas mostra um país dividido. E uma olhada mais de perto revela que, se foi o elevado comparecimento às runas, especialmente de jovens e negros, que fez a diferença em estados que foram decisivos para a eleição de Biden, a campanha democrata ficou longe de atrair o que podemos chamar de “cidadão médio”, o eleitor (e eleitora) branco, que mora fora dos grandes centros.

O presidente eleito conseguiu algum sucesso em virar os votos nos subúrbios, onde, 4 anos atrás, Trump venceu por larga margem. Mas o norte-americano que votou pela reeleição – majoritariamente homem, branco, de nível educacional médio e do interior – pertence à classe trabalhadora. “Trump chegou à presidência em 2016 tecendo uma colcha de retalhos de eleitores da classe trabalhadora na América rural. Esses eleitores compareceram em números ainda maiores para Trump em 2020, mas isso não foi suficiente para compensar o aumento da participação em áreas com mais pessoas com ensino superior”, apontam números em análise feita pelo jornal britânico The Guardian.

Não se trata de fenômeno restrito aos EUA. Pode ser visto em dezenas de países. Tirar Trump funcionou como um catalisador para parte da população. Mas se Biden pretende realmente unir o país – e que não o faça atacando Venezuela ou Irã – deve ficar atento ao que dizem AOC e outros personagens importantes. Uma tarefa para 4 anos, mas cujo primeiro passo será já em janeiro: se pretende alcançar maioria (mínima) no Senado, o presidente eleito terá que conquistar os eleitores da Geórgia no segundo turno para 2 vagas de senadores. Nesse estado, o alto comparecimento de jovens e negros fez a eleição pender para Biden (o resultado final ainda depende da recontagem). Vamos ver se conseguirá aumentar o número de votos com propostas que atraiam o eleitor, e não apenas com a vantagem de presidente eleito.

 

Ideologia

Deu no G1: “Vacina da Pfizer e BoiNTech é mais de 90% eficaz, aponta análise preliminar”. Logo abaixo: “Sem estudos, Rússia diz que Sputnik V também tem ‘mais de 90%’ de eficácia”.

Em ambos os casos, o desenvolvimento das vacinas encontra-se na fase 3, e ainda não foram divulgados os resultados em publicações especializadas. A diferença que levou o G1 a destacar o “sem estudos” na notícia do medicamento da Rússia? Exatamente esta palavra: “Rússia”.

 

Marcha à ré

Anos de políticas ultraneoliberais, agora com Paulo Guedes à frente, levaram a economia do Brasil a afundar: em 2020, deve sair do grupo dos 10 maiores, depois de ser o 6º maior em 2011 e almejar a 5ª colocação. O Brasil dever ser ultrapassado por Canadá, Coreia e Rússia.

 

Rápidas

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