Ação da Hapvida volta a cair com decepção após resultados do 3T25

Fluxo de caixa livre negativo, sinistralidade alta e outros resultados do 3T25 levam ação da Hapvida a despencar na Bolsa de Valores.

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Clínica da Hapvida
Clínica da Hapvida (foto divulgação)

A operadora de planos de saúde Hapvida (HAPV3) apresentou na quinta-feira (13) os resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25). A receita líquida atingiu R$ 7,8 bilhões, alta de 6% na comparação anual. “O trimestre foi marcado pela aceleração da expansão hospitalar, com sete novas unidades inauguradas ao longo de 2025. A sinistralidade caixa ficou em 75,2%, impactada pela sazonalidade mais forte e por custos pré-operacionais e período de maturação das novas estruturas assistenciais”, segundo comunicado da empresa.

Os dados foram mal recebidos no mercado financeiro. As ações da Hapvida chegaram a despencar mais de 40% no pregão de quinta-feira e caíam 6,2% às 14h15 desta sexta-feira, cotadas a R$ 17,71.

Daniel Nogueira, sales de Renda Variável da InvestSmart XP, comenta que a companhia apresentou um 3T25 muito fraco, ressaltando a sinistralidade caixa (MLR) elevada (75,2%). O Ebitda ajustado caiu 20% no ano comparando a mesmo período do ano passado, ficando 25-30% abaixo das estimativas, com margem de apenas 7,9%.

“O fluxo de caixa livre foi negativo, e o crescimento orgânico decepcionou, principalmente em São Paulo. Custos administrativos, despesas e contingências subiram, e o balanço refletiu uma dinâmica operacional ainda difícil. A administração reconheceu os desafios e indicou que a recuperação de margens deve ser lenta, dependendo de ocupação das novas unidades e ajustes operacionais”, destaca Nogueira.

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A ação é negociada a 6,3x P/L para o próximo ano, bem abaixo da média histórica de 14,9x, “reflexo do excesso de pessimismo e risco embutido elevado”, de acordo com o especialista.

“A estrutura de capital robusta (saldo de caixa de R$ 9,8 bilhões, 59% do valor da empresa) segue como positivo, mas a alavancagem de 5,3x Ebitda exige atenção. Eventos corporativos e o elevado volume de opções (puts negociados acima da média) sugerem grande incerteza no curto prazo”, explica Nogueira em análise divulgada à imprensa.

“Resumindo, HAPV3 vive forte pressão de curto prazo, mas apresenta assimetrias de preço relevantes se conseguir entregar operacionalmente e reverter o sentimento do mercado nos próximos trimestres. O valuation descontado e o consenso dos analistas sinalizam potencial de recuperação, mas a execução será determinante. Vale lembrar que boa parte dos analistas já revisaram seus estudos pós resultados, e na média esperam 175% de retorno em relação ao preço de hoje (R$ 18,60)”, finaliza Nogueira.

Destaques do 3T25 da Hapvida

  • Receita líquida cresceu 6% em relação ao 3T24, alcançando R$ 7,8 bilhões, impulsionada pelos reajustes de planos e pela recomposição do ticket médio.
  • Abertura de 7 novos hospitais e 25 unidades ambulatoriais desde o início do ano.
  • Mais de 61 projetos de inovação em andamento, com 115 aplicações de IA, e 8,5 mil profissionais de saúde capacitados pela plataforma ConectaMed.
  • Sinistralidade caixa de 75,2%.
  • Ebitda ajustado de R$ 746 milhões, incluindo itens não recorrentes.
  • Conversão de caixa de 64,7% nos nove meses de 2025, com consumo de R$ 51 milhões no trimestre devido a “desembolsos pontuais”, segundo a Hapvida.
  • Dívida líquida/Ebitda em 1x.

Presidente da companhia aposta em IA

“Estamos consolidando um ciclo de crescimento sustentável, com investimentos consistentes em rede própria, inovação e eficiência operacional. Nosso foco é fortalecer as bases com forte governança e qualidade, combinando disciplina financeira, inteligência de dados e ampliação do acesso em todas as regiões do país”, afirmou, durante a conferência online de resultados, Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida.

A ampliação da capacidade própria é parte essencial da tese da companhia e atende a três frentes:

  • Econômica, ao aumentar a eficiência operacional;
  • Comercial, ao impulsionar retenção e conversão de clientes, sobretudo nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro;
  • Operacional, ao ampliar a previsibilidade e a qualidade de acesso, especialmente em períodos de alta demanda e em praças onde a carteira de beneficiários permanece crescendo.

“Mais do que expandir nossa estrutura, estamos transformando a forma de cuidar. A tecnologia, a pesquisa e a inteligência artificial estão nos permitindo antecipar necessidades e oferecer uma experiência de saúde mais integrada, humana e preditiva. Esse é o futuro que estamos construindo: uma Hapvida cada vez mais próxima das pessoas e preparada para os próximos anos da saúde”, acrescentou Pinheiro.

O Ebitda ajustado foi de R$ 746 milhões, ou R$ 613 milhões desconsiderando efeitos não recorrentes, com margem de aproximadamente 8% sobre a receita líquida. A conversão de caixa dos nove primeiros meses do ano atingiu 64,7%, demonstrando disciplina financeira e capacidade de geração operacional.

O fluxo de caixa livre consumiu R$ 51 milhões no 3T25, refletindo pagamentos de fornecedores e provisões de ressarcimento ao SUS acumuladas em trimestres anteriores.

Crescimento da carteira da Hapvida no 3T25

A Hapvida encerrou o terceiro trimestre de 2025 com crescimento de beneficiários em planos médicos e odontológicos. O segmento de planos de saúde atingiu 8,869 milhões de vidas, um aumento de 12,6 mil em relação ao trimestre anterior e de 6,1% em 12 meses. A carteira de planos odontológicos somou 7,107 milhões de beneficiários, crescimento de 4,2% na comparação anual, com destaque para o avanço nas vendas corporativas. O ticket médio consolidado chegou a R$ 292,70.

A Hapvida garante seguir otimista com o desempenho do setor e com o crescimento sustentável de médio e longo prazos. A companhia pretende manter o ritmo de investimentos em rede própria, inovação e pesquisa, equilibrando expansão e eficiência financeira.

“Entramos nos próximos trimestres com o compromisso inegociável de fortalecer nossa governança em todas as frentes, promovendo as qualificações necessárias para sustentar um ciclo virtuoso de crescimento orgânico. Estamos padronizando as melhores práticas, calibrando processos e ampliando a eficiência operacional para elevar, de forma consistente, nossos índices assistenciais e a percepção de qualidade. A confiança que recebemos nos inspira a seguir firmes em nossa missão de cuidar da saúde dos brasileiros, enquanto preparamos uma jornada de performance comercial ainda mais sólida em 2026”, concluiu Pinheiro.

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