ACESITA

Lucro líquido cresce 77%
Resultado foi prejudicado pela desvalorização do dólar
A Acesita, única produtora integrada de aços planos inoxidáveis e siliciosos da América Latina e líder em seu segmento no mercado brasileiro, registrou no primeiro trimestre de 2005 lucro líquido de R$ 177 milhões, 76,8% superior ao resultado obtido no mesmo período de 2004.
Em relação aos dois últimos trimestres de 2004, o resultado líquido apresentou recuo em conseqüência, principalmente, da falta de ganhos monetários obtidos a partir dos efeitos da valorização do real em relação ao dólar sobre a dívida indexada a moeda estrangeira, como ocorrido naqueles períodos.
As vendas totais do trimestre foram de 187,7 mil toneladas (crescimento de 8,0%), e refletiram a flexibilidade da empresa em adequar seu funcionamento às necessidades e oportunidades de mercado. Em relação ao primeiro trimestre de 2004, destaca-se o aumento da participação dos aços siliciosos e carbono/ligados.
O segmento de aços inoxidáveis respondeu por 54,6% das vendas no trimestre, com 102,5 mil toneladas. O volume de vendas dessa linha foi cerca de 2,0% superior ao registrado no ano passado.
Já as vendas de aços siliciosos somaram 45,6 mil toneladas, distribuídas entre 9,0 mil toneladas de siliciosos G.O. (Grão Orientado) e 36,6 mil toneladas de G.N.O. (Grão Não-Orientado). O volume de vendas desses aços tem registrado aumento gradual no decorrer dos últimos trimestres, tendo sido 21,8% superior ao do primeiro trimestre de 2004. A participação dos aços siliciosos nas vendas totais foi 24,3%, com aumento de 2,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2004.

Mercado interno

As vendas no mercado interno foram de 128,3 mil toneladas, representando 68,4% do total vendido no trimestre. Esse volume é 13,9% superior ao registrado no mesmo período de 2004. Observa-se pequena redução de 1,5%, em relação ao último trimestre do ano passado, que a empresa justificou pelo arrefecimento do mercado de implementos agrícolas, que utiliza a linha de aços carbono/ligados da Acesita e pelo menor volume de vendas de gusa sólido.
As exportações registraram queda, com 59,4 mil toneladas, redução de 3,0% em relação ao mesmo período do ano passado. Os aços inoxidáveis, principais produtos de exportação da Acesita, responderam por 96,6% do volume exportado no trimestre.
A carteira de exportações foi distribuída entre mais de 50 países, com destaque para a Ásia, que participou com 49,2% do inox comercializado no exterior. A receita operacional líquida do trimestre foi de R$ 911,5 milhões, mantendo a trajetória de crescimento observada nos últimos trimestres. A receita de exportação respondeu por 37,0% do faturamento total. Em comparação a igual período do ano anterior, a receita operacional líquida teve crescimento de 35,6%.

Despesas operacionais

As despesas operacionais do trimestre permaneceram praticamente estáveis, em R$ 80,8 milhões, alta de 0,9%, e crescimento de 41,9% em relação ao primeiro trimestre de 2004. A maior alta se deu na conta de despesas comerciais, refletindo principalmente o aumento das despesas com frete, comissões de agentes no exterior e seguros.
As despesas administrativas em relação à 2004 foi justificada pela destinação de menores montantes para projetos culturais, que no trimestre anterior receberam especial atenção devido à comemoração dos 60 anos da companhia, e redução de despesas com serviços de informática vinculados à implantação do sistema de integração de informações SAP. A conta de outras receitas (despesas) operacionais registrou resultado positivo de R$2 milhões no trimestre, revertendo o saldo negativo dos trimestres anteriores, o que pode ser atribuído, em grande parte, a reversões de provisões.
O crescimento de 42,1% do lucro bruto, somado à estabilidade das despesas operacionais, permitiu obter resultado operacional (Ebtida) de R$ 256,4 milhões, com aumento de 42,2% em relação ao primeiro trimestre de 2004. Em relação ao 4º trimestre do ano passado, o resultado operacional ficou estável, com crescimento de 0,2%.

Reestruturação financeira

A reestruturação financeira implementada no decorrer de 2004, permitiu à Acesita manter uma estrutura de capital equilibrada, com menor volume de dívida e menor custo de carregamento. Com isso, as despesas financeiras e os efeitos da variação monetária sobre o endividamento em moeda estrangeira foram fortemente reduzidos.
Assim, no trimestre as despesas financeiras líquidas somaram R$ 17,4 milhões, com redução de R$ 27,4 milhões (61,2%) e R$19,6 milhões (52,9%) em relação ao primeiro e último trimestre de 2004, respectivamente.
A dívida bruta ao final de março era de R$ 1,3 bilhão, com redução de 10,3% em relação à posição de 31 de dezembro de 2004. A parcela indexada a moedas estrangeiras representava 83,1% do endividamento total, dos quais 88,6% eram referentes a contratos de ACCs e pré-pagamentos, portanto com proteção natural contra variações cambiais. As operações de hedge cambial foram reduzidas de US$ 15,4 milhões ao final de 2004 para US$ 2,9 milhões ao final do trimestre em razão da menor exposição da dívida à variação cambial e da maior estabilidade da moeda nacional.
Já a dívida líquida consolidada, em 31 de março, era de R$ 1,0 bilhão, com aumento de R$ 20,8 milhões no trimestre. O aumento é decorrente da redução das disponibilidades a partir da destinação de R$ 59,3 milhões para o pagamento de juros sobre capital próprio realizado em fevereiro.
Os investimentos realizados no trimestre somaram R$ 14,7 milhões, e foram destinados principalmente a manutenção e atualização de equipamentos, além de R$ 5,9 milhões referentes à implantação do SAP. O investimento total previsto para 2005 é de R$ 130 milhões e inclui a reforma do alto-forno II que teve início em abril, além de projetos visando aumento de produtividade.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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