Achatamento da classe média deve impulsionar lançamentos em 2025

Locação de imóveis residenciais em 36 cidades registrou alta de 0,65% em setembro, desacelerando em relação às variações de junho, julho e agosto

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Imóveis (Foto: Aislan Loyola)
Imóveis (Foto: Aislan Loyola)

O mercado de lançamentos imobiliários deve continuar a crescer em 2025, em todo o Brasil. A expectativa se baseia na previsão do aumento da demanda por imóveis econômicos, especialmente através de programas como o Minha Casa Minha Vida, aspecto que deve ser um dos principais fatores que pode impulsionar o setor.

“Com o achatamento da classe média, a busca por imóveis com valores mais acessíveis, variando entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, tem sido essencial para o avanço do mercado, ajudando a intensificar o volume de vendas”, ressalta CEO da B2B, Luciano Castilhos.

Ainda de acordo com ele, outro fator que deve contribuir para uma nova escalada do segmento em 2025 é o aumento na intenção de compra de imóveis por parte dos brasileiros, que alcançou o índice de 48%.

“Temos visto que estes aspectos têm elevado a confiança dos compradores e investidores, o que indica que o Brasil pode estar prestes a iniciar uma nova fase de prosperidade no mercado imobiliário. Agora, tudo depende da superação de barreiras econômicas e financeiras, como a instabilidade política e o avanço da taxa Selic, além da expansão e o aumento do crédito imobiliário e aumento do volume de crédito. Uma vez vencidas, essas barreiras permitirão ao setor atingir seu verdadeiro potencial”, ressalta o executivo.

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Em regiões como Porto Alegre, por exemplo, o aumento na quantidade de lançamentos imobiliários pode ser encarado como uma resposta positiva aos últimos seis meses, período desafiador marcado pelas enchentes que atingiram a cidade e boa parte do estado no início deste ano. Em abril, mais de 10 mil imóveis foram danificados por conta das chuvas, um prejuízo estimado em R$ 500 milhões, segundo dados da Defesa Civil.

“O mercado imobiliário tem uma capacidade única de se adaptar e resistir a adversidades, e é exatamente isso que estamos vendo neste momento em Porto Alegre”, comenta. Outro fator que colaborar com a retomada dos lançamentos imobiliários na capital gaúcha, assim como em boa parte do estado, é a migração cada vez mais forte de pessoas para áreas mais seguras, longe das zonas de risco de enchentes.

“Muitas famílias, especialmente aquelas que sofreram com as enchentes, estão priorizando essas regiões, o que tem gerado um novo fôlego para o mercado, principalmente nessas áreas”, acrescenta.

Neste ano, o governo do Rio Grande do Sul aprovou o decreto que efetiva o programa estadual de incentivo à compra da casa própria – O Programa Porta de Entrada -, que oferece um benefício de R$ 20 mil, como subsídio, auxiliando na aquisição do primeiro imóvel. Segundo Castilhos, o valor será utilizado como parcela de entrada do financiamento habitacional obtido junto à instituição financeira, oferecendo oportunidade concreta para a conquista da casa própria.

Antes da tragédia climática que assolou o Rio Grande do Sul, o setor havia registrado no primeiro trimestre de 2024 um crescimento de 21% na quantidade de lançamentos imobiliários em relação ao mesmo período do ano passado. A quantidade de vendas também aumentou em cerca de 16% na mesma comparação.

Já quando o assunto é aluguel, de acordo com os últimos resultados do Índice Fipe Zap, os preços de locação de imóveis residenciais em 36 cidades brasileiras registraram aumento de 0,65% em setembro de 2024, desacelerando em relação às variações observadas em junho (1,43%), julho (1,12%) e agosto (0,88%). Segundo a apuração, é a primeira vez desde agosto de 2021 em que a variação média dos preços de locação residencial (0,65%) foi inferior à variação mensal dos preços de venda do segmento (0,71%).

Até setembro, o Índice Fipe Zap de Locação Residencial acumulou uma alta de 10,90% no ano, acima do IPCA/IBGE (3,31%) e do IGP-M/FGV (2,64%). Destacam-se as altas nominais nos preços residenciais nas cidades de Campo Grande (32,19%); Salvador (23,22%); Porto Alegre (21,94%); Brasília (14,84%) e Aracaju (13,44%).

De acordo com o Índice Fipe Zap, o aluguel residencial acumula uma valorização de 13,75% nos últimos 12 meses. O comportamento do índice nesse recorte temporal também se manteve acima das variações acumuladas pelo IPCA/IBGE (4,42%) e pelo IGP-M/FGV (4,53%). Imóveis com um dormitório se valorizaram acima da média nesse intervalo temporal (15,76%), contrastando com o aumento relativamente menor entre unidades com quatro ou mais dormitórios (11,99%).

Com base em dados de 36 cidades monitoradas pelo índice em setembro de 2024, o preço médio do aluguel de apartamentos prontos foi calculado em R$ 47,05/m². E com base em dados de setembro de 2024, o retorno médio do aluguel residencial foi avaliado em 5,96% ao ano.

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