Aché usará recursos de emissão de debêntures na gestão dos negócios

Nos últimos 4 anos o mercado farmacêutico cresceu em média12% ao ano acima do PIB

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, atribuiu o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA (bra)’ à proposta de segunda emissão de debêntures quirografárias do Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. (Aché), no montante de R$ 400 milhões, com prazo de cinco anos. O relatório, divulgado nesta terça-feira, destacou que os recursos serão utilizados na gestão dos negócios da companhia, que está sediada em São Paulo.

A emissão de debênture é um instrumento de captação de recursos no mercado de capitais, que as empresas utilizam para financiar seus projetos. A Fitch classifica o Aché com o IDR (Issuer Default Rating – Rating de Inadimplência do Emissor) em Moeda Estrangeira ‘BB’, o IDR em Moeda Local ‘BBB’ e o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA (bra)’. A perspectiva dos ratings é estável.

Os ratings refletem a natureza defensiva da indústria farmacêutica, que apresenta pouca volatilidade de fluxos de caixa, e a destacada posição do Aché no segmento de medicamentos com prescrição.

“A classificação incorpora o baixo risco do portfólio de produtos da empresa, que não tem exposição relevante a patentes e licenças, e o comprometimento da companhia com uma estrutura de capital desalavancada, ao mesmo tempo em que gerencia seus planos de crescimento com uma resiliente geração de fluxo de caixa livre (FCF) antes do pagamento de dividendos”, justifica a Fitch.

O relatório acentuou que o setor farmacêutico tem positivos fundamentos de longo prazo, dado o envelhecimento da população mundial e seu maior acesso a sistemas de saúde. “O setor apresenta desempenho consistentemente positivo e superior ao da economia em geral. Nos últimos quatro anos, o mercado farmacêutico brasileiro reportou crescimento médio anual de 12%, acima do Produto Interno Bruto (PIB), evidenciando a resiliência da demanda mesmo em cenários macroeconômicos adversos”.

A agência prevê que a maior incidência de doenças crônicas e os constantes investimentos em inovação para tratamentos especializados devem continuar impulsionando o consumo de medicamentos nos próximos anos. A Fitch acredita que a longo prazo, o aumento da concorrência e a quebra de patentes podem gerar alguma pressão nos preços, como ocorre atualmente com os medicamentos genéricos.

Tamanho

O Aché é o quinto maior laboratório em vendas para o varejo farmacêutico do Brasil (com base em dezembro de 2021) e conta com uma das maiores forças de vendas do mercado local, o que lhe confere vantagens competitivas frente a seus pares internacionais e permite amplo alcance da comunidade médica, o que é crucial para a demanda por medicamentos de prescrição.

Segundo a agência, o fluxo de caixa operacional do Aché não está exposto a renovações de licenças ou a expirações de patentes. Como outras farmacêuticas de mercados emergentes, a empresa dispõe de um pipeline de projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) mais restrito do que o de seus concorrentes internacionais, além de uma carteira de produtos patenteados mais fraca.

Do lado positivo, a exposição a acordos de licenciamento é baixa, equivalente a menos de 8% da receita. “A capacidade de manutenção de um sustentável volume de lançamentos a cada ano e de aumento da participação de novos produtos no portfólio são fatores-chave para preservar a qualidade de crédito e o posicionamento competitivo do Aché dentro da indústria”.

Concorrência

O relatório acentua que a competição com as farmacêuticas locais continua forte, pois estas têm adquirido marcas de multinacionais, expandindo o alcance de seus produtos em diversos segmentos e classes terapêuticas com agressivas condições comerciais. A Fitch projeta aumento da margem de Ebtida do Aché para patamares próximos a 28% em 2022, acima dos 26% realizados em 2021, e em linha com a média de 28% de 2015 a 2021. A empresa tem sido bem-sucedida em aumentar o volume de produtos vendidos para manter sua posição no segmento de prescrição e ampliar sua presença em outros segmentos, como genéricos, MIP e cuidados especiais.

A Fitch projeta Ebitda de R$ 989 milhões e CFFO de R$ 826 milhões em 2022, seguidos por R$ 1,2 bilhão e R$ 1 bilhão, respectivamente, em 2023, com tendência de crescimento nos anos seguintes. A agência estima investimentos totais de R$ 697 milhões em 2022-2024, direcionados principalmente à nova fábrica de Pernambuco, que expandirá a capacidade de produção da companhia em cerca de 50%. A Fitch projeta uma média anual de dividendos de R$ 759 milhões em 2022-2024, equivalentes a cerca de 75% do lucro líquido.

‘’O Aché tem mantido baixos índices de alavancagem e fortes indicadores de crédito. O índice dívida líquida/Ebitda permanecerá abaixo de 0,6 vez, e a alavancagem líquida ajustada pelo FFO, entre 0,3 vez e 0,7 vez nos próximos quatro anos. Este cenário já considera os investimentos em expansão na nova fábrica e a elevada distribuição de dividendos. Nos últimos quatro anos, a média da alavancagem líquida ajustada pelo FFO foi de 0,6 vez, enquanto a média do índice dívida líquida/Ebitda foi de 0,4 vez”.

Randolpho De Souza
Editor de Seguros.

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