Queda das ações da Evergrande atinge bolsas pelo mundo

Ação fechou em queda de 10,2%, depois de cair 19% para seu nível mais fraco desde maio de 2010.

As ações da chinesa Evergrande caíram nesta segunda-feira (20) para mínimas de 11 anos, à medida que se aproxima o prazo para vencimento de uma dívida e crescem os temores de calote.

A Evergrande tem se esforçado para levantar fundos para pagar seus muitos credores, fornecedores e investidores, com os reguladores alertando que seus 305 bilhões de dólares em passivos podem gerar riscos mais amplos para o sistema financeiro do país se não forem estabilizados.

A ação fechou em queda de 10,2%, depois de cair 19% para seu nível mais fraco desde maio de 2010.

A unidade de gestão de propriedades da empresa caiu 11,3%, enquanto a unidade de carros elétricos perdeu 2,7%. A empresa de streaming de filmes Hengten Net, da Evergrande, despencou 9,5%.

“As ações continuarão caindo porque ainda não há uma solução que pareça ajudar a empresa a aliviar o estresse de liquidez, e ainda há muitas incertezas sobre o que ela fará no caso de reestruturação”, disse Kington Lin, diretor de gestão de ativos da Canfield Securities.

Um dos principais credores de Evergrande fez provisões para perdas em uma parte de seus empréstimos para a empresa, enquanto alguns planejam dar mais tempo para pagar, disseram quatro executivos de banco à Reuters.

A incorporadora disse no domingo que começou a reembolsar os investidores em seus produtos de gestão de fortunas com imóveis.

O Banco do Povo, seu banco central e o órgão de supervisão bancária da China, convocaram os executivos da Evergrande em agosto e alertaram que é necessário reduzir seus riscos de dívida e a estabilidade prioritária.

A Evergrande tem que pagar 83,5 milhões de dólares em juros em 23 de setembro. Ela tem outro pagamento de juros de 47,5 milhões com vencimento em 29 de setembro. Ambos os títulos entrariam em default se Evergrande não liquidar os juros dentro de 30 dias das datas de pagamento programadas.

Em qualquer cenário de inadimplência, a Evergrande precisará reestruturar os títulos, mas os analistas esperam um baixo índice de recuperação para os investidores.

O estresse também tem pressionado o setor imobiliário mais amplo, bem como o iuan, que caiu para uma mínima de três semanas de 6,4831 por dólar.

As ações da Sunac, quarta maior incorporadora imobiliária da China, caíram 10,5%, enquanto a Greentown China, apoiada pelo Estado, caiu 6,7%.

Calote

Sobre um possível calote da Evergrande levou para baixo nesta segunda-feira os mercados mundiais e geraram uma fuga ainda maior de capital da empresa.

As ações da Evergrande, que é responsável por cerca de 3,8 milhões de empregos em vários países, caíram 10,24% após o anúncio de que os juros da dívida da empresa não seriam pagos aos credores, e fecharam o dia em US$ 2,28 – uma queda acumulada de 84,7% desde o início do ano.

Em Wall Street, as principais empresas de tecnologia registraram queda nos valores das ações. Apple, Google (Alphabet), Tesla e Amazon figuram como principal influência negativa do dia, tanto no índice de tecnologia quanto no S&P 500. O Dow Jones fechou o dia com queda de 1,79% e a Nasdaq recuou 2,17%.

No Brasil, o impacto do calote fez o Ibovespa despencar para o menor nível dos últimos 10 meses, fechando o dia em 108.843 pontos – uma queda de 2,33%.

Segundo a agência de notícias Reuters, o calote da Evergrande criou temores de uma crise imobiliária chinesa que pode trazer consequências de larga escala para a economia global, parecida com a crise em 2008 gerada pela bolha imobiliária nos Estados Unidos.

Impulsionado pelo temor de uma crise generalizada, o dólar apresentou alta de 0,78%, e fechou o dia cotado a R$ 5,32. Este é o maior valor da moeda norte-americana desde 23 de agosto, quando foi cotada a R$ 5,38.

Da Agência Brasil

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