Acéfalo

A inadmissível investida do Canadá contra a carne brasileira, visando muito mais a prejudicar as exportações do país para a Europa que para seu próprio mercado, tem objetivo muito mais de fundo que um movimento tático da disputa entre Embraer e Bombardier. A agressão às exportações do país se insere na ofensiva dos Estados Unidos para enquadrar o Brasil e garantir a antecipação do funcionamento da Alca.
Alguém já disse que a escolha do adversário permite conhecer o respeito que lhe devota o inimigo. O reconhecimento da força do Brasil, explicitado inclusive em relatórios da CIA sobre a Alca, no entanto, encontra o país sem comandantes à altura de defender seus interesses.
O ministro Celso Lafer, agora no Ministério das Relações Exteriores, é o mesmo que, então à frente da pasta do Desenvolvimento, vivia às turras com a equipe do então ministro da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, nos bastidores da reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC). Enquanto Dornelles não se cansava de repetir que “a OMC é formada por um bando de desocupados interessados em prejudicar o Brasil”, Lafer orientava seus negociadores a aceitarem mais e mais concessões ao G-7 sem exigir reciprocidade à altura. É como estar no avião para um pouso de emergência ou uma manobra ousada sem confiar no piloto.

Preguiça
A Embaixada do Canadá, em nota à imprensa, garante que a suspensão das importações de carne do Brasil não é um ato de retaliação comercial. Apesar de ser difícil dissociar a ação canadense da pressão contra o Brasil por causa da Alca, um argumento mostra que, no mínimo, o governo brasileiro tem uma parcela de culpa na confusão. Segundo a embaixada, o Brasil não forneceu as informações que o Canadá solicitara, no final de 1998, sobre o rebanho brasileiro e a Doença da Vaca Louca (ao contrário do que fizeram Argentina, Austrália, EUA e Nova Zelândia). O Ministério da Agricultura diz que respondeu ao questionário, mas, se a embaixada estiver correta, significa que o tucanato forneceu a munição para a guerrilha canadense.

Ooops
Mostrando que esta coluna não tem muita intimidade com a região, nota publicada ontem localizava Boca Raton em Miami. Na verdade, a coluna quis dizer Flórida, o estado. Boca Raton, que fica no condado de Palm Beach, é a 24ª cidade em população da Flórida.

Silvério dos Reis
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, atacou o primeiro volume da coleção Sociedade e História do Brasil, publicação da Fundação Teotônio Vilela, ligada ao PSDB, que traz uma interpretação depreciativa da Inconfidência Mineira. Segundo o governador. O livro coloca Tiradentes, mártir da Inconfidência e símbolo da luta brasileira pela independência, numa posição secundária. Segundo Itamar, nada será feito contra o livro porque a Constituição garante a livre manifestação do pensamento inclusive nas instituição de ensino.

Silêncio
ACM e Jáder Barbalho, que gastam tanta munição se atingindo mutuamente, são os mesmos caciques de pé quebrado que ouvem calados as ameaças de burocratas como Amaury Bier e Martus Tavares de promover cortes de até R$ 6 bilhões no Orçamento aprovado pela Casa da qual os dois se crêem os representantes mais poderosos. Pelo visto, a valentia rugida pela dupla ACM/Barbalho se reduz a miados de gatinhos sem dente quando se trata de defender a soberania do Congresso Nacional contra a sanha de burocratas tão arrogantes quanto sem votos.

Mapa
Mais de 11% dos roubos e furtos de automóveis no Estado do Rio de Janeiro, em 2000, ocorreram nos bairros de Irajá, Vista Alegre, Madureira, Marechal Hermes e adjacências (Zona 9, na classificação da Secretaria de Segurança Pública). No total, foram 41.539 veículos roubados no estado, de acordo com os dados oficiais. A segunda região com maior número de roubos e furtos engloba Méier, Lins, Engenho Novo e adjacências, vindo a seguir cidades da Baixada Fluminense (Nova Iguaçu, Nilópolis, Belford Roxo etc.). Bairros da Zona Sul só aparecem a partir do oitavo lugar (Botafogo, Laranjeiras, Flamengo etc.). A Barra da Tijuca e vizinhanças aparecem em 14º lugar, o último entre as regiões com mais de mil ocorrências.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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