Adeus Ano Velho

Por Ranulfo Vidigal.

Os últimos capítulos da série espanhola Casa de Papel trabalharam, inteligentemente, com a força dos fatores simbólicos da moeda, do crédito e do ouro na formação da confiança dos detentores da riqueza financeira e da dívida pública ao redor do planeta.

No tempo presente, o mundo se afoga num oceano de moeda e crédito, fato inédito nos últimos 75 anos. Entretanto, a precariedade da situação é cada vez mais elevada, basta olhar a aceleração dos preços dos alimentos e a escassez de componentes industriais para setores estratégicos. Tudo aumenta de preços. Carros, computadores, vestuário, calçados, remédios, aluguéis, transportes, combustíveis etc. As mazelas da economia ficam mais transparentes quando explodem os preços. A carestia pega pesado na vida do trabalhador.

A questão central é que a crise que assola tanto a economia mundial, quanto a brasileira não tem como razão de fundo, apenas, a pandemia. Neste contexto, a estratégia de desenvolvimento conservadora e a política econômica ortodoxa já eram um rotundo fracasso antes da pandemia por estas bandas ao sul do equador.

No ano que se encerra, o fato relevante é que tanto o desemprego quanto a inflação atingem mais do que proporcionalmente as camadas mais pobres, sinaliza a forte concentração de renda associada ao regime de metas de inflação, austeridade fiscal e contrarreformas neoliberais (trabalhista, previdenciária).

O ano de 2021, portanto, se apresenta como um dos piores, na comparação com outras conjunturas vividas. A pandemia explicita velhos dilemas, como a super exploração do fator trabalho, a crise social e sua contraparte na aristocracia rentista e no latifúndio capturando parte do excedente gerado com o suor da maioria da população.

Por isso arriscaria afirmar que o ano de 2022 tampouco permite vislumbrar melhoras, face a política econômica e a estratégia de desenvolvimento centrada na desindustrialização e desnacionalização de nossa estrutura produtiva, que ao permanecerem podem, inclusive, se aprofundar. Acreditar que mais do mesmo produza efeitos distintos é ingenuamente acreditar em fantasias e mitos.

Há uma guerra particular da burguesia tupiniquim entre si e contra nós. Aliás esse é o seu produto predileto. Praticam sem pudor e com força uma guerra entre seus membros familiares e membros dos mercados onde concorrem. É uma burguesia associada aos interesses externos, sem qualquer constrangimento. Deveriam estes senhores fazer ciência e priorizá-la, apoiar a cultura popular, usar racionalmente nossa biodiversidade e apostar na inovação radical. Enfim!

 

Ranulfo Vidigal é economista.

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