Estudo divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a retomada do mercado de trabalho está se consolidando, com forte expansão da população ocupada e com efeitos sobre a redução do desemprego. O documento, que analisa os dados desagregados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dados mensalizados pelo Ipea e observa que, em janeiro, o contingente de ocupados no país somava 94,1 milhões de trabalhadores, já retornando ao patamar verificado no período pré-pandemia (94,5 milhões em janeiro de 2020).
Na comparação com o mesmo período de 2021, a população ocupada registra alta de 8,1%, tornando-se o principal fator responsável pela queda de 3,3 pontos percentuais da taxa de desocupação, que recuou de 14,7% em janeiro de 2021 para 11,4% em janeiro deste ano. Já na série livre de sazonalidade, a taxa de desocupação de 11,2%, em janeiro, alcançou o menor patamar registrado desde abril de 2016.
O recorte regional mostra que apesar de um recuo generalizado do desemprego, este foi mais intenso na Região Sudeste, em que a taxa de desocupação caiu 3,9 pontos percentuais entre 2020 e 2021, passando de 15,1% para 11,2%. Em termos absolutos, as maiores taxas de desocupação foram verificadas em Amapá (17,5%), Bahia (17,3%) e Pernambuco (17,1%). Já as taxas de desocupação das regiões metropolitanas e não metropolitanas passaram de 17,1% e 12,0%, em 2020, para 13,1% e 9,6%, em 2021
Os dados por gênero, por sua vez, mostram que, embora tenha ocorrido queda da desocupação para ambos os sexos, a taxa de desemprego entre os homens (9,0%) segue abaixo da observada entre as mulheres (13,9%). No caso dos homens, o desemprego já se encontra em nível abaixo do registrado no período pré-pandemia (9,1%), enquanto a taxa de desocupação feminina ainda está levemente superior à registrada no quarto trimestre de 2019 (13,4%).
O recorte por faixa etária mostrou que, apesar de todos os segmentos etários terem registrado queda na desocupação, este recuo foi mais intenso na faixa dos trabalhadores mais jovens, cuja taxa de desemprego retroagiu 6,2 pontos percentuais entre o quarto trimestre de 2020 e o de 2021, passando de 29% para 22,8%. De modo semelhante, o contingente de ocupados com Ensino Fundamental incompleto apontou crescimento de 16,2%, possibilitando uma queda de 5,1 pontos percentuais, da taxa de desocupação, que passou de 23,5% para 18,4%, no período em questão.
Abertura setorial revela que, à exceção da administração pública com queda de 2,4%, na comparação interanual, todos os demais setores registraram crescimento da ocupação, no último trimestre de 2021, com destaque especial para os serviços de alojamento e alimentação (23,9%), serviços domésticos (21,7%), pessoais (14,7%) e construção civil (17,4%).
Já pesquisa realizada pelo Indeed no Brasil com 798 tomadores de decisão e proprietários de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) revelou como os empregadores estão tentando se manter competitivos com empresas maiores. Isto é, que tipos de vantagens eles oferecem, diariamente. E, para a maioria das MPMEs, benefícios como saúde, transporte, alimentação e academia estão entre as formas pelas quais os empregadores mais tentam atrair e reter talentos, com 52% dos entrevistados marcando esta opção.
Também no topo da lista estão a possibilidade de licença maternidade/paternidade e de trabalho remoto/horas flexíveis, com 49% e 47%, respectivamente, respondendo que oferecem isso aos funcionários, numa tentativa de se manterem competitivos. No entanto, o apoio à saúde mental, um benefício muito falado após a pandemia, foi marcado apenas por 24% dos entrevistados. Segundo o estudo, 32% dos entrevistados disseram oferecer incentivos em oportunidades para evoluir na carreira, como reembolso em cursos, palestras e seminários, o que, para ele, demonstra um compromisso real com o interesse do funcionário. Entretanto, ele também comenta sobre outros benefícios, não tão altos na lista, como, por exemplo, apenas 17% oferecerem participação nos lucros/ações na empresa.
A pesquisa também revelou que, para 43% dos entrevistados, o fato de não conseguir encontrar talentos teve um impacto negativo em seus negócios e para 50%, é mais difícil contratar agora do que antes, devido ao orçamento interno que foi cortado. Por outro lado, a pandemia também mudou a forma de contratação das MPMEs, mas em alguns casos positivamente. De acordo com a pesquisa do Indeed, 59% concordam que a empresa teve que fazer mudanças em suas práticas de contratação/RH a fim de atrair novos talentos. A pesquisa também revelou que a maneira mais comum de as empresas encontrarem novos funcionários é colocando um anúncio ou fazendo um post nas redes sociais (48%), seguido de colocar um anúncio em um site de busca de emprego online (44%).
A pesquisa também mostrou que 37% dos entrevistados ainda usam o chamado “boca a boca” para encontrar novos funcionários, ao mesmo tempo em que 74% dos respondentes concordaram que a contratação virtual facilitou a implementação de novas ferramentas que ajudaram a identificar candidatos mais rapidamente.
A pesquisa foi realizada pelo Indeed com 798 profissionais brasileiros que são tomadores de decisão em pequenas e médias empresas (1-249 funcionários) para investigar como as MPMEs foram impactadas pela pandemia, principalmente no que diz respeito ao processo de contratação e busca de novos talentos. A pesquisa foi conduzida através de um painel virtual em fevereiro.
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