Admirável Brasil novo

Entraremos em 2017 com os corruptos acuados, a corrupção em níveis mínimos e uma nova ética na política.

Só que não.

O ano termina com uma monumental benesse às empresas de telecomunicações, com prejuízo estimado de R$ 100 bilhões para a viúva (isso mesmo, bilhões, não é erro de digitação; algo como cinco vezes as estimativas mais exageradas de perdas para a Petrobras). Os aeroportos privatizados não só não vão pagar o que se comprometeram a fazer, como ainda vão receber algum (o homem-forte da área é acusado de negócios pouco ortodoxos envolvendo, em situações diferentes, mas ambas relacionadas aos aeroportos, as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez); governos estaduais falidos deixam de pagar os servidores, mas não falam em renegociar contratos em que já se detectou fartos sobrepreços; a banca continua se deliciando com juros sobre juros, esquema que mistura cooptação, coação e corrupção, chamado de “sistema da dívida”.

Tudo isso não quer dizer que Papai Noel não foi generoso com os brasileiros. Como disse o presidente Michel Temer, o presente chegou – o problema é que os presenteados são os mesmos de sempre. Uma “flexibilização” das regras trabalhistas com o desemprego batendo recordes é o mesmo que propor um acordo, em igualdade de condições, entre o leão e sua caça. A liberação de R$ 30 bilhões do FGTS vai acabar nos cofres dos bancos, entalados com o aumento da inadimplência (de quebra, a dinheirama pouco vai ajudar no consumo, pois apenas passeará pelas contas dos consumidores, e ainda vai reduzir os investimentos em construção habitacional). A francesa Total também não foi esquecida, levando uma fatia do pré-sal, presente que já havia chegado mais cedo para a norueguesa Statoil.

Joyeux Nöel. God Jul.

Varejo

Qual será o custo de um “acordado” sobre um “legislado”?

No olho dos outros

O maior caso de suborno da História”… excluindo aqueles que envolvem as empresas do Primeiro Mundo, que ficam isentas de investigações daquilo que cometem, como, só para ficar em um exemplo, as petroleiras na África. Ou o monumental esquema do setor financeiro, vulgo cassino mundial.

Fora de rota

O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) encaminhou carta ao superintendente do Porto de Rio Grande (RS) expressando sua preocupação em relação às restrições à navegação, assim como às exigências da Autoridade Marítima daquele porto para a realização de manobras com navios com mais de 307 metros de comprimento.

Essas exigências são impostas em virtude de restrições estruturais há muito já identificadas, porém, até hoje não sanadas. O Centronave alerta que tais exigências poderão levar as empresas de navegação a suspender escalas e a desviar seus navios para outros portos.

As providências que deveriam ter sido tomadas, a partir de 2014, para resolver os problemas incluíam obras de dragagem; implementação do VTMS (Vessel Traffic Management System), sistema que permite um tráfego seguro com efetivo monitoramento das condições de navegação; e instalação de “marégrafo”, o que também permitiria melhor planejamento e controle das manobras, graças ao monitoramento de correntes, ventos e marés.

Entre os custos adicionais decorrentes das exigências estão a contratação de dois práticos para as manobras na bacia de evolução e de lancha para as manobras de giro, além da utilização remunerada de equipamento PPU (Portable Pilot Unit) pelo segundo prático.

A entidade, que representa as 22 principais empresas de navegação em operação no país, pede à Superintendência de Rio Grande que agende o mais rapidamente possível uma reunião entre todas as partes interessadas para discutir uma solução, tendo em vista a importância daquele porto para o comércio exterior brasileiro.

Re” o quê?

O grupo Abril anunciou na quinta-feira que concluiu um novo acordo para “reperfilamento” de sua dívida bancária de curto e médio prazos. De acordo com Giancarlo Civita, presidente da holding AbrilPar, a negociação é a prova de que o grupo está forte e promissor. Ou não.

Ingênuos

Somente este colunista estranhou que a Adriana Ancelmo pagasse, através de sua secretária, contas do cartão de crédito de R$ 200 mil, R$ 300 mil, em dinheiro vivo, em uma agência do Itaú? Será que o banco nunca desconfiou de nada? E o Coaf? Mais uma vez, a força-tarefa da Lava Jato vai deixar passar batido?

Rápidas

O Centro Cultural dos Correios apresenta, até 24 de fevereiro, a exposição Paisagem Imersa, da artista plástica Sandra Felzen, com o Instituto Brasileiro de Biodiversidade – BrBio. A mostra é integrada por 19 obras, entre pinturas e colagens, inspiradas no ecossistema costeiro marinho. As obras foram criadas a partir da interação da artista com três projetos do BrBio: Coral Sol, Restinga Viva e Ecorais. O Centro Cultural funciona de terça a domingo, das 12h às 19h, e fica na Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro – RJ *** Feliz Natal.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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