A AES Tietê divulgou nesta segunda-feira em fato relevante que adquiriu dois complexos de geração eólica da Cúbico Brasil S.A., localizados nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará. O primeiro é o Complexo Eólico MS, composto por 4 Sociedades de Propósito Específico (SPEs) localizadas nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará e o outro é o Complexo Eólico de Santos, composto por 3 SPEs localizadas no estado do Rio Grande do Norte.
O valor total da transação foi de R$ 806 milhões, dividido em uma assunção de dívida Líquida de R$ 277 milhões e R$ 529 milhões em caixa. Além disso, a AES Tietê informou que pretende financiar toda a aquisição por meio da emissão de dívidas.
A equipe de research da XP divulgou um relatório sobre a operação. “Temos uma avaliação positiva da transação para a AES Tietê, uma vez que estimamos taxas de retorno reais atrativas para os acionistas da companhia com base nos modelos que elaboramos para os complexos, com base nas informações fornecidas pela AES Tietê em seu fato relevante”, disse a equipe de research da XP.
A capacidade instalada total de geração é de 158,5 MW. A energia assegurada é de 68,4 MW, implicando em um fator de carga de 43,2% (metodologia P50). Os complexos são contratados no mercado regulado (LER 2009 e LEN 2011). Os contratos do Complexo Eólico MS têm previsão de término entre o segundo trimestre de 2033 e o primeiro trimestre de 2034, e o preço médio atual da energia é de R$ 273,70 por MWh. Já os contratos do Complexo Eólico de Santos têm previsão de duração até o terceiro trimestre de 2034, e o preço médio atual da energia é de R$ 171,56 por MWh (preços de novembro de 2020).
“Outras premissas para nossa análise incluem: a nossa estimativa de preço de energia de longo prazo de R$ 165 / MWh, o financiamento de 100% do valor da transação através de dívida (implicando no refinanciamento da dívida líquida em aberto de R$ 277 milhões), custo de financiamento da aquisição de IPCA mais 5,0% e vencimento em 6 anos e reinvestimento de 20% do investimento original ao final dos contratos vigentes para repotencialização do parque até o final de seu período de autorização”, reportou a equipe de research da XP.
Os analistas calcularam Taxa Interna de Retorno (TIR) real desalavancada de 10,11% , TIR real alavancada de 14,13% e a adição ao nosso preço-alvo de R$0,48/unit (ou 3,01% do valor atual das ações de TIET11).
“Por fim, estimamos uma adição de 0,68x à alavancagem da AES Tietê em termos de dívida líquida / EBITDA sobre o nível atual índice de endividamento da empresa de 2,35x (divulgada pela última vez nos resultados do terceiro trimestre de 2020). Notamos que atualmente a companhia tem como cláusula mais restritiva de financiamento (covenant) o nível de de 3,85x”.
Os analistas não acreditam que o potencial de crescimento da AES deva sofrer limitações devido ao processo de reestruturação societária em curso, por meio do qual será criada uma nova holding denominada “AES Brasil Energia” que incorporará a AES Tietê, sendo a nova entidade listada no Novo Mercado da B3. “O motivo da nossa convicção na continuidade do crescimento é que a nova empresa resultante do processo poderá incorrer em maior alavancagem para financiar iniciativas de crescimento, já que apenas os ativos sob o veículo “AES Tietê” terão que obedecer ao limite de 3.85x dívida líquida / EBITDA”.
Foi comunicado que a análise deixa de fora várias potenciais fontes adicionais de geração de valor para a AES Tietê que podem surgir na gestão do ativo, como possível substituição das turbinas existentes por modelos mais novos (o que pode levar a fatores de carga maiores em relação às nossas estimativas) e potenciais sinergias com o recém-adquirido Complexo Eólico Ventus e ativos que a empresa venha a desenvolver no Polo Eólico Cajuína no futuro (todos localizados no estado do Rio Grande do Norte).
“Em nossa opinião, a AES Tietê fornece uma das melhores combinações em nossa cobertura de expansão acelerada de resultados, com um crescimento projetado de 11,8% ao ano do EBITDA até 2025 (incluindo a aquisição dos Complexos Eólicos MS e Santos) e elevada capacidade distribuição de dividendos a acionistas, com um dividend yield estimado de 8.1% de 2021 até 2023, os maiores níveis em nossa cobertura do setor elétrico. Reiteramos nossa recomendação de Compra na AES Tietê, com preço-alvo de R$17/unit. Notamos que nossas estimativas e preço-alvo não levam em consideração a aquisição recentemente anunciada”, conclui o relatório.
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