Afeto e arte no Rio de Janeiro

Obrigado a todos que contribuíram para uma análise sensorial da vida pandêmica

Que tal ser abraçado virtualmente por várias pessoas, inclusive amigos que já não vejo há muito tempo, no Centro Cultural dos Correios? Foi o que aconteceu no último sábado, quando tive finalmente a oportunidade de visitar a exposição Territórios Afetivos, do artista plástico e designer Cocco Barçante, que dirige o museu do artesanato, em Petrópolis.

Senti presente solidariedade, amor pelo próximo e arte criativa num momento tão difícil, em que a pandemia não nos permite viver a imensidão de nossos afetos, como gostaríamos. Fora a forma como ele conseguiu trabalhar o exílio e os fluxos migratórios. Difícil de descrever, mais fácil sentir visitando e refletindo sobre nosso futuro.

Antes, estive na Praça XV, na Feira das Antiguidades, para saudar Isabelita dos Patins, que aniversariava e que retomava seu trabalho de venda de produtos com sua marca, após uma queda num buraco, em Vila Isabel, Zona Norte da Cidade Maravilhosa, mas que não pode se descuidar de um carinho especial com nossas calçadas, embora Eduardo Paes venha demonstrando o que é ser gestor eficaz, com sua equipe.

Refiro-me ao prefeito, pois também parei na tocha olímpica acesa com a contribuição dele e que nos faz lembrar que Jogos Olímpicos podem revolucionar cidades. Aqui, um apelo especial para uma revigoração do Parque Olímpico, que pode se tornar um atrativo turístico, com a guarda municipal realmente presente, um posto de informações turísticas, sinalização em vários idiomas, uma lanchonete, uma loja de suvenires e uma campanha de obrigatoriedade dos protocolos de segurança, para os frequentadores. Seria uma demonstração de afeto pelo Rio Olímpico.

Preciso sentar um pouco e comer algo. Escolho o Bar do Gengibre. Sinto um cheiro de linguiças assadas, que entra pelas minhas narinas, cobertas pela máscara da solidariedade. Sento-me e sou acolhido com alegria e amor pelos colaboradores, com vontade de fazer daquele momento algo especial. Que delícia, junto com os pastéis de carne e meu gin tônica, observar mesas bem espaçadas e protocolos de segurança em vigor. Infelizmente, não é o caso de todos os restaurantes cariocas.

Hora de voltar para casa, numa manhã ensolarada, com protestos contra o Governo Bolsonaro. O táxi da cooperativa que serve meu condomínio me espera e tive a honra de ser conduzido por seu presidente, o Marcos. Falamos em momentos de felicidade de nossas infâncias e das mudanças de viver o dia a dia de algumas crianças hoje. Comentamos sobre a inadequação de parte da população com a pandemia. Sim, para acabar o dia tão abençoado e com tantos acontecimentos capazes de gerar “territórios afetivos” em nossas vidas, que dizer? Nada, senão obrigado a todos que contribuíram para uma análise sensorial da vida pandêmica.

 

Bayard Do Coutto Boiteux é funcionário público, professor e vice-presidente-executivo da Associação dos Embaixadores do Rio.

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