Afinal, quem são os privilegiados?

Nos debates sobre privilegiados, um grupo passa longe: o dos detentores do papelório da dívida interna. Todos os dias, bilhões são movimentados em operações de pouca ou nenhuma transparência. É a grande despesa da União, levando quase metade do Orçamento. É o “esquema da dívida”, como classifica Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã.

No noticiário, os privilegiados são ora os militares, ora os magistrados, ora os funcionários do Congresso e do Judiciário. Claro que anos de corporativismo distorceram o sistema de Previdência, que precisa ser revisto. O governo quer estabelecer um bônus de R$ 57,50 a técnicos e analistas do seguro social que identificarem irregularidades em aposentadorias e pensões. Poderia aproveitar o embalo e conceder a auditores fiscais uma gratificação de R$ 1 para cada R$ 1 milhão que encontrassem de irregularidade na dívida. Muito servidor triplicaria o salário.

Acontece que a auditoria determinada pela Constituição de 1988 nunca foi realizada. Nem mesmo a CPI da Dívida Pública, em 2009 e 2010, conseguiu arranhar a caixa-preta. Como lembra Fattorelli, os vencimentos dos servidores públicos estão disponíveis na internet. Esta transparência não se repete com a dívida. O privilégio se estende ao ponto de ninguém saber quem são os beneficiados. E assim, segue o “esquema” danoso às contas públicas e ao crescimento do país.

 

Fim do bônus

A combinação de menos crianças e adultos mais velhos está pondo fim ao dividendo demográfico de que a América Latina vinha desfrutando desde os anos 1970. Os países com as populações mais jovens, como Paraguai, Bolívia e Guatemala, ainda poderão se beneficiar desse dividendo até 2045; Uruguai, Brasil e Colômbia têm apenas mais dois anos; no Chile e na Costa Rica, a vantagem já se esgotou.

O dividendo, ou bônus demográfico, é como os economistas e pesquisadores chamam o período em que a população na faixa de 15 a 64 anos cresce mais rápido do que a população com menos de 15 ou mais de 64 anos. O fim desse dividendo implica menos pessoas ativas para sustentar um número cada vez maior de dependentes. O período é o momento adequado para acumular capital e dar um salto no desenvolvimento. A América Latina está perdendo a oportunidade.

 

No carbono e além

A China é o segundo maior consumidor mundial de energia, atrás dos Estados Unidos. Em 2017, os chineses aumentaram as importações de Gás Natural Líquido em 46%. Também tem participação expressiva em outras energias não renováveis. Começou a exportar de forma agressiva centrais eléctricas a carvão – são 700 em construção.

Porém, o olhar está no futuro. É um grande produtor e exportador de painéis solares fotovoltaicos – sendo responsável por quase metade da capacidade instalada mundial – e turbinas eólicas. De acordo com o relatório World Energy Markets Observatory (Wemo, Observatório Mundial de Mercados de Energia), da Capgemini, o armazenamento de eletricidade e os veículos elétricos, bem como reatores nucleares, provavelmente serão a próxima onda de exportação de equipamentos chineses.

Como complemento, a China também tem uma participação dominante (95%) na produção mundial de metais raros e elementos de terras raras necessários para a projetos de transição energética. Por fim, a política de aquisição dinâmica da China, que durou uma década, principalmente na África, na América do Sul e na Ásia, agora se estendeu às redes de eletricidade e serviços públicos da Europa”, mostra o Wemo.

 

Vazamento

Leitor analisa que as declarações de Bolsonaro sobre impostos e Previdência, seguidas de negativas feitas por outros membros do governo, funcionaram como um balão de ensaio. Lembra que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deu entrevista dizendo que houve “vazamento que não devia ter vazado”.

 

Resposta

Qual pergunta será esclarecida primeiro: quem matou Marielle? Onde está Queiroz? Por que a Polícia Federal até hoje não encerrou o inquérito sobre a facada em Bolsonaro? Ou as três ficarão no vácuo?

 

Rápidas

O Shopping Jardim Guadalupe apesenta nas férias oficinas de Slime (12 e 26 de janeiro, das 16h às 19h) e shows de ilusionismo com o Mágico Fini (13 e 19, das 18h às 19h) *** A programação de verão do Center Shopping Rio inclui show do cantor Adilson da Vila, neste sábado, às 19h; talk show “Vivo de Música”, no domingo, às 19h; e Oficinas de Peteca no mesmo dia, das 15h às 18h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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