Agenersa cobra explicações da Cedae sobre alterações na água

Sindicato denuncia tentativa de desmonte da estatal, preparando-a para ser privatizada pelo atual governo.

Rio de Janeiro / 22:08 - 8 de jan de 2020

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A Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) informou, nesta quarta-feira, que abriu processo regulatório para tratar dos procedimentos realizados pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) para “o correto e eficaz” restabelecimento do abastecimento de água na região metropolitana.

Depois da reclamação de moradores de 11 bairros da cidade do Rio de Janeiro sobre o recebimento de água com cheiro forte e coloração turva, a Cedae disse na terça-feira à noite que as alterações não oferecem risco à população.

A agência reguladora pediu que a Cedae preste esclarecimentos em cinco dias sobre as inspeções feitas nos bairros de Paciência, Campo Grande, Santa Cruz, Olaria, Braz de Pina e Ramos, acerca das reclamações dos usuários quanto à qualidade da água distribuída.
A Agenersa também pediu à Cedae que informe sobre o certificado das inspeções realizadas pelos técnicos sobre a higienização dos reservatórios e cisternas em geral, bem como a periodicidade do devido monitoramento além do prazo para restabelecer o abastecimento sem as alterações encontradas.

“Caso a companhia não se manifeste ou seja comprovada falha nos seus procedimentos que comprometa a qualidade da água fornecida e coloque em risco a saúde dos usuários, a Cedae pode ser penalizada”, acrescentou a Agenersa.

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Sintsama-RJ), denuncia que a Cedae vem passando por um processo de tentativa de desmonte, preparando-a para ser privatizada pelo atual governo.

“Ainda no ano passado, a Companhia demitiu mais de 70 engenheiros experientes. Além disso, a falta de concurso público tem feito com que a empresa diminua seu corpo de funcionários e muitos técnicos qualificados deixaram a empresa através do Programa de Demissão Voluntária (PDV). Esse processo de desmonte também é responsável pela demora na solução de muitos problemas, como os constantes rompimentos de tubulações. A consequência disso é a dificuldade no atendimento e melhoria do serviço prestado para a população”, diz o comunicado, assinado pelo presidente do sindicato, Humberto Lemos.
 

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