Agronegócio registra recorde nas exportações de maio

Mercado chinês adquiriu 44,9% do valor total exportado pelo Brasil em produtos agrícolas.

Negócios Internacionais / 16:33 - 16 de jun de 2020

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O agronegócio brasileiro registrou valor recorde nas exportações de maio com US$ 10,9 bilhões (+17,9%) e correspondeu a 60,9% do total exportado pelo país. O desempenho reflete, principalmente, os embarques de soja em grão (US$ 5,2 bilhões), carne bovina (US$ 780 milhões), açúcar (US$ 767 milhões) e café verde (US$ 468 milhões). As importações de produtos do agronegócio diminuíram de US$ 1,18 bilhão (maio 2019) para US$ 835,78 milhões em maio deste ano, recuo de 29,3%. De acordo com o Boletim da Balança do Agronegócio, divulgado nesta quarta-feira (10) pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o saldo da balança totalizou US$ 10 bilhões.

O mercado chinês adquiriu 44,9% do valor total exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio, chegando a US$ 4,91 bilhões em aquisições (+50,4%). O país asiático foi o maior importador da soja em grão brasileira, das carnes (bovina, suína e de aves), do açúcar e da celulose. O país asiático importou 71,5% de soja em grãos, o que corresponde a US$ 3,70 bilhões do grão. Já as aquisições de carne brasileira foram de US$ 870,84 milhões, considerando o mercado de Hong Kong. Desta forma, 55% do valor total exportado pelo Brasil foi para a China nesse mês de maio.

A China aparece novamente como maior importadora de açúcar, adquirindo 21,7% de todo o valor exportado pelo Brasil do produto ou US$ 166,42 milhões. De acordo com a análise da SCRI, a quebra da safra indiana de açúcar e o aumento das aquisições chinesas do produto explicam o incremento de nossas exportações, alcançando no total US$ 767 milhões. A celulose também foi destaque para o mercado chinês que adquiriu US$ 242,03 milhões, ou 41,4% do total exportado pelo Brasil.

 

Crescem exportações totais de carne suína

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 102,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado supera em 52,2% o volume embarcado no mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 67,2 mil toneladas. Em receita, as vendas mensais de carne suína alcançaram US$ 227,9 milhões, número 58,4% acima do alcançado no quinto mês de 2019, com US$ 143,8 milhões.

No acumulado do ano (janeiro a maio), as exportações de carne suína chegaram a 383,2 mil toneladas, volume 34% acima do efetivado nos cinco primeiros meses de 2019, com 285,9 mil toneladas. Já em receita, o saldo foi 54,8% maior, com US$ 878,3 milhões em 2020, contra US$ 567,5 milhões em 2019.

Ultrapassamos pela primeira vez o patamar de 100 mil toneladas e de US$ 200 milhões em um único mês. Apesar de extremamente positivo, era um comportamento esperado pelo setor para este ano, mesmo com o enfrentamento da pandemia. Ao mesmo tempo em que o setor mantém o abastecimento interno e traz divisas para o país neste momento de forte crise, as vendas para o mercado internacional contribuem para reduzir a elevação dos custos produtivos”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.

Carne de frango – De acordo com os levantamentos da ABPA, as exportações totais de carne de frango (incluindo in natura e processados) alcançaram 399,4 mil toneladas em maio, resultado que supera em 4,5% o saldo dos embarques efetivados no mesmo período de 2019, com 382,2 mil toneladas. A receita das exportações do período totalizou US$ 546,3 milhões, número 17,3% menor que o resultado registrado no mesmo mês do ano passado, com US$ 660,7 milhões.

No acumulado do ano, o volume exportado chegou a 1,764 milhão de toneladas, volume 4,9% acima do efetivado entre janeiro e maio de 2019, com 1,681 milhão. A receita do período chegou a US$ 2,697 bilhões, número 3,7% menor em relação ao desempenho registrado no mesmo período comparativo, com US$ 2,802 bilhões.

 

Apex apoia exportação durante pandemia

Instalada há 16 anos em Guarulhos (SP), a Destak fez sua primeira exportação há pouco mais de duas semanas, em pleno mês de maio de 2020, com o Brasil e o mundo atingidos pela pandemia da Covid-19, que impactou economias globalmente. A Destak, no entanto, provou que com planejamento, os sonhos podem ser alcançados. E a realização foi o embarque de seu primeiro contêiner com uma expressiva venda internacional para a Índia: primeira exportação realizada e de forma direta.

Esse primeiro passo de sucesso na exportação surgiu em 2018, quando uma grande empresa mundial de cafés os contatou para receber uma amostra do produto. O contato surgiu por meio de um grande cliente brasileiro. Mas a empresa, apesar do sonho de alcançar clientes no exterior, não sabia o que fazer para aproveitar a oportunidade. Foi aí que o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) fez a diferença e possibilitou o voo da Destak.

A empresa desenvolveu um produto focado na cadeia logística de produtos a granel, com grande experiência em mineração. Seu produto de destaque, o Big Bag, pode receber entre 300kg e 2000kg e seu principal apelo é evitar o manuseio, o que se traduz em maior segurança, economia e ganho de eficiência.

A China fortaleceu sua posição como principal destino das exportações de aves e de suínos, e foi um dos impulsos para o bom desempenho dos embarques neste período. Esta é uma tendência que deverá se manter durante os próximos meses em relação ao mercado asiático”, analisa Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

 

BNDES aportará R$ 20 milhões para startups

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aportará mais R$ 20 milhões no Fundo Anjo, um fundo de coinvestimento com investidores-anjo, aqueles que apoiam empresas nascentes com perfil inovador e com alto potencial de crescimento, as chamadas de startups. Com essa segunda emissão de cotas, a participação do BNDES no fundo atingirá R$ 60 milhões. O Fundo tem a previsão de atingir cerca de R$145 milhões de Patrimônio Comprometido, somando os aportes do Banco com os de parceiros privados.

O Fundo Anjo teve início em julho de 2019, com um patrimônio de R$ 76 milhões, dos quais R$ 40 milhões eram do BNDES e o restante proveniente de outros investidores e da Domo Invest, empresas selecionadas para gerir o capital aportado. Apesar da crise decorrente da pandemia da Covid-19, a Domo Invest, acredita que a meta de investimento em 20 startups possa ser atingida até o fim de 2020.

Já nos primeiros meses de operação, os gestores e analistas falaram com mais de 600 sócios-fundadores de startups e selecionaram, até o momento, 14 delas, das quais quatro estão em carteira, com o compromisso de investimento firmado.

O Fundo Anjo é uma iniciativa do BNDES que possibilita investimento em sociedades limitadas com faturamento anual inferior a R$ 1 milhão. Seu foco são os setores de economia criativa, agronegócios, saúde, biotechs, fintechs, cidades inteligentes e tecnologias de informação e comunicação. Com o apoio a estas startups, o Banco atua no fomento do mercado de capitais para esta modalidade de investimento e no estímulo ao ecossistema de inovação.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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