A privatização dos serviços essenciais está no centro do debate após a falta de luz em São Paulo, especialmente a demora no restabelecimento da energia. Porém as tarifas, que subiram após a desestatização das empresas, também afetam o consumidor. Água, luz e gás representam o maior percentual do orçamento do brasileiro.
A pesquisa “Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro 2023” revela que 53% dos brasileiros endividados dizem que as contas de luz, água e gás representam a maior parcela do seu orçamento mensal.
E 83% dos entrevistados dizem que já atrasaram o pagamento de outro tipo de conta porque tiveram de priorizar o pagamento de uma conta de água, luz ou gás; 74% das dívidas de contas básicas estão atrasadas há, pelo menos, um ano.
O estudo da Serasa mostra que para 82% dos brasileiros endividados o valor das contas básicas chega a representar até R$ 750, mais da metade do salário mínimo, que está em R$ 1.320.
A pesquisa ouviu 11.541 pessoas maiores de 18 anos de todas as regiões do país, sendo 52% homens e 48% mulheres.
De 1995 a 2019, enquanto a inflação (INPC) subiu 458,28%, a inflação da energia elétrica residencial, apurada pelo mesmo indicador do IBGE, subiu 1.020,09%. O gasto com energia elétrica, que comprometia, em média, 1,3% do orçamento das famílias em 1995, passou a representar 5,08% do gasto mensal em 2020. Os cálculos foram feitos pelo Dieese.
A alta das tarifas não ocorre apenas no Brasil. Matéria publicada pelo jornal britânico The Times mostrou que as contas de água e esgoto no Reino Unido podem aumentar em até 40% antes do final da década. Os preços devem subir, em média, 25% até 2030.
Relatório produzido pelo Instituto Transnacional (TNI), centro de pesquisas com sede na Holanda, entre 2000 e 2019, 312 cidades, em 37 países, reestatizaram seus serviços de tratamento de água e esgoto. Entre eles, Alemanha, França, Bolívia, Argentina, Equador, Venezuela, Honduras e Jamaica.
Em entrevista à BBC Brasil em 2017, Satoko Kishimoto, coordenadora para políticas públicas alternativas no TNI, assinalou: “Em geral, observamos que as cidades estão voltando atrás porque constatam que as privatizações ou parcerias público-privadas (PPPs) acarretam tarifas muito altas, não cumprem promessas feitas inicialmente e operam com falta de transparência, entre uma série de problemas que vimos caso a caso.”
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