Águas subterrâneas

A importância da gestão das águas subterrâneas no Brasil,: desafios e soluções para garantir o abastecimento e evitar desastres ambientais.

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água escorrendo de uma torneira
Foto tirada em 20 de março de 2023 mostra uma menina lavando tigela com água da torneira na escola primária de Bahao, na vila de Bansheng, distrito autônomo da etnia Yao de Dahua, Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China. (Xinhua/Huang Xiaobang)

O Brasil é um país rico em recursos hídricos, mas melhorar o problema do abastecimento continua a ser um desafio. Apesar da aparente abundância de água, apenas 2,5% de toda a água disponível para consumo constitui água doce, sendo a maior parte constituída por água salgada. Ainda assim, esse pequeno percentual está fixado em geleiras, rios, lagos e aquíferos subterrâneos.

A água subterrânea constitui 22% da água doce disponível para utilização do ser humano; por isso, a necessidade de uma gestão adequada, dado que além de ser muito superior em quantidade à água de superfície, é formada, em sua maioria, por aquíferos esgotáveis. A exploração de aquíferos tem que ser acompanhada a fim de evitar transformações sedimentares no solo e contaminação. Atualmente, a distribuição de água é feita em sua maior parte por águas superficiais.

Analisar os usos das águas subterrâneas significa também estudar a importância do balanço hídrico do solo. Deve haver um cuidado com os usos e ocupação do solo, alerta o professor Célio Bertelli em mesa redonda da Abes-SP, que podem provocar, por exemplo, a recarga artificial de aquíferos decorrente das atividades humanas, podendo levar à perda dos aquíferos. A plantação de árvores exóticas como eucalipto e pinus em lugar da plantação nativa, por exemplo, altera o balanço hídrico no meio rural, pois retira a capacidade de infiltração natural das águas nos aquíferos subterrâneos.

Atualmente, a paisagem, especialmente em algumas cidades do sul do Brasil, perdeu suas árvores nativas e está dominada por plantações de eucalipto para abastecimento da indústria de papel e madeira sem um zoneamento mais sério, o que traz graves consequências, inclusive a redução da drenagem do solo, favorecendo às inundações.

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Diante de um futuro de incertezas climáticas, a professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Alexandra Suhogusoff está ajudando a desenvolver o projeto Sacre (Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes) do Instituto de Geociência da USP e outros parceiros, como a Fapesp e o CNPQ, além de diversas universidades. O projeto visa buscar a segurança hídrica da cidade-piloto de Bauru, em São Paulo, nos sistemas dos aquíferos Bauru e Guarani. O projeto Sacre desenvolve pesquisa e tecnologias originais para o abastecimento de água e visa criar políticas públicas com a sensibilização também dos estudantes e da sociedade.

Investir em infraestrutura hidráulica significa também prevenir inundações e estiagens, contaminação das águas e desastres ambientais. Mesa redonda intitulada “O desafio da gestão das águas subterrâneas: como se preparar para um futuro de incertezas climáticas?”, promovida essa semana pela Abes-SP com diversos especialistas na área, discutiu a importância da gestão dos recursos hídricos, trazendo a experiência das cidades paulistas de Bauru e Ribeirão Preto.

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