Ah, coitado!

Ao tentar justificar o injustificável, o ministro Pedro Malan voltou a atropelar os fatos. Em entrevista a Jô Soares, assegurou que, apesar da bilionária ajuda recebida do Banco Central, o presidente do Banco Marka, Salvatore Cacciola, “perdeu tudo”. Malan, porém, saiu-se com um “não sei”, quando o apresentador lhe perguntou se o Salvatore “ficou pobre”. A escusa foi significativa. Noves fora os US$ 17 milhões enviados ao exterior, Salvatore continua tão banqueiro quanto antes. O Marka, não só não sofreu intervenção, como nada o impede de continuar operando, como mostra a análise das operações da instituição no mercado futuro, lastreadas na generosidade do BC com a banca.

Mão de gato
O país quer saber: quem no governo e no Banco do Brasil autorizou a federalização dos precatórios da Prefeitura de São Paulo, que dormitavam no Banespa? Quem matar a charada pode estar a meio caminho de descobrir o nome do futuro feliz vencedor da privatização do banco paulista.

Trabalho moderno
A empresa CTM, que acaba de perder para a concorrente Quatro A o contrato de terceirização do serviço de informações (102) da Telemar no Rio de Janeiro, nem sequer se dignou a comunicar a seus cerca de 700 funcionários qual será seu destino após 15 de julho, quando se encerra o contrato da empresa. Nada a estranhar, porém, de uma empresa que, ao contratar cerca de 150 telefonistas no início do ano, submeteu os candidatos a “treinamento intensivo” de 12 dias sem garantia de aproveitamento e sem remuneração.

Gol contra
A rede de lojas de eletrodomésticos Ponto Frio vai ter que fazer um esforço de marketing para limpar a imagem junto à torcida botafoguense. Tudo por conta de um “anúncio de oportunidade” publicado segunda-feira na seção de esportes de alguns jornais. O reclame trazia como título “Fogão campeão” – e se referia a uma marca de fogão, em promoção na rede de lojas. Para o torcedor que ainda sofria com a perda do título da Copa do Brasil, na véspera, a propaganda soou como provocação, pior do que as feitas por rubro-negros, vascaínos e tricolores.

Umbigo
Os Estados Unidos, que não engoliram a reunião Mercosul-UE, preferiram ignorar a Cimeira. O Washington Post dedicou míseras três linhas ao encontro. Na edição de terça-feira, porém, o Brasil apareceu com destaque. O jornal da capital norte-americana publicou matéria de um quarto de página sobre a Tiazinha.

Hello
Os entusiastas da abertura do setor de comunicação para os estrangeiros – mais uma vez sem nenhuma reciprocidade, como é de praxe no reinado tucano – deveriam dar antes um expiada nos números do comércio no Nafta. Pesquisa do ano passado revela que, enquanto o México exporta apenas 2% de sua programação televisiva para os Estados Unidos, importa de seu poderoso vizinho 60% da programação exibida nas emissoras locais.

Consumidor atropelado
Os usuários do transporte coletivo municipal no Rio estão com uma pulga atrás da orelha. Os ônibus convencionais com ar-condicionado que cobravam tarifa de R$ 1 passaram a circular com a premonitória advertência de “promoção” ao lado da tabela de preço.

Preciosas
Após ter ameaçado revelar informações “preciosas” sobre a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB) deu a entender que não vai revelar o que sabe. Como a ameaça foi feita após ter sabido da demissão de Flávio Menicucci do DNER, Newton Cardoso deveria agora esclarecer: 1) o que de tão grave sabe sobre a reeleição de FH; 2) por que mudou de idéia, em 48 horas, após considerar sua “ira” superada. Aos espectadores da cena política, fica a dúvida: o vice de Minas adotou a tática de dossiês virtuais, muita utilizada por ACM, ou FH correu para “acalmar os ânimos”?

Astro
Sucesso de popularidade no Rio, o presidente cubano, Fidel Castro, também está com o ibope em alta entre os jornalistas. Ele deu ontem três entrevistas. Galanteador, pegou nos braços de algumas repórteres. Para uma, ao reencontrá-la, disse: “Tu ainda por aqui?”. Num gesto de fã, um repórter argentino pediu uma foto ao lado do dirigente cubano. “É o momento mais importante da minha vida”, disse o repórter. “Da minha também”, respondeu Fidel.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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