Ajuste nos mercados com temores ante nova onda de Covid

Nesta quinta, Bolsas globais operam sem direção definida, enquanto Europa aguarda a divulgação de novas medidas restritivas sobre a pandemia

Opinião do Analista / 10:53 - 24 de set de 2020

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O que pode impactar o mercado hoje - O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 1,60%, fechando em 95.734 pontos, patamar próximo ao atingido em 30 de junho, acumulando queda de 3,66% no mês. As maiores quedas do índice foram as de BRKM5 (-6,18%), LREN3 (-4,58%) e TOTS3 (-4,54%), enquanto as maiores altas foram as de RENT3 (+13,97%), IRBR3 (+9,57%) e VALE3 (+2,23%). Por outro lado, o dólar comercial subiu 2,28% a R$ 5,60. As taxas futuras de juros apresentaram elevação, principalmente nos vencimentos mais longos, aumentando a inclinação. O que pesou para o movimento foi o cenário no exterior, com temores em relação a uma nova onda da Covid-19, levando o dólar a subir. DI janeiro de 2021 fechou em 1,95%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,48%; DI janeiro de 2025 foi para 6,48%; e DI janeiro de 2027 encerrou em 7,44%.

Nesta quinta-feira, os mercados globais operam sem direção definida (EUA +0,1%), enquanto a Europa aguarda a divulgação de novas medidas restritivas sobre a pandemia (-0,3%). As principais Bolsas asiáticas também fecharam o dia em forte queda, ampliando ainda mais as perdas da semana.

Ainda no cenário político internacional, a indicação a uma vaga da Corte Suprema continua em destaque na política americana. O presidente americano, Donald Trump, enfatizou nesta quarta-feira a importância de que o colegiado esteja completo antes da eleição porque ele acredita que o tribunal superior terá de decidir sobre uma possível contestação do resultado. Além disso, outro tema que voltou ao palco central do debate eleitoral é a onda de protestos contra o racismo e brutalidade policial. Dois policiais foram baleados em Louisville, Kentucky, nesta quarta-feira durante uma manifestação ligada à morte em março da enfermeira, Breonna Taylor.

No Brasil, destaque para a continuidade da ofensiva do governo para reintroduzir a criação de um imposto sobre transações no debate da reforma tributária. O ministro Paulo Guedes falou ontem, depois de reunião com Jair Bolsonaro, que o governo estuda "tributos alternativos" que possam permitir a ampliação da desoneração da folha de pagamentos - facilitando a geração de empregos e a criação de uma "porta de saída" para o programa de transferência de renda planejado pelo governo. A proposta ainda enfrenta resistências no Congresso.

No noticiário econômico, ganhou destaque a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro foi convencido a permitir que o relator da PEC do Pacto Federativo, senador Márcio Bittar (MDB-AC), faça um parecer amplo com um conjunto maior de medidas de cortes de despesa para financiar o novo programa social do governo, que pode ser batizado de Renda Cidadã. As propostas partiriam do Senado e, de acordo com o Estadão, o projeto traria medidas que atingem os servidores, a desvinculação e desindexação do Orçamento e a eliminação do piso para saúde e educação. O parecer deve ser apresentado na semana que vem.

Na agenda econômica de hoje, os destaques serão o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e posterior coletiva com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk. No exterior, o presidente do Fed, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, testemunham no Senado dos EUA. Destaque ainda para cinco discursos de dirigentes do Fed e indicadores da economia americana.

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