AL: 61% da região apresentam níveis médios/baixos de desenvolvimento

Ranking que analisa oito países, incluindo o Brasil, revelou que só 7% - 13 regiões em 182 pesquisadas -, têm alto nível de desenvolvimento.

A maior parte da América Latina tem baixos níveis de desenvolvimento. Além disso, as regiões mais favorecidas estão longe dos melhores padrões mundiais, é o que revela a da primeira versão do Índice de Desenvolvimento Regional para a América Latina (Idere Latam), uma ferramenta que mede o desenvolvimento no nível territorial de 8 países latinos, incluindo o Brasil. Segundo o índice 61% das regiões investigadas apresentam níveis médios ou inferiores de desenvolvimento e apenas 7% (13 regiões – 6 no Chile, 6 no Uruguai e 1 na Argentina) pertencem ao grupo de alto desenvolvimento.

O estudo indica ainda que no nível médio-alto estão Argentina, Uruguai, Chile e Brasil. Já no nível médio aparecem unidades do México, Colômbia e Brasil e no baixo nível de desenvolvimento existem apenas 7 regiões, o equivalente a 4% do total, dominadas quase inteiramente pela Colômbia e El Salvador.

O Chile é o país com o desenvolvimento regional mais equilibrado da América Latina, o que significa que a distância entre a região mais e menos desenvolvida desse território é a mais delimitada do subcontinente. Uruguai e Argentina vêm a seguir. Por outro lado, a Colômbia apresenta um grande déficit de desenvolvimento, seguida pelo Paraguai, Brasil e México. No caso de El Salvador, todas as suas regiões estão abaixo da média latino-americana, um aspecto preocupante, visto que a média do país apresenta produtividades próximas às regiões com os menores Idere's. Ao todo, foram analisadas 182 unidades em nível subnacional que concentram 82% de toda a população latino-americana.

A pesquisa é um esforço coletivo de oito universidades e centros de estudos da América Latina, liderado pelo Instituto Chileno de Estudos Municipais (ICHEM) da Universidade Autônoma do Chile e o Instituto de Economia (Iecon) da Universidade da República do Uruguai. As instituições que também fazem parte desse projeto latino-americano são: Fundação Getulio Vargas (Brasil), Universidade de Los Andes (Colômbia), Universidade de Guadalajara (México), Universidade Tecnológica Nacional (Argentina), Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Paraguai) e Fundação Salvadorenha para Desenvolvimento Econômico e Social (El Salvador).

O índice – cuja construção foi realizada antes da pandemia de Covid-19 – é uma ferramenta que mede o desenvolvimento em nível territorial, a partir de uma perspectiva multidimensional inspirada no enfoque do desenvolvimento humano e sustentável. Os resultados são entre 0 e 1 (onde 0 expressa o desenvolvimento mínimo e 1 o máximo). Dessa forma, o Idere Latam considera 25 variáveis ​​por meio de oito dimensões: educação, saúde, bem-estar e coesão, atividade econômica, instituições, segurança, meio ambiente e gênero.

Em termos de segurança, observa-se que 54% das regiões latino-americanas analisadas estão em níveis médio e baixo de desenvolvimento. Em contrapartida, 22% apresentam níveis muito altos ou altos. Sobre meio ambiente, o índice revela que 81 unidades analisadas tiveram níveis médios a baixos, enquanto 31 possuem níveis muitos altos de desenvolvimentos. Uma terceira dimensão que apresenta diferenças marcantes na América Latina é o Bem-estar e Coesão. 73% dos territórios estudados encontram-se em nível de desenvolvimento de médio a baixo nessa categoria e apenas 13% das regiões atingem o nível médio e alto, estando todos concentrados no Uruguai.

Quanto à educação, 73% das regiões da América Latina apresentam desempenho médio-alto ou superior, e apenas 2 regiões estão na faixa inferior do estudo.

Na dimensão saúde, que considera a expectativa de vida ao nascer, a taxa de mortalidade infantil e a taxa de suicídio, a América Latina apresenta, em geral, um alto desempenho. Já na dimensão econômica, a Idere Latam revela que 69% das regiões estão em nível de médio a baixo, sobretudo, porque o PIB per capita está em um nível baixo em todo o subcontinente, o que tem um impacto negativo no desempenho da dimensão em estudo. Segundo os coordenadores do estudo, essa situação tende a se agravar, em função da pandemia.

Na dimensão institucional (análise de receita própria/receita total – participação nas eleições – corrupção), dados preocupantes podem ser observados. 64% das regiões registram um nível médio-baixo ou baixo. O que é alarmante nesses dados é que o nível de desenvolvimento regional baseia grande parte de seu crescimento na robustez das instituições. Por fim, na dimensão de gênero, apenas duas regiões atingem níveis elevados Buenos Aires e Bogotá, já o restante do subcontinente apresenta desempenho médio. Esses resultados mostram que gênero é a dimensão com menos desequilíbrio da América Latina.

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