AL: pelo menos 77 milhões não têm acesso à internet em zonas rurais

Estudo considerou 24 países da região; média de conectividade na ruralidade equivale à metade da disponível nas áreas urbanas.

Informática / 13:12 - 29 de out de 2020

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Pelo menos 77 milhões de pessoas que vivem em territórios rurais da América Latina e do Caribe carecem de conectividade com padrões mínimos de qualidade mostrou a pesquisa "Conectividade Rural na América Latina e no Caribe - Uma Ponte para o Desenvolvimento Sustentável em Tempos de Pandemia", apresentada nesta quinta-feira pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Microsoft.

O estudo, que concentrou o trabalho em 24 países latino americanos e caribenhos e fornece um panorama abrangente da situação da conectividade rural na região, revela que 71% da população urbana da América Latina e do Caribe têm opções de conectividade, diante de menos de 37% na ruralidade, uma diferença de 34 pontos percentuais que prejudica o imenso potencial social, econômico e produtivo.

No total, 32% da população na América Latina e Caribe, ou 244 milhões de pessoas, não acessam a serviços de internet. A diferença de conectividade é mais acentuada quando se separa populações urbanas e rurais. Em alguns casos a diferença chega a 40 pontos percentuais. Do total de pessoas sem acesso à internet na região, 46 milhões vivem em territórios rurais.

A pesquisa constatou que há grandes limitações na disponibilidade de dados estatísticos oficiais, o que impede uma exibição precisa do estado real da situação de conectividade nos territórios rurais das Américas: apenas 50% dos países da região possuem medições específicas sobre conectividade em áreas rurais.

Para compensar a falta e dados, o IICA, o BID e a Microsoft desenvolveram o Índice de Conectividade Significativa Rural (ICSr) e o Índice de Conectividade Significativa Urbana (ICSu), o que permitiu medir a qualidade da conexão a partir das informações disponíveis nas estatísticas oficiais e com base em outros índices existentes, incluindo banda larga, do BID; de Conectividade Móvel, do Grupo Especial Móvel da Associação GSMA (GSMA); e de Conectividade Geral, utilizada pela União Internacional de Telecomunicações (UTI, na sigla em inglês). O estudo constatou que apenas sete países da região possuem informações mais completas e específicas que permitem o acesso a dados sobre os pilares da conectividade rural significativa: uso diário da internet, disponibilidade de equipamentos, acesso à banda larga e tecnologia 4G em áreas rurais.

Para esses países, a pesquisa revelou que as defasagens mais importantes em termos de conectividade se devem à baixa frequência da internet, com uma média de apenas 10% da população rural (ou 21% se o Brasil for excluído), que utiliza diariamente a rede mundial de computadores, seguido pela baixa disponibilidade de banda larga, com uma média de 16,6% da população rural que acessam esse serviço.

O uso de equipamentos (principalmente smartphones) e o acesso a tecnologias 4G apresentam índices mais favoráveis, com níveis médios de penetração em populações rurais de 71% e 37%, respectivamente (48% e 15% excluindo o Brasil da média).

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