Alcolumbre, sobre discurso de Bolsonaro: país precisa de líder

Médico, o senador Humberto Costa cobra uma reação enérgica do Congresso contra o que chamou de crime.

Política / 11:21 - 25 de mar de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Nesta terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSDB-MG), divulgaram nota classificando como "graves" as declarações do presidente Jair Bolsonaro, feitas em cadeia nacional na noite ontem. No pronunciamento à população, Bolsonaro afirmou que o país deve voltar à normalidade e abandonar o conceito de "terra arrasada", com reabertura do comércio e das escolas.

"Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS). A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade", diz a nota da Presidência do Senado.

Senadores de diferentes partidos criticaram Bolsonaro por defender o fim da quarentena e minimizar a epidemia do coronavírus. Médico, o senador Humberto Costa (PT-PE) cobra uma reação enérgica do Congresso Nacional contra o que chamou de crime. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) ressalta que Bolsonaro tenta dividir o país com uma ideologia que pode matar milhares de brasileiros. Mas o vice-líder do governo, senador Chico Rodrigues (DEM-RR), afirma que Bolsonaro tem atuado contra o coronavírus.

Na Câmara, o pronunciamento também dividiu opiniões: ontem à noite, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já havia criticado o pronunciamento. Maia afirmou, por meio das redes sociais, que a fala de Bolsonaro foi equivocada ao atacar a imprensa, os governadores e os especialistas em saúde pública.

No Twitter, o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), elogiou Bolsonaro, dizendo que ele defendeu a preservação dos empregos e se mostrou um estadista com coragem de ir na "contramão da histeria coletiva construída sem critérios racionais". A deputada Caroline de Toni (PSL-SC) também afirmou que os danos econômicos do isolamento social podem ser muito piores dos que as consequências da volta à normalidade.

Médico, o deputado Osmar Terra (MDB-RS), que foi ministro da Cidadania, também defendeu Bolsonaro. Terra tem afirmado que a pandemia do novo coronavírus vai matar menos gente que a gripe H1N1 e que 99% das pessoas terão sintomas leves ou nenhum sintoma. Ele diz que apenas grupos de risco devem ser isolados.

"Proibir a praia! Onde é que já se viu proibir as pessoas de ir à praia. O contágio é quase zero. Proibir as pessoas de caminhar na rua. Isso não tem cabimento. Os governadores estão tomando medidas cada vez mais radicais. O prefeito para não ficar para trás também toma medidas radicais... Isso é que vai destruir a economia", criticou Terra. "O governo não tem caixa para ficar sustentando todo mundo!"

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) também disse que a fala de Bolsonaro revela desprezo pela população. "Ele demonstra com isso um desprezo profundo pela vida das pessoas. Ele está preocupado com o número da economia que vai sair do governo dele no fim do ano. E não está pensando na vida das pessoas. É uma tristeza profunda para o País descobrir que, neste momento, não tem presidente, não tem um líder", criticou Molon.

A Organização Mundial da Saúde tem defendido medidas duras de isolamento social para que os sistemas de saúde não entrem em colapso por meio de picos muito altos de infectados graves. Recentemente a instituição afirmou que não são apenas os idosos e as pessoas com doenças preexistentes que estão tendo que ser auxiliados por aparelhos de respiração. A Sociedade Brasileira de Infectologia também divulgou nota, afirmando que "ficar em casa" é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras neste momento.

Segundo o comunicado, assinado por seu presidente, Clóvis Arns da Cunha, diz que a SBI diz que "o Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias. 'Ficar em casa' é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras neste momento, principalmente as mais populosas.

 

Com informações da Agência Senado e da Agência Câmara de Notícias

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor