Aldir

Gênio da música é também o autor da mais inteligente pergunta feita a um candidato em um debate político.

O psiquiatra Aldir Blanc, em parcerias alternadas com Maurício Tapajós, Paulo Emílio, Guinga, Moacyr Luz e Cristovão Bastos, é autor de algumas das mais brilhantes joias da MPB, como O bêbado e o equilibrista (em parceria com João Bosco) e O mestre-sala dos mares.

É também o autor da mais inteligente (e engraçada) pergunta feita a um candidato, em um debate político. Como estamos próximos a outro desses períodos delirantes em que o metrô, saindo do Rio, chega até o outro lado da Baía da Guanabara, Niterói e São Gonçalo. A própria Baía torna-se limpa e de águas cristalinas, na boca de alguns candidatos a cargos eletivos, carentes de votos.

Estávamos nos idos de 1982, quando foram realizadas as primeiras eleições majoritárias para os governos estaduais, desde que baixou sobre o país a pesada nuvem tóxica do autoritarismo.

Os candidatos, não fosse a capacidade de esgrima política de Leonel Brizola (eleito), e a campanha teria sido não mais do que uma partida de tênis entre os dois que polarizaram o processo, desde o início – representando a direita mais reacionária e imobilista, Dona Sandra Cavalcanti, e no outro córner, o favorito da então governador Chagas Freitas, típico praticante da “política da biquinha”, o deputado Miro Teixeira.

Dona Sandra tinha um enorme calcanhar de Aquiles. Ao exercer por um tempo a Secretaria de Serviço Social do Governo Carlos Lacerda, aconteceu um crime bárbaro, com o aparecimento de corpos de mendigos afogados no rio da Guarda. Ora, o rio da Guarda integra a mesma bacia do rio Guandu, que fora o palco da obra do governo Lacerda mais propagandeada, a adura do Guandu, “Água para o Rio até o ano 2000” (era o lema).

O candidato que polarizava a campanha com Dona Sandra deitou e rolou, tanto que ela passou a ter como escorte um envelope com um punhado de declarações de que a ordem para afogar os mendigos teria partido dela. Daí, acusou tem que assinar e arrostar as consequências, junto a um juiz.

Segue o debate, segunda parte, feita de perguntas da audiência para os candidatos. Aldir se apresenta, escolhe Dona Sandra e manda: “É sabido que a senhora é a favor da pena de morte”, Dona Sandra balança a cabeça, concordando. E Aldir apresenta a pergunta: “Na hipótese de ser implantada no Brasil a pena de morte, qual dos seguintes métodos seria o melhor? Garrote vil, fuzilamento? Ou… afogamento no rio da Guarda?”

Pano, rápido.

 

‘Contrariedade ao interesse público’

Bolsonaro vetou integralmente a nova Lei Aldir Blanc, que previa o repasse anual de R$ 3 bilhões aos governos estaduais e municipais destinados ao setor cultural, durante cinco anos.

– 80% dos recursos irão para editais, chamadas públicas, cursos, produções, atividades artísticas que possam ser transmitidas pela internet; e ainda para manter espaços culturais que desenvolvam iniciativas de forma regular e permanente;

– 20% dos recursos serão destinados a ações de incentivo direto a programas e projetos que tenham por objetivo democratizar o acesso à cultura e levar produções a periferias e áreas rurais, por exemplo.

Pano, rápido.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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