Além do petróleo, pecuária também preocupará investidores

Se a oferta é afetada, será necessário um longo tempo para que volte para o mesmo nível.

Acredite se Puder / 16:53 - 13 de mai de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O coronavírus já causou problemas no mercado de petróleo. Agora, segundo os analistas do Goldman Sachs, será a vez do setor de pecuária a gerar preocupação entre os investidores. Na opinião deles, ninguém quer ouvir falar de petróleo, pois quase todos sofreram perdas e vão demorar algum tempo para se recuperar. As medidas de confinamento levadas a cabo pelos governos de todo o mundo para conter o contágio da Covid-19 resultaram num choque na procura por petróleo, sem paralelo na história, o que fez com que o preço do óleo nos Estados Unidos afundasse para níveis negativos pela primeira vez.

Acontece que o novo coronavírus também teve reflexos na indústria de alimentos, com os agricultores enfrentando um grande desafio, pois os especialistas do banco norte-americano consideram que os dois setores têm algo em comum: se a oferta é afetada, será necessário um longo tempo para que volte para o mesmo nível. As medidas de confinamento foram adotadas por 187 países nas últimas semanas ou meses, num esforço para deter o vírus. Essas restrições, porém, obrigaram os restaurantes e mercados a fecharem portas ou a abrandarem a sua atividade, obrigando que muitos agricultores dos Estados Unidos deixassem estragar frutas e vegetais frescos, absorvendo elevados prejuízos.

Agora, os receios são os de que a indústria não consiga repor os níveis da produção anterior e não atenda à procura por carne de porco, de vaca ou de frango. Enquanto isso, as ações solidárias dos bancos alimentares em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos, viram os pedidos de ajuda disparar e já admitem o risco de fome entre crianças, que pode atingir os 18 milhões de pessoas na maior economia do mundo, enquanto o número mais alto anteriormente registrado foi 17,2 milhões em 2009. Atualmente, a administração Trump se prepara para comprar cerca de US$ 3 bilhões de produtos agrícolas do país, dentro do programa de apoio Farmers to Families Food Box, que tem um valor total de US$ 19 bilhões.
No mês passado, os analistas do Bank of America alertaram para a redução da produção de norte-americana de carne, num futuro próximo, para absorver os prejuízos provocados pela atual pandemia.

 

Sem lançamentos, Trisul continuará vendendo

A construtora e incorporadora Trisul, da capital paulista, obteve lucro de R$ 31,1 milhões, uma alta de 17% sobre igual período de 2019. O Ebitda cresceu 2% e chegou a R$ 39 milhões. A receita líquida, no entanto, caiu 5% para R$ 171,2 milhões, e o caixa ficou em R$ 405 milhões. Para a Bradesco BBI, a Trisul entregou resultados sólidos, indicando que se não fosse a epidemia, teria tido um trimestre excelente. Apesar de suspender os lançamentos, a imobiliária vendeu R$ 133 milhões em unidades prontas ou em construção, com uma queda de vendas de 19%. O BBI observa que o 2º trimestre será pior para todas as construtoras, não apenas para a Trisul, com a provável suspensão de todos os lançamentos, mas esta, por ter uma quantidade razoável de obras em andamento, deverá continuar com as vendas. E conclui: a empresa também tem um forte portfólio de lançamentos que pode ser retomado quando o mercado se recuperar. O banco manteve a recomendação de desempenho acima da média de mercado e preço-alvo de R$ 10, com possibilidade de valorização de quase 50%.

 

Braskem sobe 5% só por causa do UBS

As ações da Braskem subiram mais de 5% no pregão desta quarta-feira, para R$ 21,50, só porque o UBS alterou de venda para a compra a recomendação da ação, com preço-alvo de R$ 28, o que representa um potencial de alta superior a 30%. E nada mais aconteceu, a não ser a expectativa do banco suíço que a forte desvalorização do real frente ao dólar, de 40% até maio, e a queda nos preços da nafta, também da ordem de 40%, poderão dar uma base para a melhora dos resultados da petroquímica. Porém, ainda enxerga alguns desafios de médio prazo que superam os dois benefícios, como o problema ambiental em Alagoas, o excesso na capacidade mundial e uma possível revisão no contrato de etano no México. A liquidez, no entanto, não é uma preocupação e mesmo num cenário de estresse a companhia deve gerar caixa. O pitoresco é que, embora tenha mandado comprar, o banco manteve o preço-alvo de R$ 28 para a ação em 2020. No momento, oscila ao redor de R$ 22.

 

Quando o Procon vai multar a Americanas?

Desde o início da pandemia de coronavírus, o Procon-SP já aplicou mais de R$ 3 milhões em multas por preços abusivos em estabelecimentos no estado. A fiscalização é feita diariamente, e já autuou cerca de 34 estabelecimentos por práticas abusivas em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor. As multas são aplicadas por meio de processo administrativo, previsto por lei. Os setores que mais sofreram autuações foram as farmácias, que receberam multas em torno de R$ 2,3 milhões, e os supermercados, multados em cerca de R$ 800 mil.

Qual Procon deve multar as Lojas Americanas por práticas não equitativas no e-commerce: o de São Paulo ou o do Rio? No mês de abril, a companhia oferecia um computador Intel Core i5 3.2Ghz, com 4GB, HD de 500GB, Wi-Fi e Windows 10 Pro por R$ 1.290. Na semana passada, sem a menor explicação, elevou o preço do produto para R$ 1.490. Nesta quarta-feira, na maior cara de pau, passou a pedir R$ 1.999 pelo computador. Acredita-se que isso só é superado pelo Assalto ao trem pagador.

 

Bolsas serão a salvação das empresas

O Haitong Bank prevê uma parada nas fusões, aquisições e novas listadas em bolsa devido à Covid. Passada esta fase mais crítica, o banco chinês acredita que é no mercado de capitais que as empresas encontrarão os financiamentos para se reerguerem.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor