Neste dia 15, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) entregará o título de Professor Emérito 2007 ao jurista Ives Gandra da Silva Martins. Mais conhecido como um dos maiores especialistas nos ramos constitucional e tributário do Direito, Ives confessa que a atividade que mais o realiza é dar aulas. E isso ele faz há mais de meio século, desde que, recém aprovado para a prestigiosa Faculdade do Largo de São Francisco, ensinava francês, latim e grego para seus futuros colegas num cursinho pré-vestibular.
Ao contrário do que possa parecer aos menos avisados, essa confissão não é uma reação gentil à escolha para integrar a galeria dos Guerreiros da Educação, troféu concedido anualmente a um educador de destaque, juntamente com o título de Professor Emérito. A prova é uma confidência de seus filhos: em casa, eles podem até esquecer o aniversário do pai, mas Ives fica realmente entristecido se não for cumprimentado no Dia do Professor.
O prêmio chega à sua 11ª edição, tendo entre os homenageados mestres do naipe de Miguel Reale, José Pastore, Antonio Candido, Ruth Cardoso, Esther de Figueiredo Ferraz, Crodowaldo Pavan, Paulo Vanzolini, Hélio Guerra, Paulo Nogueira Neto e Luiz Décourt. Cada um em sua especialidade, todos foram expoentes que abriram novos caminhos nas respectivas searas, fizeram escola e deixaram forte marca em gerações de profissionais.
Mais do que conhecimento técnico, entretanto, os 11 professores eméritos transmitiram lições de vida, tendo como parâmetros o humanismo, a ética, a cidadania, a dedicação à carreira escolhida. Todos se destacaram também pela contribuição que deram à sociedade, buscando tanto transferir-lhe o resultado de sua ciência e saberes, como atuando com espírito cidadão, voltado para a defesa de um país próspero, mais justo e menos desigual.
Acima de tudo, entretanto, eles foram mestres, dedicando o melhor de sua inteligência à formação integral dos jovens estudantes, consciente de que a maior riqueza que poderiam legar ao futuro seria a construção de um sólido e produtivo capital humano – esse fator fundamental para que o Brasil concretize o antigo sonho de prosperidade de justiça social.
Professores por vocação e por escolha, nossos Guerreiros da Educação não se limitaram a lamentar as graves falhas do ensino brasileiro. Ao contrário, como exemplos de profissionais de qualidade, usaram seu engenho e arte para vencer o conjunto de carências que destruíram – e ainda destroem – o ânimo de milhares de professores.
Superando obstáculos, conseguiram lapidar o coração e a mente de seus alunos para o mundo do saber, dando-lhes a consistente base teórica que fundamentou o sucesso de tantos deles no mundo do fazer – eis aí o resultado que o grande prêmio e a maior gratificação dos professores dignos desse título.
É esse o ponto de convergência entre a trajetória dos professores eméritos e a missão a que o CIEE se dedica desde sua fundação há 43 anos, com um resultado que pode ser medido pelo encaminhamento ao mercado de trabalho de sete milhões de estudantes dos ensino médio, técnico e superior, por meio do estágio.
Essa modalidade de capacitação do estudante para o ingresso no cada vez mais exigente mercado de trabalho constitui uma atividade de forte caráter pedagógico, eis que contribui para aprimorar o desempenho do aluno estagiário e funciona como um canal de comunicação entre a instituição de ensino e a empresa. Aliás, um canal de mão dupla, porque tanto leva ao ambiente de trabalho as novidades acadêmicas, quanto traz à escola uma visão da realidade do mundo corporativo.
Assim, não será exagero considerar o estágio um eficiente aliado do professor na realização de seu grande objetivo, que é promover a inclusão profissional do estudante e sua transformação num cidadão digno e produtivo – o que somente se consegue com educação de qualidade, valorização do trabalho e dignificação do papel do professor. Não é, portanto, surpresa que os 11 Guerreiros da Educação endossem o valor do estágio e, mais do que isso, o recomendem como uma etapa importante na formação de seus alunos.
É nesse esforço que se insere o Prêmio Professor Emérito – Troféu Guerreiro da Educação que, de uma outra perspectiva, tem o grande objetivo de difundir o exemplo dos grandes mestres, com a esperança de que seu exemplo se multiplique por esse Brasil afora. Para benefício dos próprios professores, dos alunos e da sociedade.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da Fiesp.















