Alimentação em casa pressiona inflação

Cenário inflacionário continua benigno e os principais núcleos de inflação seguem bem-comportados.

Opinião do Analista / 16:02 - 9 de set de 2020

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Em agosto de 2020, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou inflação de 0,24% (2,44% no acumulado de 12 meses), em linha com as expectativas de mercado coletadas pela Bloomberg e levemente abaixo das nossas expectativas (+0,29%). Bens duráveis (+0,14% vs. expectativa de +0,72%) e eletricidade (+0,27% vs. expectativa de +0,60%) foram as principais surpresas baixistas, enquanto gasolina (+3,22% vs. expectativa de +2,75%) e alimentação no domicílio (+1,15% vs. expectativa de +0,93%) foram as principais surpresas inflacionárias. Alguns outros itens pontuais que apresentaram inflação acima do esperado no mês foram aipim (+6,22%), pimentão (+12,62%), tomate (+12,98%), frutas (+3,37%), óleos e gorduras (+5,82%), cimento (+5,42%) e tijolo (+9,32%).

Com as surpresas inflacionárias vindas principalmente de alimentação no domicílio e com a perspectiva de que as diversas fontes de estímulos atualmente vigentes na economia (creditícias, monetárias e fiscais) continuem pressionando os preços de alimentos nos próximos meses, revisamos a nossa projeção de IPCA para o final de 2020 de 1,4% para 1,7%. Para o ano que vem, motivados pelo cenário de devolução dos preços de alimentos, revisamos de 2,7% para 2,6%.

Apesar da revisão, o cenário inflacionário continua benigno e os principais núcleos de inflação, que expurgam da contabilização os itens com os preços mais voláteis, seguem bem-comportados e alinhados com o cenário de Selic a 2,0% a.a. até meados de 2021.

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