Alta com declaração dos banqueiros centrais e agenda leve

NY teve elevação com Powell e outros diretores do Fed dizendo que economia pode ter desempenho acima do esperado.

Opinião do Analista / 11:26 - 25 de set de 2020

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Diferentemente do que ocorreu na quarta-feira, as Bolsas do Velho Continente registraram queda e os índices americanos fecharam em alta. O mau humor na Europa havia ressurgido mediante aos riscos da segunda onda de Covid-19 e de seus futuros impactos. Na América, as falas de banqueiros centrais ajudaram a correção dos mercados.

Nova Iorque teve elevação com Jerome Powell e outros diretores do Fed dizendo que a economia americana pode ter desempenho acima do esperado e o reforço do argumento em relação à necessidade de um novo pacote de estímulos.

Assim, a despeito dos números elevados de pedidos por seguro desemprego ficando levemente acima do esperado pelo mercado, que se recuperou parcialmente das quedas registradas na quarta-feira.

Ao final do dia, Nancy Pelosi e Steven Mnuchin voltaram às negociações pelo pacote fiscal. A Nasdaq, teve elevação de 0,37%. O S&P 500, ganhou 0,30% e o Dow Jones, se elevou em 0,20%.

Os ganhos oriundos dos resultados do PMI Industrial (23), foram realizados ontem (24), mediante ao mau humor ocasionado pela nova onda de Covid-19. Receios quanto ao aumento no número de infectados afetaram as Bolsas europeias, em especial as ações de linhas aéreas.

No Reino Unido, o FTSE 100 também foi influenciado pela possibilidade do um hard Brexit, por ainda não haver acordo no que diz respeito ao acordo comercial entre britânicos e os líderes da Europa continental.

Assim, Londres teve sua maior queda, com retração de 1,30%. Paris, teve desvalorização de 0,83%. Frankfurt, perdeu 0,29%. Madri e Milão tiveram realização de 0,16% e 0,12% respectivamente.

Tendo em vista o aumento do apetite pelo risco, principalmente por parte dos mercados americanos, a Bolsa de São Paulo fechou a sessão em alta. Além do bom humor advindo de Nova Iorque, as declarações de Roberto Campos Neto em relação à inflação ao afirmar que no curto prazo os preços aos consumidores realmente se elevarão, mas que o efeito será transitório, sem afetar o IPCA no longo prazo.

Além disso, o banqueiro central brasileiro vê a economia brasileira melhor do que se esperava, dando sinais de crescimento. O Ibovespa fechou com alta de 1,33%, a 97.012,07 e o dólar teve queda de 1,37%, cotado a R$ 5,51.

Apesar do ressurgimento de casos de Covid-19, gerando incertezas quanto à demanda futura pela commodity, o anúncio de Powell e de outros diretores de Fed regionais a afirmarem a necessidade de um pacote de estímulo fiscal e melhoria do cenário americano, fez com que os agentes aumentassem a demanda pelos contratos de petróleo.

O WTI teve aumento de 0,95%, cotado a US$ 40,31 e o Brent se elevou em 0,41%, a US$ 41,94.

Nos EUA, o Census Bureau, publicará os dados referentes às encomendas por bens duráveis, a evidenciar a variação dos pedidos por essa categoria de bem ao longo do mês de agosto, bem como para o núcleo, isto é, com exclusão de transportes tendo em vista a volatilidade dos pedidos do setor por tais bens é alta.

Começando pelo indicador amplo, a expectativa é aumento de 1,5% durante o mês de agosto, saindo de 11,4%, em julho. Para o núcleo do indicador, a evidenciar dados mais consistentes, há expectativa é de que saia de 2,6% e alcance 1,2%.

Apesar dos dois indicadores registrarem elevação ao longo do mês, os ganhos são menores em relação aos meses anteriores. Apesar da melhora da economia americana, conforme citado por Powell em seus depoimentos, há sensibilidade da economia do país como pode ser evidenciado pelos dados do mercado de trabalho e pela necessidade de estímulos à economia.

A empresa Baker Hughes publicará o número de sondas de petróleo em operação durante a semana. A expectativa é de mais uma queda no número de sondas em atividade, haja vista o esforço para diminuir a oferta de petróleo conforme o risco de uma segunda onda se eleva.

Por fim, a agenda econômica americana da semana fechará com o discurso de John C. Willians, diretor do Fed de Nova Iorque.

Após Powell destacar a importância de mais estímulos e melhores projeções para o país, o discurso do membro do Fomc também pode ser um driver para o mercado.

Na Europa, o Office of National Statistics publicará os dados referentes ao endividamento do setor público britânico durante o mês de agosto. Uma vez que a economia britânica foi fortemente afetada pela crise advinda da Covid-19 e por conta dos sinais de uma segunda onda que já começa a dar sinais, mesmo que leves em comparação a setembro, em agosto, há expectativa de aumento da dívida.

Assim, o mercado espera aumento de 35,12% no endividamento líquido do setor público, saindo de £ 25,94 bilhões para £ 35,05 bilhões em agosto. O Bank of England (BoE, o Banco Central inglês) divulga o seu boletim trimestral, análogo ao relatório de inflação divulgado ontem (24).

Apesar de os britânicos não trabalharem com a possibilidade de taxa de juros negativas e os preços não terem demonstrado tanto temor no que diz respeito a um processo deflacionário como ocorre na Zona do Euro, as novas medidas para conter a segunda onda de coronavírus pode trazer alguma novidade no relatório do banco. O documento, também influenciará os mercados, em especial os mercados europeus.

Para a Zona do Euro, o Banco Central Europeu divulga seus números no que diz respeito a política monetária ao longo do mês de agosto. A necessidade de estímulos por parte da autoridade monetária ainda permanece, tendo em vista a fragilidade de muitos países do continente frente à crise.

A expectativa do mercado é de que a massa monetária, isto é, valor de todos os ativos em moeda líquido em caixa em poder do público, o que inclui moeda e crédito devem continuar com a variação de 10,25.     

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