Alta do crédito no varejo indica retomada do consumo

Na comparação com janeiro, maio ainda tem número de consultas 44,8% menor.

Conjuntura / 22:23 - 30 de jun de 2020

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Após cair por três meses consecutivos, a demanda por crédito entre as pessoas físicas voltou a crescer em maio, de acordo com o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC). Considerando os três segmentos acompanhados (bancos e financeiras, varejo e serviços), o indicador obteve alta de 11% em maio na comparação com o mês anterior. Entre março e abril, o indicador havia demonstrado queda de 20%, após recuo de 11% entre fevereiro e março.

O INDC mensura o comportamento das consultas ao Data Center da Neurotech, empresa de inteligência artificial aplicada à concessão de crédito. Considerando somente a concessão de crédito dos varejistas, em maio houve um crescimento de 61,7% em relação a abril, após retração 52,2% em abril versus março e de 25,2% de março ante fevereiro. Na comparação com janeiro, maio ainda demonstrou um número de consultas 44,8% menor.

O segmento que mais sofreu foi o de vestuário, com uma contração nas consultas de 88,2% em abril em relação ao mês anterior. Na mesma base de comparação, os supermercados registraram queda de 49,9%, os eletromóveis, de 35%, e os classificados como outros, perda de 51,9%. Em compensação, a recuperação em maio também foi mais forte em vestuário (99,5%), seguida por eletromóveis (98%), outros (80,8%). Já o setor de supermercados ficou praticamente estagnado no mês passado (+0,1%), ou seja, não recuperou nada das perdas anteriores.

O INDC abrange um universo de 94 empresas – instituições financeiras e varejistas – e mensura o apetite do brasileiro ao crédito. “Nem todas as milhões de consultas mensais que registramos se transformam em concessão de crédito, pois o processo depende de fatores como o perfil da pessoa que está fazendo a solicitação, o apetite ao risco da financeira e se há ou não indícios de fraude”, explica o diretor comercial da Neurotech, Breno Costa.

Após a forte retração, as grandes redes passaram a ofertar crédito online, mediante preenchimento de cadastro, ou a lançar mão de novas tecnologias para facilitar o acesso das pessoas físicas. O movimento foi muito rápido e explica, em parte a reversão do INDC já em maio.

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