Alta e ineficiente

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias em relação a imposto de valores agregados (VAT, na sigla em inglês), que é basicamente o ICMS. A carga sobre consumo varia de 7% a 29,8%, enquanto a média mundial vai de 3,88% a 7,25%, segundo a OCDE. Alta, porém não eficaz.

Os três estados com maior eficiência de arrecadação tributária do país são Amazonas, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e os piores, Piauí, Roraima e Alagoas. A média do país, em uma escala que vai de 0 a 1, é de 0,531, o que permite concluir que o Brasil não é eficiente em arrecadar ICMS, ou, de outra forma, os estados têm uma eficiência perto de 50% na coleta do imposto.

Os dados integram estudo feito pela Unicamp, em parceria com a USP e a Systax, empresa de inteligência fiscal detentora de um acervo com mais de 3,5 milhões de regras tributárias.

Em relação ao Estado do Amazonas, que conseguiu o índice 1, deve-se fazer uma ressalva devido ao incentivo da Zona Franca de Manaus, que acaba trazendo grandes empresas para a região, o que pode fazer com que este estado acabe tendo uma eficiência melhor: poucas grandes companhias a serem fiscalizadas.

Essa falta de eficiência dos estados na arrecadação pode ser um reflexo de nosso sistema tributário, que também impõe desafios à própria administração tributária”, expõe Fábio Rodrigues, sócio-diretor da Systax.

 

Três dias para a burocracia

As micro, pequenas e médias empresas brasileiras já gastaram cerca de três dias de trabalho dedicado com gestão burocrática, gerando um custo de aproximadamente R$ 10 milhões em produtividade. A informação é do Termômetro de Produtividade para MPMEs da Sage, multinacional britânica de software de gestão.

No Brasil, as pequenas empresas gastam mais de 20% das horas de trabalho de seus funcionários ao longo do ano exclusivamente com atividades ligadas à área administrativa.

 

História se repete

As obras para expansão do VLT – o bondinho que circula no Centro do Rio – na Avenida Marechal Floriano desenterraram os trilhos do antigo bonde que passava pela então Rua Larga, no início do século passado.

Sucesso de crítica, o VLT é um fracasso de público. Projetado para transportar 250 mil a 300 mil passageiros por dia em três linhas, o veículo fechou 2017 com 60 mil usuários diários. A concessionária – integrada basicamente por empreiteiras e companhias de ônibus – estima fechar 2018 com 120 mil passageiros nas duas linhas já em funcionamento.

A terceira é a que motivou as obras na Marechal Floriano, mas não será ela que levará o bondinho a seu destino previsto. Em vez de avaliar o que deu errado, prefeitura e concessionária dobram as apostas, tirando a linha 3 do papel.

Entre os problemas, a superposição (boa parte do VLT corre sobre o metrô), a lentidão e, principalmente, a falta de integração tarifária, o que afasta o usuário.

Na década de 60 do século passado, os bondes saíram de linha (restou apenas o turístico de Santa Teresa).

 

Rápidas

A 73ª turma do Curso de Desenvolvimento de Consultores será ministrada pelo consultor Luiz Affonso Romano nos dias 9 e 10 de março, na Barra da Tijuca. Informações: https://www.sympla.com.br/curso-de-desenvolvimento-de-consultores__233584 *** A FGV Crescimento & Desenvolvimento, em parceria com o Centre for Applied Macro and Petroleum Economics (Camp), da Norwegian Business School, realiza o evento International Conference on the Economics of Oil, de 28 de fevereiro a 2 de março, com a participação de Pedro Parente, presidente da Petrobras, Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, e Décio Oddone, diretor-geral da ANP. Inscrições em http://eventos.fgv.br/global-conference-economics-oil-port/inscricoes *** Até dia 28, o Shopping Tijuca recebe a Expo Índia, com centenas de objetos e roupas típicos do país *** A Fiesp divulga nesta terça-feira, às 11h, a Pesquisa Rumos da Indústria Paulista sobre a situação do emprego para 2018 *** A FGV Eesp realiza nesta terça-feira, às 11h, debate sobre as reformas do processo orçamentário com o professor Fernando Rezende (FGV Ebape). O evento é o segundo da série Proposta de Reformas para Destravar o Brasil. Será na Rua Itapeva, 432 – 4° andar – Salão Nobre *** A Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) debate, nesta quinta-feira, a mesa-redonda “Mulheres refugiadas no Brasil – Feminismo e resistência”. Inscrições: www.aasp.org.br/eventos

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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