Altas no exterior não evitaram a forte queda interna

Bom humor do Norte do Globo não foi suficiente para animar a Bolsa brasileira.

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As Bolsas no Hemisfério Norte fecharam com ganhos consideráveis, mediante às perspectivas políticas. Na Europa, houve arrefecimento das tensões entre britânicos e os participantes da UE. Nos EUA, Republicanos e Democratas podem chegar em um acordo. Todavia, o bom humor do Norte do Globo não foi suficiente para animar a Bolsa brasileira.

A sinalização de negociações entre republicanos e democratas, com o a sinalização positiva de Nancy Pelosi em relação ao pacote de ajuda a economia americana.

A líder do Partido Democrata se mostrou mais flexível aceitando um pacote menor que US$ 2,4 milhões. Assim, há maior possibilidade de consenso entre as partes.

Assim, o ambiente político corrobora com o anúncio da economista Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, que em seu discurso, afirmou que medidas fiscais podem ajudar setores que ainda não mostram recuperação da crise, fazendo com que a retomada seja mais homogênea.

A Nasdaq teve elevação de 1,87%. O S&P 500 ganhou 1,61% e o Dow Jones avançou a 1,51%.

A Europa começou a semana com recuperação parcial das perdas fortes da última semana.

As sinalizações positivas advindas dos EUA entre Pelosi e Steven Mnuchin levou bons ares ao Velho Continente. Além disso, o anúncio de Christine Lagarde foi positivo. A despeito da retomada nos casos de Covid-19 no continente, a banqueira central disse que a economia europeia no terceiro trimestre tende a se recuperar.

Os impasses entre a União Europeia e o Reino Unido também ajudaram os mercados. A ESMA, equivalente à CVM, em comunicado, disse que manterá a utilização de câmeras de compensação inglesas até 2022, após o Brexit, indicando a possibilidade de acordo.

Frankfurt liderou as altas, com aumento de 3,22%. Milão e Madri tiveram ganhos próximos, com avanço de 2,47% e 2,46% respectivamente. Paris e Londres ganharam 2,40% e 1,46% respectivamente.

Ontem, a Bolsa brasileira descolou do exterior, sucumbindo aos riscos internos trazidos pela política e desafios fiscais do país.

A estratégia de utilizar recursos de precatórios e de recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para o pagamento do Renda Cidadã, não soou positivo aos ouvidos do mercado. A medida foi interpretada como um drible para fugir da flexibilização do teto de gastos.

Além disso, a medida, acaba por postergar a dívida, em vez de gerar redução. Ademais, a reforma tributária pode ser adiada, gerando ainda mais receios em relação ao lado fiscal da economia brasileira.

O Ibovespa teve retração de 2,41%, cotado a 94.666,37. O dólar, ao fim do pregão disparou 1,44%, a R$ 5,64.

Como medida de risco, além da taxa de câmbio, o CDS de cinco anos do Brasil, alcançou 247,2 pontos, nível que não alcançado desde junho.

A taxa de juros para janeiro de 2027 (DI1F27), encerrou o pregão a 7,62%, voltando para os níveis de maio.

A expectativa positiva em relação ao pacote de estímulos nos EUA mediante a sinalização positiva de Pelosi quanto as negociações com os Republicanos representados por Mnuchin, melhoraram as expectativas quanto ao mercado commodity.

Além disso os dados referentes à China, quanto ao lucro empresarial também superaram as expectativas, o que pode elevar a demanda por petróleo.

O WTI negociado para novembro, encerrou a sessão com alta de 0,87%, cotado a US$ 40,60. O contrato futuro do Brent para dezembro, avançou 1,08%, cotado a US$ 42,87.

Nesta terça-feira, a agenda econômica americana estará relativamente cheia com indicadores importantes. Começando pelo setor externo, o Bureau of Economic Analysis divulgará a balança comercial referente ao mês de agosto.

Tendo em vista que a economia americana é a maior do mundo e, além disso, o país é um grande importador de bens, o indicador mostra, indireta o crescimento da economia internacional, uma vez que as importações dos EUA, mostram o quanto o país está a comprar dos outros países.

Além disso, as exportações do país, também mostra o quanto os outros países estão a demandar por seus bens e serviços.

A expectativa do mercado é de que o déficit na balança comercial saia de US$ 79,320 bilhões para US$ 75,514 bilhões.

Caso essas expectativas se concluam, pode evidenciar um aumento nas exportações americanas, o que positivo. Todavia, uma queda nas importações pode evidenciar, de certa forma, queda na renda dos EUA.

A instituição também divulgará os dados referentes ao nível dos estoques para o setor varejista.

O aumento nos estoques do setor varejista pode indicar uma queda na demanda e, por consequência no consumo das famílias.

Assim, caso as expectativas do mercado se concluam que é de aumento de 4,5% em agosto, contra avanço de 1,2% em julho.

Todavia, ao excluir automóveis, um setor que gera variação considerável por conta do caráter cíclico do setor, a elevação pode ser mais sensível tendo em vista que os dados de julho, teve avanço de 0,6%.

Para o atacado, que indica a demanda por parte das empresas, há expectativa de retração de 0,2% nos estoques, ante -0,3% em julho.

Assim, pode se dizer que a oferta possui leve aumento em relação à demanda, podendo pressionar os preços levemente para baixo, caso as projeções do mercado se concluam.

Quanto ao mercado imobiliário, a Standard and Poor publicará o indicador de preços de imóveis, Preços de Imóveis S&P/CS Composto-20, para o mês de julho.

Uma vez que os indicadores de atividade econômica para o período tiveram melhora, os agentes esperam que os preços de imóveis tenham subido, evidenciando a demanda dos agentes com caixa aproveitando as oportunidades geradas pela crise.

Ao mês, espera-se que o indicador saia de 0,0% para 0,3%. Ao ano, espera-se avanço de 3,8% em julho, ante 3,5% em junho.

Os dados de consumo em relação ao mês de setembro do Conference Board do Fed, podem evidenciar melhora nas expectativas dos consumidores.

Após melhora nas expectativas de outros indicadores econômicos como o PIB e desemprego, apontados por Jerome Powell, a despeito da necessidade de estímulos fiscais e os últimos dados dos pedidos iniciais por seguro-desemprego, os agentes também melhoraram suas perspectivas para o consumo.

O número esperado para o indicador é de 89,2 em setembro, ante 84,8 pontos em julho.

A American Petroleum Institute (API) publicará os estoques de petróleo produzidos pelo setor privado. Os agentes esperam redução nos estoques, com vistas à instabilidade da demanda, apesar do aumento dos lucros industriais na China e com discurso de Lagarde referente à retomada da economia europeia no terceiro trimestre.

A agenda também terá muitos membros do Fomc a dar seus pronunciamentos à imprensa, mostrando as perspectivas do Fed em relação à economia americana.

A agenda no Velho Continente também é cheia hoje, com dados de conjuntura para o Reino Unido, Alemanha e Zona do Euro. Começando pelos dados do Reino Unido, o Bank of England (BoE, o BC do país), publicará os números referentes à expansão monetária do para a região.

Crédito disponibilizado ao consumidor, tem expectativa de aumento de 25%, saindo de £ 1,200 bilhões em julho para £ 1,500 bilhões em agosto.

As perspectivas estão alinhadas com os anúncios recentes de Andrew Bailey, presidente do BoE, quanto aos estímulos à economia da região, com o objetivo de sustentar a demanda agregada contra os impactos da elevação nos números de infectados pela Covid-19. Além disso, o Banco Central britânico também divulgará a massa monetária, a evidenciar os rumos da flexibilização monetária.

Em linha com o crédito ao consumidor, o mercado espera elevação de 1,3%, ante 0,9% em julho.

No continente, começando pela Zona do Euro, a Comissão Europeia, disponibilizará os números relacionados às expectativas dos agentes relacionados ao mês de setembro com perspectivas para outubro.

Com base no anúncio de Lagarde ontem e os dados do PMI com números acima do esperado, alguns indicadores de expectativa podem ter melhora, segundo as projeções do mercado.

Quanto ao indicador de confiança do consumidor, há um pouco de cautela, haja vista a possiblidade de medidas de lockdown (confinamento) que podem voltar na Espanha e França. Assim, o mercado espera que o indicador continue negativo em -13,9 pontos.

A confiança da indústria, seguindo os indicadores do PMI divulgados pela IHS Markit para o setor, tem projeções menos conservadores por parte dos agentes.

O mercado espera avanço para a confiança do setor, saindo de -12,7 pontos em agosto para -9,5 em setembro.

Os números da indústria contribuem para o indicador de confiança das empresas e consumidores, saindo de 87,7 pontos em agosto para 89,5 em setembro.

O setor de serviços, a despeito de ser o setor mais fragilizado pela possibilidade de segunda onda, também possuo melhora nas projeções.

Em agosto, o índice registrou -17,2 pontos e espera-se que ele alcance -15,3 pontos em setembro.

Por fim, a principal economia da Zona do Euro, a Alemanha, disponibilizará seus dados de inflação para setembro (primeira observação).

Mediante os riscos de avanço de Covid-19 em seus parceiros de bloco econômico, a afetar diretamente a economia interna, os agentes esperam deflação para o país durante o mês de setembro.

A expectativa é de que a inflação de setembro continue em -0,1% ao mês e, ao ano, saia de 0,0% e alcance -0,1%.

No Brasil, a Receita Federal divulgará os dados referentes às contas e, por consequência, a estabilidade fiscal do país. Os indicadores fiscais são importantes porque ajudam a criar as expectativas dos agentes em relação à estabilidade econômica do país.

A relação dívida/PIB tem expectativa de crescimento, saindo de 60,2% em julho para 61,5% em agosto. O indicador é importante porque mostra a taxa de crescimento da dívida PIB, ante a taxa de crescimento da economia, mostrando a trajetória da dívida brasileira. De forma complementar, serão divulgados os números da receita tributária e do déficit orçamentário.

O déficit, isto é, receitas deduzidas das despesas, há expectativa de elevação, uma vez que os gastos do governo se ampliaram durante a crise e permaneceram, mesmo após ao auge da Covid-19.

Mesmo com as medidas de sustentação da demanda agregada, a renda do país ainda está em declínio, diminuindo a arrecadação.

Assim, espera-se que o déficit do orçamento alcance o montante de R$ 94,250 bilhões em agosto e a receita tenha retração de aproximadamente 5% saindo de R$115,90 bilhões para R$ 110,20 bilhões.

Ainda, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) publica os dados de inflação por intermédio do Índice Geral de Preços (IGP-M).

Como o índice possui composição de 60% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que está fortemente relacionado aos preços repassados aos produtores.

Todavia, ele acaba pesando no bolso do consumidor porque os contratos são revisados pelo IGP-M.

A expectativa do mercado é de que o indicador 2,74% em agosto, para 4,60% agosto, refletindo o aumento nos preços das commodities e variação cambial.

O Ministério do Trabalho e Emprego publicará os dados do Caged a evidenciar a evolução do emprego no Brasil.

Apesar da possibilidade de aumento no número de pessoas empregadas, saindo de 131,01 mil vagas para 150 mil, o mercado pode melhorar a Pnad, mas o aumento de pessoas em busca de emprego - que não estavam a buscar ocupação antes por conta do das medidas de restrição social - elevará os números de desemprego.

Outro fator importante para levar em consideração é o grau elevado de informalidade da economia brasileira.

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