Alternativa para o Enem sem prejudicar os que mais necessitam

Darcy Ribeiro ensinou: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é projeto”. Não se poderia atribuir ao ministro Abraham Weintraub capacidade de elaborar um projeto para a educação brasileira, mas a disposição de manter o Enem, diante das escolas fechadas, só pode fazer parte de um plano para prejudicar o ensino público e dificultar o acesso dos mais pobres às universidades.

O ministro, que abusa de ações simbólicas em suas redes sociais, foi explícito ao colocar no ar uma propaganda na TV em que quatro atores adolescentes, três brancos e um negro, em cenários que simulam apartamentos de classe abastada, dizem que “a vida não pode parar” e pedem para os estudantes estudarem de qualquer lugar e de diferentes formas. Não é preciso conhecer a fundo a desigualdade social e educacional do país para saber que a saída proposta pelo MEC é muito mais fácil para o andar de cima.

Ex-secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer enviou uma carta ao ministro Weintraub em que destaca que, mantido o quadro atual, a competição de vagas no Enem será ainda mais desigual entre escolas das redes pública e privada, “e isso trará problemas para alunos em sua grande maioria de menor poder aquisitivo”.

Victer propõe como alternativa que o Enem deste ano só tenha questões com conteúdo até a Segunda Série do Ensino Médio. “Tal metodologia seria fundamental, pois a grande maioria da rede pública não se preparou de maneira prévia para oferecer videoaulas”, enquanto as redes privadas se adaptaram muito mais rapidamente e têm ofertado o conteúdo da Terceira Série online.

A mudança não seria complexa de se implementar. Basta haver vontade política.

 

Tradicional

Para quem defende a cloroquina por supostamente trazer benefícios para 90% dos infectados pelo coronavírus, a China oferece remédios mais antigos e menos tóxicos. Os dados chineses revelam que até 23 de fevereiro 74.187 pacientes no país foram curados com recurso à Medicina Tradicional Chinesa (MTC), representando 91,5% de todos os infetados. Em Hubei o número é de 61.449, perfazendo 90,6%. De acordo com as observações clínicas, a taxa de eficiência da MTC atingiu os 90%.

 

Participação

Em carta encaminhada aos senadores, a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), que representa os trabalhadores do setor de água e saneamento, solicita a suspensão da tramitação do PL 4162/2019, enquanto perdurar a pandemia. O PL trata da mudança do marco regulatório do saneamento (Lei 11.445/2017).

Um projeto dessa importância, que altera e desestrutura todo o setor do saneamento no país, não deve ser aprovado sem uma maior participação dos atores envolvidos em um amplo debate e, neste momento, isso está impedido devido ao isolamento social”, defende Pedro Blois, presidente da FNU.

 

Timidez

Com a ociosidade da indústria perto de 50%, a inflação próxima a zero e o desemprego se acelerando, a provável redução da taxa básica de juros em apenas 0,5 ponto percentual, para 3,25%, não seria fundamentalismo liberal ou medo; soaria como escárnio.

 

Rápidas

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou em 27/4 o Provimento 97, que autoriza a realização de intimações digitais – tais como por e-mail ou aplicativos de mensagem – pelos cartórios de protesto de títulos. Para debater este tema, a Revista Justiça & Cidadania, o Instituto de Protestos e a Anoreg realizarão webinar nesta quarta, às 16h, com participação do ministro Antonio Saldanha, presidente da 6ª Turma do STJ. Será no canal de YouTube da revista *** A ADVB-SP e a Skål Internacional São Paulo realizarão, nesta quinta, das 11h às 12h, o “Fórum de Temas Internacionais”. Na pauta: “América Latina e Europa: A Economia pós Pandemia”. Transmissão ao vivo no Face da ADVB  *** A Associação dos Advogados (Aasp) realiza nesta quarta, às 17h, o webinar “Impactos da Covid-19 no agronegócio”, com Xico Graziano e Marcos Fava Neves, entre outros. Inscrições aqui *** A Associação Brasileira de Direito Tributário realizará nesta quinta-feira, às 19h30, webinar “Observatório da Jurisprudência – Repercussões tributárias na pandemia”. Inscrições aqui.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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