Altos e baixos

“Na Alemanha, os lucros corporativos atingiram 33,5% do PIB, ano passado, extraídos dos salários espremidos de trabalhadores intimidados. Os custos unitários da mão-de-obra industrial caíram 4,4%.” A informação é do Daily Telegraph, reproduzida pelo boletim eletrônico Resenha Estratégica.

Fim do faz de conta
Pesquisadores que apontam os avanços em educação como o item mais forte do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pela ONU, precisam trocar as análises meramente quantitativas pelos estudos qualitativos. Aceitar passivamente a informação, fornecida por fontes oficiais, de que 88,6% dos adultos do país são alfabetizados e que 85,7% das crianças em idade escolar estão, de fato, estudando, não resiste a uma leitura mais viva dos dados. Além de não considerarem os inaceitáveis níveis de evasão escolar, como provou a defasagem entre esses dados e os colhidos pelo MEC dos estados e das prefeituras, eles escondem a baixíssima qualidade do ensino oferecido a nossos jovens.
No mínimo, os dados sobre educação enviados pelo governo para o relatório da ONU deveriam ser cotejados com as pavorosas participações dos alunos brasileiros nos testes mundiais comparativos de matemática e português, que constatam com incômoda e reveladora recorrência a incapacidade de nossos jovens articularem frases conexas ou compreenderem textos relativamente simples. Não será cultivando o auto-engano, estimulado pela absolutização de avanços estatísticos, que o Brasil enfrentará o duro desafio de garantir educação de qualidade para seus filhos.
Por enquanto, o que se tem de mais relevante nessa área é um país que, além de conviver com milhões analfabetos funcionais, goza do desagradável pioneirismo de produzir universitários analfabetos, como mostram os milhares de graduados que algumas universidade$ privada$ despejam no mercado de trabalho.

Sem flexibilização
As empresas beneficiadas pelo novo estatuto das micros e pequenas empresas que  reincidirem no desrespeito aos direitos trabalhistas perderão automaticamente o direito aos benefícios da Lei. Aprovada no Senado, a lei, devido a essa modificação, retorna à Câmara dos Deputados para nova votação. Um dos senadores responsáveis por emendas que impedem a redução de direitos trabalhistas, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) comemorou a aprovação: “O projeto era e continuou muito ruim sob ponto de vista dos trabalhadores, pois garante que na primeira visita dos fiscais do Ministério do Trabalho deverá ocorrer uma “gestão negocial”. Ou seja, o ministério não poderá multar as empresas antes de tentar uma solução dos problemas”, salientou.

Pesquisa
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) recebeu R$ 580 mil do governo fluminense para comprar um microscópio de varredura a laser, com sistema espectral. O equipamento, que será instalado no Instituto de Biologia da universidade, poderá analisar processos dinâmicos em células vivas, e não apenas em células fixadas ou mortas, como fazem equipamentos mais simples. De acordo com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Wanderley de Souza, o equipamento deverá ser usado também por pesquisadores de outras instituições.

Arrecadação
O programa A Nota é Minha, do governo gaúcho, incrementou a participação da arrecadação do comércio varejista. Já foram arrecadados 430 milhões de documentos fiscais, em troca de 14,4 milhões de cautelas aos consumidores, que dão direito a sorteio de prêmios. Além disso, R$ 30 milhões foram distribuídos a escolas e entidades beneficentes.

Perigo
O programa gaúcho deveria ser copiado por estados e municípios. Mas alguns, como a Prefeitura de São Paulo, preferem elevar a burocracia para reduzir a sonegação. A capital paulista implantou o moroso e confuso sistema de nota fiscal eletrônica, que inclui um risco extra: o de fraude na Internet. Ninguém duvida que algum hacker maldoso forjará e-mails, como sendo enviados pela prefeitura, induzindo o pobre alvo a clicar em um atalho na Internet – só que, em vez de ser levado ao site do município, para imprimir a nota fiscal, acabará tendo seu computador infectado por vírus.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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