Amazônia 4.0

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Carlos Nobre (foto divulgação IEA-USP)
Carlos Nobre (foto divulgação IEA-USP)

O desmatamento vem avançando na Amazônia especialmente na última década, com 18% já totalmente desmatado, havendo também um aumento da degradação florestal que já atingiu 17% de toda a região, num total de 35% de área desmatada ou degradada.

Apesar dos dados demonstrarem que o desmatamento tende a aumentar especialmente no Estado do Amazonas com a construção de novas estradas e produção agropecuária insustentável, está sendo lançado um projeto (Amazônia 4.0) para que nos próximos quatro anos seja construída uma Amazônia sustentável, visando limitar o desmatamento e criar arcos de regeneração, gerando riquezas para os povos e população da Amazônia, para o Brasil e demais países da Amazônia.

Segundo o cientista Carlos Nobre (foto ao alto), a perdurar essa situação atual na Amazônia, estamos no limiar de um “ponto de não retorno”. A estação seca da Amazônia pode chegar a um período bem maior do que o atual, pois já se apresentam duas estações secas por década, com intermitentes ciclos de secas e inundações, sem que a floresta consiga se recuperar, podendo chegar a emitir carbono, como já ocorre ao sul do Pará e norte do Mato Grosso, segundo estudos feitos em 2019.

Esses ciclos mais extensos de secas anunciam que, aliado ao aumento da temperatura global, poderemos chegar nos próximos anos a uma “savanização” da Amazônia, afirma Carlos Nobre. O impacto resultaria em menos biodiversidade, menos chuva e umidade, menor reciclagem dos ventos e chuvas e temperaturas mais altas, com mudanças do ciclo hidrológico e de carbono, além de outras perturbações, inclusive com a ameaça de emissão de bilhões de toneladas de carbono na atmosfera além do risco de pandemias.

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Em palestra recente na Fiocruz, Carlos Nobre e outros painelistas explicitaram que o projeto Amazônia 4.0 pode contribuir para não se alcançar esse “ponto de não retorno”. O projeto inclui manter os territórios indígenas e unidades de conservação, regenerar as faixas desmatadas, zerar o desmatamento, garimpo sustentável e gerar uma nova bioeconomia com a floresta em pé, por meio de uma nova governança para a sustentabilidade.

Essa nova bioeconomia baseada na biodiversidade inclui um aumento da rede de cooperação interna e externa para obter recursos e estimular as pesquisas; ainda, o aproveitamento dos conhecimentos tradicionais também para a produção de fármacos, estudos para a repartição dos benefícios, com a criação de sistemas agroflorestais valorizando os produtos extraídos da floresta como cacau, castanha, açaí e outros. Inclui ainda a construção de biofábricas na Amazônia, além da promoção de cursos, já havendo sido lançado o primeiro curso: “Serviços ecossistêmicos providos pelos ecossistemas amazônicos”.

Vários laboratórios fixos e móveis serão instalados na Amazônia até 2031/2032 e haverá um instituto de tecnologia padrão MIT (Massachusetts Institute of Technology) a fim de que toda a Amazônia e seus diversos países possam participar dessa nova bioeconomia, promovendo bem-estar e riquezas.

Amazônia 4.0 traduz soluções baseadas na natureza, bioeconomia circular capaz de gerar desenvolvimento e empregos para os povos amazônicos e para os brasileiros em geral, ajudando a combater a pobreza da região, reafirmando a soberania sobre a Amazônia por meio da bioindustrialização e a Amazônia como o verdadeiro “coração do mundo”.

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