Ameaça à Petrobras é alerta para Brasil na eleição

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Petroleiro em plataforma (foto Petrobras)
Petroleiro em plataforma (foto Petrobras)

Em 3 de outubro de 1953, o presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei 2.004, que criava a Petrobras. Em 2022, 69 anos depois, a data ocorre no dia seguinte ao primeiro turno das eleições. Citada apenas secundariamente no debate entre os candidatos nesta quinta-feira, a estatal está ameaçada.

Os investimentos da Petrobras no primeiro semestre de 2022 somaram apenas US$ 4,1 bilhões, valor que representou somente 15% dos dividendos distribuídos aos acionistas (quase 70% privados, cerca de 40% estrangeiros) no período.

O valor distribuído de dividendos, nos últimos seis meses, corresponde ao total de investimentos realizados pela estatal no acumulado dos últimos 45 meses, calcula Eduardo Costa Pinto, professor do Instituto de Economia da UFRJ.

Pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), Costa Pinto afirma, em texto no seu blog, que “não existe uma proporção ideal entre lucro retido e distribuído na forma de dividendos. No entanto, é pouco usual que as grandes petroleiras integradas distribuam dividendos, como fez a Petrobras (…), utilizando, além do caixa livre (recursos gerados pelas atividades operacionais menos investimentos) de US$ 20,7 bilhões, recursos com venda de ativos (US$ 8,5 bilhões) e a redução de disponibilidade de caixa da empresa (em torno de US$ 8 bilhões)”.

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A alta distribuição de dividendos e a concentração de investimentos em exploração no pré-sal levantam dúvidas sobre o futuro da empresa. Enquanto outras petroleiras investem para se tornar empresas integradas de energia, a Petrobras abandonou, após o golpe de 2016, projeto similar.

 

Aepet defende reestatização de toda a cadeia produtiva do petróleo

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) divulgou, por ocasião do aniversário de 69 anos de criação, um manifesto em que coloca na mesa “a urgência da reestatização de toda cadeia produtiva, da exploração até a produção, refino, transporte e distribuição dos derivados de petróleo”.

“Não se trata da volta ao passado, mas da inserção do Brasil na nova geopolítica do mundo multipolar, com soberania e controle da sua riqueza natural”, prossegue o documento. “Resposta à fortíssima crise financeira internacional que se avizinha, com mudanças na geopolítica global que já obrigam as nações a condensarem suas cadeias produtivas nos territórios nacionais, como as reestatizações que ocorrem na Europa e na Ásia.”

A Aepet finaliza ressaltando que “o governo que tomar posse em 1º de janeiro de 2023 terá a oportunidade de recuperar o monopólio estatal do petróleo, exercido pela Petrobras, e a capacidade de dirigir com autonomia o desenvolvimento social e econômico da Nação”.

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