Amigo dos amigos

Se não for caso de CPI, é coisa parecida, o que não dá é para o Banco Central deixar de responder a questão crucial para as contas da “viúva”: afinal, por que o BC permitiu o vencimento de papéis atrelados à variação do dólar às vésperas das eleições. Graças a essa estranha engenharia financeira, mês passado, os bancos abocanharam um lucro extra de US$ 1 bilhão com a alta especulativa da moeda norte-americana. O MONITOR MERCANTIL já alertara para o perigo dessa concentração de vencimentos dias antes de se decidir o futuro do país.

Jogo feito
No debate de quinta-feira, Lula começou muito bem, escorregou na “sopa de letrinhas” que Garotinho jogou, sentiu e só se recuperou ao final do programa. Mostrou disposição de um Cassius Clay, “jabeando” em torno de Serra, como se pudesse nocauteá-lo a qualquer momento.
Ciro também foi muito bem – só que só foi compreendido por quem tem PhD em Economia; para os mortais mais comuns, frases do tipo “destruiu o tecido produtivo” (fechou indústrias não seria mais fácil?) soam como grego.
Garotinho parecia pastor evangélico, desses que pululam na televisão; pode ter seu público, mas dificilmente conquistou adesões. A insistência na Cide pareceu para o público leigo – que como Lula não sabe do que se trata – algo forçado, coisa de “garotinho”.
Finalmente, Serra parecia aquele tio chato que toda família tem, sempre tentando achar alguém mais paciente que ouça suas histórias. Com o discurso final de mudanças com segurança, deve ter perdido (se é que algum dia teve) o voto de FH – sempre poupado por Lula – e alguns tucanos.
Moral da história: esta coluna aposta na vitória de Lula já no primeiro turno como a possibilidade mais forte, mas, como não se brinca com urna eletrônica, não concentraria todos os seus ativos neste cenário.

Olhar argentino
O Página 12 foi o único jornal argentino a opinar sobre a performance dos candidatos no debate de quinta-feira na TV Globo. Em sua capa, o jornal afirmou que “entre os candidatos, o debate confirmou o favoritismo do líder do PT, que está à beira de obter mais votos que os de todos seus adversários juntos”. “Serra recebeu todos golpes e Lula se mostrou muito seguro”, acrescentou o diário.

Promessa é dívida
Com o cacife de quem diz representar 98% dos empreendimentos formais e absorver 59% das pessoas ocupadas em trabalhos formais e informais, as micro e pequenas empresas cobraram dos candidatos a presidente da República um maior comprometimento com o setor. Pelo menos formalmente, foram atendidas. Tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Anthony Garotinho (PSB), Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB) prometeram, em entrevista ao Sebrae, ampliar o acesso ao crédito das micro e das pequenas empresas. O futuro presidente poderia começar a cumprir a promessa aumentando as compras de mercadorias e serviços desse segmento fundamental para o emprego e para o crescimento e – não menos importante – capaz de reduzir os gastos governamentais em concorrências.

Conceito
Já que insiste em se apresentar em seu programa eleitoral como detentor do título de “o melhor ministro da Saúde do mundo”, José Serra deve esclarecimento fundamental ao eleitorado. Responsável pela concessão desse reconhecimento, o Fórum Mundial de Davos funciona como uma espécie de comitê central permanente dos banqueiros mundiais. E lá, onde seus integrantes não se preocupam com dengue nem malária, Serra, como confirma em seu programa, desfruta de prestígio inabalável.

Carona
A adesão de última hora de Brizola à campanha de Lula pode trazer mais benefícios ao pedetista do que ao petista. Com sua candidatura ao Senado enfrentado dificuldades antes subestimadas, Brizola poderia ganhar novo fôlego ao colar sua imagem à de Lula, enquanto este, bem antes das últimas manifestações do ex-governador, já contava com o apoio irrestrito de nove em cada dez brizolistas históricos, incluindo aí membros dos diretórios nacional e regional do PDT no Rio.

Colônia
O protesto de associações de produtores agrícolas brasileiros contra a decisão anunciada pelos Estados Unidos de monitorarem a plantação brasileira de laranjas é, como diria um candidato enrolado nas pesquisas, apenas a ponta do barbante. Há muito, os EUA espionam a produção mundial de produtos agrícolas usando fotos de satélite. Coincidência ou não, entre uma negociação e outra com o FMI, o Brasil suspendeu o acordo com a China para produção de satélites.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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