Amnésia

Está à venda no estande dos Congressos de Economistas, no Hotel Glória, antigo sucesso editorial de 1979: América Latina: ensaios de interpretação econômica. Reúne artigos de cabeças pensantes como Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares e tem como organizador José Serra. Na introdução, o futuro tucano anuncia que o principal objetivo da obra era “debater uma estratégia alternativa de desenvolvimento para a América Latina”. Hoje, empoleirado no poder, Serra faz coro aos que dizem não haver alternativas fora da camisa de força do neoliberalismo. No máximo, admite transformações cosméticas.

Autoridade
A carnificina de fiéis da Igreja Batista, nos Estados Unidos, ocorreu um dia depois de o Governo dos EUA divulgar relatório alertando que Rio, São Paulo e Brasília são lugares perigosos para turistas norte-americanos.

Ícones
Do economista Carlos Lessa, presidente do Conselho Editorial do MM, ironizando o deslumbramento da mídia com a corte da colônia: “Hoje é importantíssimo decodificar a gravata do Clinton e o vestido da Monica Lenwsky.  Isso é tão importante hoje porque serve para decodificar o império”, alfinetou Lessa, levando às gargalhadas a platéia do VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe.

Honrado
O Senado decidiu apresentar votos de pesar à família do coronel Carlos Magno Cerqueira, assassinado terça-feira no Rio. O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ), que fez o requerimento para envio das condolências, lembrou o papel ativo desempenhado pelo coronel na área de segurança púbica do estado, como secretário da Polícia Militar. “Era um homem absolutamente honrado e de convivência afável, admirado por todos”, afirmou o Senador.

Desnacionalização
A abertura unilateral do sistema financeiro nacional aumentou a internacionalização do setor no país. Segundo pesquisa do vice-presidente do Corecon-RJ, Reinaldo Gonçalves, em 94, dos 50 maiores bancos do país, apenas sete eram estrangeiros. Em 97, os estrangeiros já tinham 15 instituições nessa lista, passando para 20 até abril do ano passado.

Má companhia
A autorização para empresas estrangeiras manter contas bancárias em dólar no Brasil é ainda mais preocupante quando aparecem os argumentos dos seus defensores. Ricardo Pinton, gerente financeiro da BG International – antiga British Gas -, lembra que na Argentina e no Chile esse tipo de conta já existe há muito tempo. Os argentinos devem amargar este ano queda no PIB superior a 4% e o Chile completa terceiro semestre consecutivo de redução da produção.

Grenal
A rivalidade futebolística gaúcha chegou à esquerda. Depois de citar artigo de Luis Fernando Verissimo, no qual o jornalista gaúcho afirma que, no Brasil, até os fazendeiros são a favor da reforma agrária, “desde que não seja nas terras deles”, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, deu asas a sua paixão gremista: “O maior cronista da nossa imprensa é o Verissimo, cujo único defeito é ser colorado.” Especialistas em gauchices dizem que, em resposta, a acusação tão grave, Verissimo deve alegar que Stédile já foi filiado à UDR.

A galope
Freqüentadores do Jóquei do Rio de Janeiro estão cada vez mais impressionados com o exibicionismo de um grande criador de cavalos. Sempre circulando com uma ex-miss a tiracolo, o cidadão costuma se gabar para os mais íntimos de que o verdadeiro dono dos seus bens é um governador de estado.

Livro aberto
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) considerou um grande avanço a aprovação do projeto que estabelece a quebra de sigilo bancário e obriga a Receita Federal a fazer revisões periódicas nas declarações de imposto de renda para pessoas que ocupam cargos eletivos. Para Saturnino, todos os representantes eleitos tem obrigação de dar o exemplo no sentido de tornar suas vidas públicas transparentes. Esse passo adiante ainda revela, segundo o senador, uma preocupação com o futuro do país.

Defensiva
A maré mudou. Antes arrogantes e autosuficientes, os defensores da política tucana estão sendo obrigados a sair para o debate, tentando responder a propostas feitas por economistas do porte de Celso Furtado ou Luiz Gonzaga Beluzo. Acostumados ao pensamento único, faltam aos neoliberais argumentos, o que acaba levando a uma análise simplista ou a divulgação de dados de origens desconhecidas. Nesse ritmo, vão acabar conseguindo provar que a estatística é a arte de mentir usando números.

Guerra
O coordenador do MST, João Pedro Stédile, ironizou a propaganda tucana de que FH fez a maior reforma agrária do Ocidente: “Em apenas dois anos, entre 1946 e 47, o exército dos Estados Unidos fez a reforma agrária no Japão, distribuindo terras para 4 milhões de famílias. O limite máximo de propriedade foi fixado em 2,4 hectares. Acima disso, a terra foi considerada latifúndio e desapropriada”, comparou.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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