Análise do IGP-10: índice apresenta maior alta desde julho de 2022

Por Fabricio Gonçalvez

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Produção de minério de ferro (Foto: Ricardo Teles/Portal Brasil)
Produção de minério de ferro (Foto: Ricardo Teles/Portal Brasil)

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) apresentou alta de 0,52% em outubro, ante aumento de 0,18% em setembro. Essa foi a maior taxa mensal para o indicador desde julho do ano passado, quando registrou avanço de 0,60%.

Por Fabricio Gonçalvez

Os três componentes do IGP-10 mostraram alta nas taxas de variação, com destaque para o Índice de Preços ao Produtor (IPA). “No contexto do IPA, o preço do minério de ferro desempenhou um papel central, experimentando um significativo aumento de 7,31%. Essa elevação foi impulsionada pela política de apoio econômico adotada pela China, que é o maior consumidor global desse produto”, comentou em nota André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV.

O Índice Geral de Preços – 10 é o primeiro dado dos IGPs a ser divulgado no mês pela Fundação Getúlio Vargas. O indicador calcula as mudanças de preços de produtos e serviços disponibilizados para o produtor, o consumidor e a construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês corrente.

Em sua composição, o maior peso é atribuído ao índice de preços ao produtor amplo (IPA), seguido do índice de preços ao consumidor (IPC) com participação de 30% e o índice nacional de custo da construção (INCC) que conta com 10%.

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Seus resultados são relevantes e acompanhados pelos investidores, pois antecedem os do IGP-M — uma das principais medidas de preços do Brasil e bastante utilizado em reajustes de aluguéis e outros contratos privados.

Análise

Apesar do avanço mais significativo neste mês, o IGP-10 acumula queda de 4,65% no ano e retração de 4,88% em 12 meses. Para fins de comparação, o índice acumulava elevação de 7,44% em 12 meses em outubro de 2022.

Os resultados acumulados demonstram que a economia brasileira segue em processo deflacionário para bens do atacado, embora com menor intensidade que nos meses anteriores, principalmente pelo aumento de algumas importantes commodities no mercado internacional, tais como o minério de ferro e o petróleo.

Importantes índices de preços divulgados recentemente estão demonstrando recuperação no país, sugerindo que a inflação pode ter atingido seu nível mais baixo do ano. Esse fato era previsto, diante da política monetária mais restritiva estabelecida pelo Banco Central.

A inflação do atacado, geralmente, antecipa movimentos na inflação ao consumidor. Dessa forma, os investidores seguem atentos as variações de preços desses indicadores econômicos para avaliarem a trajetória de juros do BC. A entidade manteve a taxa básica da economia em 13,75% por cerca de um ano com a finalidade de controlar a inflação.

A Selic continua em patamar elevado, atualmente em 12,75%, embora as projeções apontem para a continuidade de cortes de 0,50% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). O fim do ciclo de queda da taxa de desconto dependerá da dinâmica do nível dos preços ao longo do tempo.

As variações nos juros alteram as expectativas dos investidores e são os maiores desencadeadores de mudanças dos movimentos maciços de euforia e pânico no mercado financeiro.

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