Anexação

Reunidos em Bruxelas (Bélgica), representantes de organizações católicas européias e de ONGs brasileiras, européias e norte-americanas condenaram a implantação do Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca). “O atual processo de negociações da Alca é um acordo particularmente obscuro que esconde, atrás das promessas de criar riqueza para todos os países que dele participam e de diminuir a pobreza, a incapacidade real de garantir uma vida digna para todos, ao mesmo tempo em que gera dinâmicas sociais e comerciais excludentes para os mais vulneráveis ameaçando a vida dos mais pobres”.

Anexação II
O manifesto destaca ainda que “há um claro desejo de hegemonia e dominação de parte dos Estados Unidos” por trás das negociações. “Este acordo comercial privatiza serviços considerados até hoje direitos sociais básicos (segurança alimentar, saúde, educação, aposentadoria); outorga um poder desmedido às empresas transnacionais, em detrimento das pequenas e médias empresas domésticas e supõe uma irrecuperável perda de soberania dos Estados nacionais”, acrescentam os ativistas, lembrando que a Alca “elimina barreiras comerciais, mas impede a livre circulação das pessoas e beneficia de maneira parcial um segmento da população (homem, branco, meia idade, com formação, dono de capital e de bens) excluindo mais uma vez os e as de sempre”.

Guarda-livros
Perdidos à medida em que o debate na sucessão presidencial se desloca da economia dos “mercados” para a economia real – emprego, produção, habitação etc. – alguns setores da imprensa estão bombardeando as propostas apresentadas tanto por Lula, do PT, quanto por Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, para aumentar o vergonhoso salário mínimo. O número mais divulgado é que cada real de aumento do mínimo eleva em R$ 183 milhões os gastos da Previdência e não haveria dinheiro para isso.
Noves fora o fato de que cada ponto percentual que se reduz nos juros pagos sobre a dívida interna representam menos R$ 4 bilhões de gastos do governo, números de déficit na Previdência olham somente a coluna das despesas, esquecendo a alavancagem (para usar um termo querido pelo “mercado”) das receitas. O aumento do salário mínimo gera um efeito quase imediato nas vendas e na produção – considerando que a população de baixa renda tem demanda reprimida, inclusive de bens básicos. Isso movimenta a economia, faz crescer o pagamento de impostos e gera mais empregos com carteira assinada – ganho para a Previdência. O governo não existe apenas para pagar juros e tem um papel decisivo na economia e distribuição de renda.

A Enron do BC
Além de um país dependente de financiamento estrangeiro de cerca de US$ 50 bilhões para fechar anualmente suas contas com o exterior, a herança a ser deixada pelo governo FH para seu sucessor é ainda mais pesada do que admitida oficialmente pela equipe econômica. Ano passado, para acalmar os investidores internacionais, o Banco Central transformou as dívidas das filiais de multinacionais com suas matrizes em investimento externo direto (IED) a ser contabilizado na conta de capitais.
Esse ano, esse tipo de maquiagem contábil adquiriu proporção “enroriana”. Dos US$ 962 bilhões contabilizados como IED no primeiro semestre, menos de 50%, ou, para se ser exato, 47,7% – US$ 4,59 bilhões – são investimentos efetivos. Os US$ 5,03 bilhões restantes referem-se à conversão de dívidas de filiais com matrizes em IED. Como, além de não representar dinheiro novo, essa quantia será remetida ao exterior como pagamento de dívida, equivale, na prática, a manobra similar às dos conglomerados norte-americanos que transformaram despesas em investimentos. Quando a maquiagem acabou, deu no que deu.

Campanha
O candidato a vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva, o senador José Alencar (PL-MG), almoça hoje na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O senador foi convidado pelo presidente da instituição, Raimundo Maglyano Filho, a apresentar a representantes de bancos, corretoras, investidores, analistas e empresários as propostas de governo da coligação que integra.

Ícone
Contrariando todas as tentativas de suavizar a imagem do órgão, a visita de Anne Krueger ao país comprova, mais do que nunca, que o FMI é pavoroso!

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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