Ano Novo, tempo de amazonizar-se

Amazonizar-se é mais que um conceito, é uma experiência que conecta a resiliência amazônica ao futuro da humanidade

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Sobrevoo na região sudoeste do Pará (Foto: Amazônia Real)
Sobrevoo na região sudoeste do Pará (Foto: Amazônia Real)

Ano Novo é tempo de planejar o futuro e refletir qual o futuro realmente queremos. Amazonizar-se é uma experiência de novos mundos (Eliane Brum. Banzeiro ÒKÒTO uma viagem à Amazônia centro do mundo. p. 343). Essa experiência foi oferecida há pouco tempo na COP30, e alguns países e seus representantes não quiseram ou não souberam aproveitar. O negacionismo de alguns líderes mundiais não lhes permite ver que a proximidade do colapso climático exige alianças expandidas dos centros de resistência como dos desflorestados e dos povos-floresta, pois só uma grande aliança pode oportunizar o futuro da humanidade.

O negacionismo chega mesmo ao extremo quando vemos que algumas nações poderosas tentam aprisionar o futuro possível de todos provocando conflitos geopolíticos visando a concentração de poder e riqueza em nome de um passado que nunca existiu e de um futuro que não existirá ao menos como da forma por eles planejado.

Ou seja, alguns líderes de importantes nações insistem em não reconhecer que o desafio presente é a luta pela saúde do planeta e caminham com objetivos próprios e escusos, com força e determinação e com a ajuda de seus exércitos e seguidores para a sexta extinção em massa das espécies. Enquanto isso, a maioria subjugada assiste atônita que o que parece lhe restar é permanecer na indignação e na pobreza enquanto espera a morte, seja por força de uma arma ou pelo calor extremo.

Ao invés de mudar a forma de habitar o planeta, construindo alianças com centros de resistência que mantêm o planeta vivo até hoje, líderes negacionistas apelam para a sua apropriação, talvez achando que com isso possam se proteger das adversidades climáticas em algum local com mais água ou mais “terras-raras” ou mesmo mais petróleo.

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Nas palavras de Eliane Brum, pensem no absurdo desse fato: um planeta inteiro aumentando a temperatura em graus por ação de uma minoria de humanes. Pensem no horror desse fato: milhares de espécies de mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, aves, insetos desaparecendo por obra de uma minoria de humanes. Como diz Greta Thumberg, a adolescente sueca que inspirou a maior ação coletiva pela vida no planeta: “How dare you?”. Como vocês se atrevem? (in Banzeiro ÒKÒTO uma viagem à Amazônia centro do mundo. p. 346)

O desafio no momento é não deixar os sonhos serem capturados. É lutar para mudar e nos amazonizar. Como diz Brum “os predadores da natureza são vírus humanos – e nossa guerra é contra eles. Também eles têm a chance de parar de matar sua própria espécie e se reflorestarem. Nós, que estamos sendo mortos, não podemos esperar nem apenas esperançar. Temos de agir.” (ob.cit. p. 347).

Se as gerações disponíveis para lutar pela sobrevivência do planeta estiverem na mira dos conflitos geopolíticos pretendidos por líderes negacionistas, não teremos mais chance. Precisamos acordar e celebrar o novo ano com ideias novas e não homenagear o passado inexistente de nações que só querem subjugar pelo poder sem nenhuma preocupação com o futuro da humanidade a não ser com o seu próprio.

Como ressalta Brum, “precisamos neutralizar o novo coronavírus formado por essa minoria humana que destrói o planeta, sabe o que faz e destrói mundos apenas para manter seu modo de vida insustentável, garantir seus enormes privilégios e acumular mais capital para manter a roda perversa girando. Se o vírus tivesse algum tipo de consciência nos moldes da nossa, ficaria horrorizado por ser comparado a tal tipo de gente” (ob.cit.,p. 347).

Não deixemos nos distrair pelos objetivos de poder alheios. Sigamos firmes pela luta em prol do planeta, e amazonizar-se já é um bom começo. Isso envolve ao menos compreender que o calor úmido e chuvas do Norte do Brasil, longe de ser uma ameaça pessoal e insuportável que nos empurre aos Alpes, significa apenas a transpiração de milhares de árvores para a sobrevivência de todos de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

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