Antenado

Duas semanas antes da frustrada tentativa de golpe contra Hugo Chávez, na Venezuela, o presidente George Bush anunciou que ia aumentar as reservas petrolíferas do seu país. Premonição ou inside information? A primeira medida do golpista Pedro Carmona foi anunciar o rompimento com a política de quotas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Lições da outra América
O curto espaço de 28 horas em que a sociedade venezuelana pôs fim à aventura golpista, levada a cabo por um coligação do atraso, da corrupção e do oportunismo, enseja lições para muito além da terra de Hugo Chávez. Acostumados à tentativa de desqualificar seus adversários, com o argumento raso de que não existem alternativas ao pensamento único, os neoliberais encabeçados por Pedro Carmona podem contabilizar, entre muitas razões para seu fracassado golpe, não apenas a falta de alternativas para um país no qual 80% vivem na miséria, como o firme enraizamento na população civil e militar de propostas antagônicas às suas.
Que não se iludam os fundamentalistas que esposam o mesmo credo em outras partes da América Latina. A multidão que foi às ruas resgatar o presidente que venceu seus adversários em seis eleições, não apenas repudiou a volta ao passado do atraso, como reafirmou estar disposta a defender com firmeza as conquistas já obtidas, independentemente de limitações a serem superadas.
A derrocada fulminante do golpe também deixou muito mal a mídia monopolista. Além de revelar abertamente sua face fascista, inclusive ao censurar as manifestações contrárias aos seus interesses, recebeu a lição de que, longe de ser invencível, seu poder carece de interações sociais muito mais complexas do que a retórica arrogante admite.

Que isso companheiro?
Ultrapassa qualquer pausterização de campanha a reboque de marqueteiros a escusa de Luiz Inácio Lula da Silva para condenar firmemente o golpe contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como seu próprio partido fez em nota oficial. A alegação de Lula de que “ainda não tinha elementos” para explicitar sua posição, à espera dos efeitos sobre
as pesquisas de uma posição aberta sobre o assunto, pegou muito mal.
Amnésia seletiva
Já José Serra optou por condenar a vítima, atribuindo a Chávez a culpa pela própria derrubada. Como exilado no Chile – condição da qual se orgulha na propaganda eleitoral -a Serra deveria se lembrar de ter ouvido muitas vezes os mesmos argumentos dos golpistas que derrubaram Salvador Allende.

Marido bilionário
Michel de Carvalho, filho de um brasileiro com uma inglesa, acaba de se tornar a quarta pessoa mais rica da Grã-Bretanha, diz o jornal londrino Sunday Times. Banqueiro, Michel foi alçado ao quarto lugar da Lista de Ricos depois de herdar no início do ano, junto com sua mulher, Charlene, uma participação de 2,96 bilhões de libras no capital da cervejaria holandesa Heineken. Charlene de Carvalho era filha única do magnata da cerveja holandês Freddie Heineken. Os pouco conhecidos Carvalho estão na companhia do Duque de Westminster, que lidera a lista com 4,7 bilhões de libras, Lord Sainsbury e família, com 3 bilhões, e Bernie Ecclestone, que juntou uma fortuna de 2,9 bilhões de libras com a Fórmula 1. Só há 21 bilionários no Reino Unido, segundo o Sunday Times, cinco a menos que em 2000. Na Europa há 50 pessoas com fortunas de mais de dois bilhões de libras.

Fanfarronice
E a Veja, hein? Depois do constrangimento público passado pela precipitada decisão de encerrado o caso da morte de PC Farias, a revista dos Civitas, ao comemorar “a queda do presidente fanfarrão”, além de mostrar seu viés golpista, reafirma que previsões não são seu forte. Quem sabe da próxima vez não consultam um babalorixá.

Número um
O Fox News desbancou a CNN no topo dos canais de notícia da TV a cabo. Em março o Fox superou o rival pelo terceiro mês seguido, segundo o jornal USA Today. Um dos fatores que parece estar prejudicando a CNN é o controle pela AOL, que tirou agilidade do canal a cabo. Outro ponto mencionado na reportagem é a necessidade de explicitar um ponto de vista, o que acontece no Fox. Também é destacado pela equipe do Fox News o fato de tentarem ser informais. O canal número um do momento tem em média 666 mil espectadores por dia, contra 546 mil da CNN.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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