Anualizando

Pesquisa sem Focus encomendada por esta coluna a um consórcio de agências de classificação de risco e matemáticos videntes do futebol alerta que, em 2012, o Brasil corre o sério de risco de conviver com uma epidemia de obesidade. Baseada na metodologia, largamente usada pelo mercado financeiro, que anualiza dados da inflação sazonal de início de ano, quando sobem os preços de gastos escolares e de taxas, como IPTU e IPVA, projetando-a para o restante do ano, os responsáveis pela pesquisa prevêem que, como no período entre as festas de fim de ano, os brasileiros ganham, em média, de 2,8 kg a 3,5 kg, ao fim do ano que vem, cada um engordará cerca de 50 kg.

Persistência
Diante da surpresa causada aos colunistas pela conclusão da pesquisa e do alerta de que a não confirmação da previsão poderia arranhar a credibilidade dos autores do trabalho, estes disseram não se preocuparem com a possibilidade. E argumentaram que recente estudo da Fipe mostrou que as conclusões do levantamento Focus, enquete do Banco Centro junto aos bancos, apresenta discrepâncias de até 90%, quando os números tratavam de projeções semestrais para a inflação. Nem por isso, observam, os responsáveis por tais patranhas deixam de ser ouvidos nos anos seguintes.

Jóias da coroa
Ainda sobre o debate do ensino de Economia nas salas de aula, Dani Rodrik, professor de Economia Política na Harvard University, dá sua opinião. Mais que reconhecer a, digamos, pequena abrangência do ensino nas universidades neoliberais, o ortodoxo Rodrik, de uma forma entre ingênua e sincera, revela, em seu depoimento, um pouco de como funciona o pensamento único: “Os economistas precisam aguentar acusações de que não saem das raias ideológicas, porque eles mesmos são seus piores inimigos no que se refere a aplicar suas teorias no mundo real. Em vez de comunicar todo o arsenal de perspectivas que sua disciplina oferece, eles mostram confiança excessiva em soluções em particular – frequentemente aquelas que melhor se encaixam em suas próprias ideologias.”
Continua Rodrik: “O ensino das ciências econômicas no nível universitário sofre do mesmo problema. Em nosso empenho para mostrar as jóias da coroa da profissão de forma imaculada – a eficiência do mercado, a mão invisível, a vantagem comparativa – nós pulamos as complicações e nuanças do mundo real, tão conhecidas como são na disciplina. É como se os cursos de introdução à física presumissem um mundo sem gravidade, porque assim tudo ficaria muito mais simples. Negligenciar a diversidade de orientações intelectuais dentro de sua disciplina não torna os economistas melhores analistas do mundo real. Nem os torna mais populares.”

Ideologia
No início de novembro, um grupo de estudantes abandonou um conhecido curso de Harvard de introdução à economia, Ciências Econômicas 10, lecionado por Greg Mankiw. A reclamação: o curso propaga ideologia conservadora disfarçada de ciência econômica e ajuda a perpetuar a desigualdade social.
Preço x propaganda
O percentual de consumidores que escolhe a escova de dentes pelo preço (43,6%) é igual ao daqueles que definem a compra pela marca ou propaganda (43,1%), revela estudo realizado por pesquisadores do curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), divulgado pela agência Notisa. Feito junto ao 409 consumidores de um supermercado da região central de Florianópolis, o estudo mostra que, pelo menos uma vez ao ano, 41,1% vão ao dentista e 52% afirmaram trocar sua escova a cada três ou quatro meses, em função do desgaste das cerdas. A participação do dentista na escolha da escova foi citada por 10,5% dos entrevistados, principalmente os que pertencem à classe socioeconômica mais elevada.

Nó frouxo
As autoridades do Chile estão incentivando os homens a deixarem de usar gravatas durante o verão para economizar energia. Nesta época do ano, a produção de eletricidade chega a níveis críticos e não dá conta de atender ao consumo. Fosse na Argentina ou na Venezuela, a grande mídia brasileira estaria alardeando o fracasso dos governos daqueles países. Como se trata do neoliberal e bem comportado Chile, o assunto é tratado apenas como algo pitoresco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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