Anvisa, vacinas e mortes

Por Pedro Augusto Pinho.

“Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa se uniram em uma santa campanha difamatória contra ele: o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e policiais alemães”, assim Marx e Engels começam o Manifesto Comunista (1848).

Parodiando, diremos que o espectro que assusta todo mundo, desde 2020, é o vírus Covid-19. Em 10/6/2021, tínhamos 174.869.678 casos com 3.773.362 mortos (Google Notícias).

O mundo se uniu na busca pela vacina, única arma segura para conter a expansão virótica. Métodos, experiências, tecnologias e ideologias marcaram estas pesquisas e seus resultados. Foram obtidas as seguintes vacinas, com principais características:

Coronavac – de origem chinesa, é feita com o vírus inativado; ele é cultivado e multiplicado numa cultura de células e depois inativado por meio de calor ou produto químico. O corpo que recebe a vacina com o vírus já inativado começa a gerar os anticorpos necessários ao combate da enfermidade.

AstraZeneca – desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) com tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. Utiliza um “vírus vivo”, um adenovírus, que não tem capacidade de se replicar no organismo humano. O adenovírus, ao entrar na célula, faz com que a proteína característica do coronavírus, conhecida como espícula, seja detectada pelo sistema imune, que cria formas de combater o coronavírus e desenvolve resposta protetora.

Pfizer – utiliza a tecnologia chamada mRNA ou RNA-mensageiro, diferente da Coronavac e da AstraZeneca, que utilizam o cultivo do vírus em laboratório. Os imunizantes são criados a partir da replicação de sequências de RNA por meio de engenharia genética. O imunizante da Pfizer precisa ser estocado a -75ºC, o que limita sua aplicação; é elaborado em parceria com a alemã BioNTech.

Moderna – como a vacina da Pfizer, também utiliza a tecnologia de RNA mensageiro, com a diferença do armazenamento a -20ºC.

Sputnik V – desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Pesquisa da Rússia, é uma vacina de “vetor viral”. A diferença para a vacina pesquisada pela Oxford é que a Sputnik 5 usa adenovírus diferentes nas primeiras e segundas doses, o que reforça sua resposta imunológica.

Janssen – vacina da empresa Johnson & Johnson, que precisa apenas de uma dose única. A tecnologia é baseada em vetores de adenovírus, tipo de vírus que causam o resfriado comum.

Abdala e Soberana 02 – Cuba conta com cinco projetos de imunizantes concluídos ou em desenvolvimento: Abdala, Soberana 02, Soberana 01, Soberana Plus e Mambisa. Abdala atua na proteína Spike do Sars-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com às células humanas; Soberana 02 tem duas combinações distintas com base na proteína RBD (receptor-binding domain, em português: domínio de união ao receptor), aliada a um toxóide tetânico.

Vamos investigar os proprietários destas vacinas. A chinesa, a russa e as cubanas são estatais, permitindo aplicações até sem dispêndio, desde que haja interesse político ou econômico ou humanitário entre os países envolvidos.

AstraZeneca (AZN) tem os principais acionistas: T. Rowe Price Associates, PrimeCap Management, Wellington Management, Capital Research & Management, Fisher Asset Management, GQG Partners, Fidelity Management & Research, Invesco Advisers, e CIBC Private Wealth Advisors. Vê-se ser indústria dominada pelo capital financeiro internacional.

Pfizer (PFE) é propriedade dos seguintes fundos, gestores de ativos: The Vanguard Group, SSgA Funds Management, BlackRock Fund Advisors, Wellington Management, Capital Research & Management, Geode Capital Management, Northern Trust Investments, Norges Bank Investment Management (fundo estatal norueguês), State Farm Investment Management e Charles Schwab Investment Management.

BioNTech (BNTX) tem como maiores acionistas Baillie Gifford & Co, PrimeCap Management, T. Rowe Price Associates, Fidelity Management & Research, Artisan Partners, Bill & Melinda Gates Foundation, Invus Public Equities Advisors, BlackRock Fund Advisors e Temasek Holdings.

Moderna (MRNA) seus dez maiores acionistas são as empresas Baillie Gifford & Co, The Vanguard Group, BlackRock Fund Advisors, Thomas H. Lee Partners, SSgA Funds Management, Fidelity Management & Research, Morgan Stanley Investment, Geode Capital Management, Banque Pictet & Cie e Bellevue Asset Management AG.

Johnson & Johnson (JNJ), proprietário da vacina Janssen, tem os seguintes maiores acionistas: The Vanguard Group, SSgA Funds Management, BlackRock Fund Advisors, BlackRock Investment Management, Geode Capital Management, State Farm Investment Management, Wellington Management, Northern Trust Investments, Massachusetts Financial Services, Norges Bank Investment Management.

Observam-se mesmos acionistas participando das fabricantes, o que já desmente qualquer referência à competitividade. Donos, com diferentes nomes, fingindo disputar o mercado.

A ação da Anvisa, apesar de argumentos técnicos, pode estar estabelecendo reserva de mercado para quem detém, efetivamente, o poder no Brasil, ou seja, os capitais financeiros apátridas.

Quanto às mortes, vejamos a relação existente, em 10/6/2021, entre o número de vítimas fatais do covid e a população dos países, tendo por fontes a Wikipédia, para mortes, e os censos e estimativas oficiais dos países, para populações.

Na Europa, continente dos velhos impérios coloniais, que praticaram genocídios em todo mundo, em nome de Deus, do progresso e da liberdade, mortes por mil habitantes:

  • Bélgica: 2,19; Itália: 2,10; Reino Unido: 1,88; Espanha: 1,72; França: 1,68; Portugal: 1,67; Suécia: 1,43; Holanda: 1,03; Rússia: 0,84. O Império Austro-Húngaro tem para Hungria: 3,09 e para Áustria 1,18.
  • Os Estados Unidos da América (EUA) que substituíram os europeus, com mesmas práticas e pretextos, a partir do século XX, têm 1,81.

Do outro lado, examinemos as vítimas, países que ainda sofrem a dominação colonial, que neste século XXI não é dos Impérios, mas das finanças apátridas, sediadas em paraísos fiscais, onde nem mesmo faltam os capitais dos tráficos de drogas, dos contrabandos e da corrupção, que acolhem e praticam.

  • Na Ásia, continente de grandes populações, o indicador para países escolhidos é: Índia, 0,263; Indonésia, 0,191; China 0,003; e Vietnã, 0,0005.
  • No Oriente Médio, as mortes por mil habitantes são: Irã, 0,97; Israel, 0,74; Palestina, 0,69; Arábia Saudita, 0,21; e Síria, 0,10.
  • Na África, temos África do Sul, com 0,96 mortos por mil habitantes, Guiné Bissau 0,03; Angola e Gana 0,02; e Nigéria 0,01.
  • Na América Latina a seguinte ordenação: Cuba e Venezuela com 0,09; Guatemala com 0,46; Bolívia com 1,31; México com 1,77 e o Brasil com 2,27.

Verifica-se ainda que Bélgica, Bolívia, Hungria, Portugal e Suécia têm populações bem próximas à de Cuba e nenhuma desenvolve vacina e apresentam maior número de mortos por mil habitantes.

Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Muito boa informação, espero o povo tenha paciência de ler todo e razonar. Tem muita ignorância e fanatismo e desespero, que é o pior enemigo do momento!
    Para mim todo este momento não pasa de um vírus de extermínio que atinge a quem tem as defesas imunológicas baixas, tem muito medo e não tem tempo de se deter e pensar que as vacinas improvisadas, são o negócio do siglo dos comerciantes e grandes investidores!

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