Retrospectiva
Início Política Aos 30 anos, Plano Real é aprovado pelo brasileiro, mas inflação segue...

Aos 30 anos, Plano Real é aprovado pelo brasileiro, mas inflação segue preocupando

Pesquisa revela que 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já não vive mais essa realidade

495
Cédulas de R$ 100 e R$ 50
Cédulas de R$ 100 e R$ 50 (Foto divulgação)

Passados quase 30 anos do lançamento do Plano Real, os brasileiros mantêm o apoio ao programa de estabilização de preços, de 1994, consideram que ele foi um sucesso, mas admitem que a inflação ainda é uma preocupação permanente da sociedade. A maioria da população (66%) acredita que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. É o que revela a 15ª edição da pesquisa Observatório Febraban feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a Federação Brasileira de Bancos.

Além disso, 71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam apenas 15%.

Realizada entre os dias 3 e 9 de dezembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país, a pesquisa aborda a perspectiva dos brasileiros sobre os 30 anos do Plano Real e a inflação. O levantamento inédito procura investigar o que pensam os brasileiros a respeito do plano e o que a geração que nasceu nos anos seguintes, e não viveu o Brasil da hiperinflação, sabe do Plano Real. A pesquisa também apura as opiniões específicas em cada uma das cinco regiões brasileiras.

Em uma sociedade que conviveu com níveis altíssimos de inflação – que fechou 1993 em 2.477% -, a escalada de preços ainda está na memória: 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade.

Espaço Publicitáriocnseg

A memória da hiperinflação, contudo, mostra-se difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Essa lembrança e o conhecimento sobre hiperinflação (“já ouviu falar e lembra o que é”) são maiores nas faixas a partir de 45 anos (45 a 59 anos: 45%; 60 anos ou mais: 46%), e menores entre os mais jovens (18 a 24 anos: 26%; 25 a 44 anos: 33%).

O levantamento mostra que, mesmo com a economia estabilizada, quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acham que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central.

“O Plano Real e o Bolsa Família são vistos como as duas principais marcas da economia brasileira na Nova República. O que significa que a estabilidade da moeda juntamente com as políticas sociais são ambas valorizadas como as mais relevantes alavancas do nosso desenvolvimento”, avalia o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe.

O Bolsa Família, que é originário do Bolsa Escola e Plano Real disputam o primeiro lugar como programas mais importantes para a economia brasileira nas últimas décadas, em uma lista de doze programas ou ações reconhecidas por especialistas como relevantes para o desenvolvimento econômico e social do país: Bolsa Família (26%), Plano Real (23%), abertura da economia para o comércio internacional (15%); auxílio emergencial (9%), entrada do Brasil no Brics (5%), Lei de Responsabilidade Fiscal (3%), descoberta do Pré-Sal (3%), reforma trabalhista (2%), reforma da Previdência (2%), reforma tributária (2%), Programa de Aceleração do Crescimento (2%), programa de privatização das telecomunicações, energia e siderurgia (1%), nenhum (1%) e não sabe/não respondeu (6%).

Enquanto o cruzeiro é a moeda mais lembrada em associação aos períodos de maiores taxas inflacionárias no país, o real aparece consolidado no imaginário da população como a moeda que marcou a estabilidade da economia.

Pouco mais de um terço (35%) citam acertadamente, em pergunta estimulada, o Cruzeiro como a moeda em vigor quando o país enfrentou as taxas mais altas de inflação. E 48% mencionam outras moedas, incluindo o próprio real (19%), o cruzado e o cruzado novo (ambos com 14%).

Em outra questão estimulada, sobre qual moeda está associada a menores taxas de inflação e à estabilidade da economia, 70% dos respondentes citam o real. Os demais 30% se distribuem em menções, com menos de dois dígitos, a outras moedas.

Sob estímulo, o conhecimento do Plano Real (“já tinham ouvido falar” é de 80%, enquanto 15% dos brasileiros nunca ouviram falar do Plano Real ou não souberam responder (5%).

A avaliação retrospectiva e atual do Plano Real é majoritariamente positiva. Cerca de oito em cada 10 entrevistados (77%) avaliam o Real como ótimo ou bom, após quase 30 anos de implementação. Outros 18% o consideram regular e apenas 2% expressam uma opinião negativa.

Numa lista de oito aspectos, pelo menos 70% dos brasileiros avaliam o Plano Real como muito importante ou importante: estabilização da moeda e da economia (89%), crescimento do país (88%), melhora do poder de compra (85%), vida pessoal e de sua família (83%), geração de emprego e renda (81%), confiança do país no exterior (80%), atração de investimentos (80%) e diminuição das desigualdades sociais (70%).

Ainda segundo o estudo, 66% dos entrevistados acreditam que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. Um quinto dos respondentes (21%) acredita que atualmente a população está menos preocupada com a inflação e para somente 10% a inflação não é uma preocupação atual. Já aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam 15%.

Quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Quase quatro em cada 10 entrevistados (38%) classificam como moderada a atual taxa de inflação, enquanto 13% a consideram baixa ou muito baixa. Para esse agregado de 51%, portanto, o país tem a inflação em níveis aceitáveis, dentro do teto estabelecido pela autoridade monetária.

Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acha que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica corretamente um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central. Outra parcela de quase um quarto (23%) não tem ideia; e pouco menos de um quinto (17%) responde um percentual menor do que é a inflação de fato.

Entre os entrevistados 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade. A memória da hiperinflação, contudo, é difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Pouco mais de um quarto dos brasileiros (27%) nunca ouviu falar no termo.

Apesar da ampla associação entre a moeda brasileira atual e a conquista da estabilidade econômica, mais da metade da população (57%) não sabe precisar, de forma espontânea, qual o programa econômico que recuperou o controle dos preços e pôs fim à hiperinflação no Brasil. Apenas 38% cita espontaneamente o Plano Real.

Ainda de acordo com a pesquisa, 71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Parcela próxima a um quarto (23%), porém, considera que o Plano Real “perdeu importância, pois o Brasil mudou muito desde então e os desafios de hoje são outros”.

Atualmente, a confiança no real é considerada maior no próprio país do que fora dele, junto a outros países e investidores estrangeiros. O sentimento de confiança na moeda brasileira apresenta os seguintes números: 63% dos respondentes acreditam que os brasileiros confiam muito ou confiam no real; 60% creem que as instituições do setor econômico confiam muito ou confiam na moeda brasileira; 48% creditam confiança ao real por parte dos outros países e investidores estrangeiros.

E apesar da confiança dos brasileiros na moeda nacional, mais da metade dos deles (55%) avaliam que o real está muito desvalorizado ou desvalorizado em relação ao euro e ao dólar.

Pesquisa revela que 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já não vive mais essa realidade

Aos 30 anos Plano Real é aprovado pelos brasileiros, mas inflação segue preocupando

Passados quase 30 anos do lançamento do Plano Real, os brasileiros mantêm o apoio ao programa de estabilização de preços, de 1994, consideram que ele foi um sucesso, mas admitem que a inflação ainda é uma preocupação permanente da sociedade. A maioria da população (66%) acredita que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. É o que revela a 15ª edição da pesquisa Observatório Febraban feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a Federação Brasileira de Bancos.

Além disso, 71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam apenas 15%.

Realizada entre os dias 3 e 9 de dezembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país, a pesquisa aborda a perspectiva dos brasileiros sobre os 30 anos do Plano Real e a inflação. O levantamento inédito procura investigar o que pensam os brasileiros a respeito do plano e o que a geração que nasceu nos anos seguintes, e não viveu o Brasil da hiperinflação, sabe do Plano Real. A pesquisa também apura as opiniões específicas em cada uma das cinco regiões brasileiras.

Em uma sociedade que conviveu com níveis altíssimos de inflação – que fechou 1993 em 2.477% -, a escalada de preços ainda está na memória: 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade.

A memória da hiperinflação, contudo, mostra-se difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Essa lembrança e o conhecimento sobre hiperinflação (“já ouviu falar e lembra o que é”) são maiores nas faixas a partir de 45 anos (45 a 59 anos: 45%; 60 anos ou mais: 46%), e menores entre os mais jovens (18 a 24 anos: 26%; 25 a 44 anos: 33%).

O levantamento mostra que, mesmo com a economia estabilizada, quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acham que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central.

“O Plano Real e o Bolsa Família são vistos como as duas principais marcas da economia brasileira na Nova República. O que significa que a estabilidade da moeda juntamente com as políticas sociais são ambas valorizadas como as mais relevantes alavancas do nosso desenvolvimento”, avalia o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe.

O Bolsa Família, que é originário do Bolsa Escola e Plano Real disputam o primeiro lugar como programas mais importantes para a economia brasileira nas últimas décadas, em uma lista de doze programas ou ações reconhecidas por especialistas como relevantes para o desenvolvimento econômico e social do país: Bolsa Família (26%), Plano Real (23%), abertura da economia para o comércio internacional (15%); auxílio emergencial (9%), entrada do Brasil no Brics (5%), Lei de Responsabilidade Fiscal (3%), descoberta do Pré-Sal (3%), reforma trabalhista (2%), reforma da Previdência (2%), reforma tributária (2%), Programa de Aceleração do Crescimento (2%), programa de privatização das telecomunicações, energia e siderurgia (1%), nenhum (1%) e não sabe/não respondeu (6%).

Enquanto o cruzeiro é a moeda mais lembrada em associação aos períodos de maiores taxas inflacionárias no país, o real aparece consolidado no imaginário da população como a moeda que marcou a estabilidade da economia.

Pouco mais de um terço (35%) citam acertadamente, em pergunta estimulada, o Cruzeiro como a moeda em vigor quando o país enfrentou as taxas mais altas de inflação. E 48% mencionam outras moedas, incluindo o próprio real (19%), o cruzado e o cruzado novo (ambos com 14%).

Em outra questão estimulada, sobre qual moeda está associada a menores taxas de inflação e à estabilidade da economia, 70% dos respondentes citam o real. Os demais 30% se distribuem em menções, com menos de dois dígitos, a outras moedas.

Sob estímulo, o conhecimento do Plano Real (“já tinham ouvido falar” é de 80%, enquanto 15% dos brasileiros nunca ouviram falar do Plano Real ou não souberam responder (5%).

A avaliação retrospectiva e atual do Plano Real é majoritariamente positiva. Cerca de oito em cada 10 entrevistados (77%) avaliam o Real como ótimo ou bom, após quase 30 anos de implementação. Outros 18% o consideram regular e apenas 2% expressam uma opinião negativa.

Numa lista de oito aspectos, pelo menos 70% dos brasileiros avaliam o Plano Real como muito importante ou importante: estabilização da moeda e da economia (89%), crescimento do país (88%), melhora do poder de compra (85%), vida pessoal e de sua família (83%), geração de emprego e renda (81%), confiança do país no exterior (80%), atração de investimentos (80%) e diminuição das desigualdades sociais (70%).

Ainda segundo o estudo, 66% dos entrevistados acreditam que os brasileiros “continuam muito preocupados” com a inflação e 79% opinam que a inflação “deve ser uma preocupação permanente da sociedade e do governo”. Um quinto dos respondentes (21%) acredita que atualmente a população está menos preocupada com a inflação e para somente 10% a inflação não é uma preocupação atual. Já aqueles que avaliam que “com a economia brasileira estável a inflação deixou de ser uma preocupação prioritária” somam 15%.

Quase metade dos brasileiros (47%) avalia que o Brasil vive atualmente uma inflação alta ou muito alta. Quase quatro em cada 10 entrevistados (38%) classificam como moderada a atual taxa de inflação, enquanto 13% a consideram baixa ou muito baixa. Para esse agregado de 51%, portanto, o país tem a inflação em níveis aceitáveis, dentro do teto estabelecido pela autoridade monetária.

Perguntados sobre qual a taxa acumulada da inflação em 2023, um terço dos entrevistados (34%) acha que é maior do que efetivamente é. Um quarto (26%) indica corretamente um número entre “3% e 5%”, próximo à projeção do último Boletim Focus para o IPCA (4,51%), divulgada pelo Banco Central. Outra parcela de quase um quarto (23%) não tem ideia; e pouco menos de um quinto (17%) responde um percentual menor do que é a inflação de fato.

Entre os entrevistados 70% já ouviram falar em hiperinflação e 64% associam o termo ao passado, indicando que o Brasil já viveu, mas não vive mais, essa realidade. A memória da hiperinflação, contudo, é difusa mesmo nas gerações contemporâneas ao Plano Real. Entre os que ouviram falar, 37% lembram o que é hiperinflação e 33% não lembram. Pouco mais de um quarto dos brasileiros (27%) nunca ouviu falar no termo.

Apesar da ampla associação entre a moeda brasileira atual e a conquista da estabilidade econômica, mais da metade da população (57%) não sabe precisar, de forma espontânea, qual o programa econômico que recuperou o controle dos preços e pôs fim à hiperinflação no Brasil. Apenas 38% cita espontaneamente o Plano Real.

Ainda de acordo com a pesquisa, 71% dos brasileiros opinam que ele “continua importante, pois lançou as bases para uma economia mais sólida e estável”. Parcela próxima a um quarto (23%), porém, considera que o Plano Real “perdeu importância, pois o Brasil mudou muito desde então e os desafios de hoje são outros”.

Atualmente, a confiança no real é considerada maior no próprio país do que fora dele, junto a outros países e investidores estrangeiros. O sentimento de confiança na moeda brasileira apresenta os seguintes números: 63% dos respondentes acreditam que os brasileiros confiam muito ou confiam no real; 60% creem que as instituições do setor econômico confiam muito ou confiam na moeda brasileira; 48% creditam confiança ao real por parte dos outros países e investidores estrangeiros.

E apesar da confiança dos brasileiros na moeda nacional, mais da metade dos deles (55%) avaliam que o real está muito desvalorizado ou desvalorizado em relação ao euro e ao dólar.

Leia também:

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui