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Aos poucos, os espanhóis querem tirar comando dos portugueses

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Os portugueses, desde autoridades até os analistas, temem que a Telefónica, que atualmente é uma das maiores acionistas da Portugal Telecom, atualmente com 10% do capital, se aumentar essa participação, assuma o comando da PT em Lisboa e da Vivo em São Paulo. Provavelmente, os espanhóis ficariam muito mais à vontade para fazer o que bem lhes der na telha se os portugueses deixassem a operação paulista. Recentemente, o governo português vetou a operação de share buy back que possibilitaria à Telefónica possuir mais de 10% do capital da PT e avisou que não permitirá nada nesse sentido. Os analistas, no entanto, consideram que os espanhóis não adquiririam tal posição acionária sem um objetivo maior e, mais dia menos dia, tentarão ficar com o controle mais ou menos explícito da empresa portuguesa. No Brasil, no entanto, a situação é diferente, pois os acionistas da PT podem negociar sua participação na Vivo para a Telefónica.
O interessante é a visão dos analistas lusitanos: fazer pouco e bem é melhor do que dispersar esforços em mercados complicados, nos quais o retorno é insignificante ou improvável. Dentro dessa ótica, o BCP vende investimentos avulsos, como o crédito automóvel e o crédito ao consumo na França, para se concentrar atividades em Portugal, Polônia e Grécia; e a Sonae finaliza a venda da rede de supermercados no Brasil. Acontece que a necessidade principal desses dois grupos é a redução do passivo e a capitalização.
A maior bronca desses técnicos, no entanto, é com a falta de sinalização para as futuras estratégias da Portugal Telecom. Como consideram que o mercado português de comunicação fixa e móvel já atingiu um estágio em que se torna difícil manter o crescimento do lucro, sugerem investimentos em regiões de rápida expansão. Estranho é que defendem que seria saudável para a PT a alienação da participação na Vivo, por considerar que a competição no mercado brasileiro é cada vez mais intensa, as margens cada vez menores e acreditam que está cada vez mais difícil do rápido retorno do investimento. Pitoresco é que sonham que essa rápido retorno virá da China. Esperam fazer um “negócio da China”, mas esquecem que lá vão enfrentar ingleses, franceses e alemães.

Analistas da Merrill Lynch se surpreendem
Os analistas da Merrill Lynch consideraram o resultado da Caemi no segundo trimestre acima do esperado, pois o Ebitda de R$ 956 milhões superou em 8,5% a estimativa, devido às vendas de minério de ferro da MBR, que ultrapassaram as projeções em 5,8%. O lucro por ação de R$ 0,12, no entanto, ficou dentro do esperado, devido às despesas financeiras acima do esperado. Além disso, esses técnicos acreditam que a decisão do Cade com relação a Vale não deverá ter conseqüências negativas para a Caemi e não esperam que a controladora seja forçada a vender algumas de suas minas, pois já possuem participação de 10% de companhias japonesas. Mas a Vale terá duas opções: pagar dividendos extraordinários para os acionistas da Caemi ou fechar o capital da empresa. E mantiveram a recomendação de compra para suas ações com preço-alvo de R$ 3,25.
Os especialistas de energia da instituição norte-americana também consideraram o resultado da Eletropaulo acima do esperado, pois o lucro líquido de R$ 136,8 milhões superou em mais de duas vezes a previsão do banco norte-americano, que era de um resultado positivo de R$ 51,2 milhões. Essa diferença pode ser atribuída às receitas não recorrentes. Porém, continuam decepcionados com os volumes de distribuição, que estão com uma queda anual de 6,3%, principalmente nos segmentos industrial e rural. Mas mantiveram a recomendação de compra para os papéis da companhia que possuem preço-alvo de R$ 120 por ação.

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