Apagão foi café pequeno

A venda da Eletrobras para tapar o rombo do caixa já seria um formidável erro do Governo Temer. Mas o buraco nas contas públicas é apenas um pretexto para algo muito pior, que se soma aos tantos atos antinacionais praticados pelo governo impopular e indesejado. A privatização da empresa responsável por garantir a energia elétrica do país, dos grandes centros aos mais distantes rincões, pode ser enquadrada nas ações de lesa-pátria, junto com outras, como na Petrobras ou nos aeroportos. Vender o almoço para pagar os juros do jantar já seria suficientemente grave; se desfazer da Eletrobras, estratégica, com uma história de sucesso (os mais velhos se lembrarão dos apagões constantes e da falta de energia até em cidades próximas dos grandes centros), merece condenação da sociedade, a começar pelos postulantes a presidente em 2018. O setor de energia já está totalmente confuso. A privatização o jogará em trevas ainda maiores.

 

Cirurgia sem anestesia

Nesta quarta-feira, às 15h, ocorrerá a audiência pública da comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a revisão da atual legislação sobre os planos de saúde (Lei 9.656/98). “Até o momento, os nomes convidados e confirmados para participar da sessão representam apenas os interesses dos grupos privados e dos lobbies da saúde suplementar”, ataca a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Restrições orçamentárias impostas pela política de austeridade e deliberações administrativas da presidência da Câmara reduziram o custeio para participação dos movimentos sociais e populares nas audiências.

A Proteste lista cinco pontos em que a revisão proposta prejudicaria o consumidor: o Código de Defesa do Consumidor deixaria de ser aplicado nos contratos de planos de saúde; liberação dos reajustes dos planos individuais; criação de planos “populares” ou “acessíveis”, com inúmeras restrições de coberturas; o rol mínimo de coberturas obrigatórias passaria a ser máximo; e acaba o ressarcimento ao SUS, previsto na Lei 9.656/98, toda vez que um cliente de plano de saúde é atendido na rede pública.

Estudo feito por Mário Scheffer, vice-presidente da Abrasco, mostra que, entre janeiro e julho de 2017, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) julgou 17.114 ações contra planos de saúde, o maior volume já registrado desde 2011. “Temos produtos de pior qualidade do mercado, aumento de práticas abusivas por parte dos planos e falta de fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar”, disse em entrevista a uma revista paulista.

 

Mistério continua

Continuam envoltas em mistério as investigações sobre o acidente ocorrido em janeiro que resultou na morte do ministro do STF Teori Zavascki, do empresário Carlos Alberto Filgueiras, do piloto Osmar Rodrigues, de Maria Ilda Panas, e da filha dela, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas.

O órgão responsável pela investigação de acidentes aéreos, Cenipa, realiza a apuração das causas do acidente em sigilo, não permitindo o acesso aos autos. O advogado contratado pela família de Lidiane, Eduardo Lemos Barbosa, afirma que a massoterapeuta, que estava a trabalho para o Hotel Emiliano, não teve sua situação indenizatória resolvida pelo empregador.

 

Vai, Brasil!

O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., fez discurso nacionalista emocionado, semana passada, e quase foi às lágrimas ao apontar a bandeira brasileira, que ele mencionou em contraponto ao vermelho do PT.

Na sexta-feira, o Lide, empresa criada por Doria, realizou o 8º Fórum de Marketing Empresarial. Falaram executivos da Avon, Airbnb e Waze.

 

Rápidas

A ABRH-RJ realizará, 11 e 12 de setembro, o I Fórum de Saúde *** Nesta quinta-feira, o advogado Paulo Parente Marques Mendes participará, na Escola da Magistratura do Rio (Emerj), do evento A Moda nos Tribunais, que terá como tema “Falsificação e pirataria: quais as diferenças e os efeitos na prática”. Parente, sócio do escritório Di Blasi, Parente & Associados, participará de mesa sobre a contribuição das associações das comissões da OAB/RJ para proteção da indústria da moda *** Mario Avelino, do portal Doméstica Legal, distribuirá 5 mil exemplares da cartilha Os Impactos da Reforma Trabalhista no Emprego Doméstico, no Pavilhão Verde da XVIII Bienal Internacional do Livro Rio, dia 9, das 14h às 17h. Ele também autografará dois livros sobre trabalho e emprego *** A 11ª SP-Arte/Foto ocorre no JK Iguatemi de 24 a 27 de agosto, com as principais galerias do país ligadas ao fazer fotográfico.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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