Apagão

Com a tarifa de energia US$ 22/mwh mais cara no Rio de Janeiro do que em Paris e com os serviços oferecidos aqui, pelo visto se dependesse da Light a capital francesa deixaria de ser a Cidade Luz. Com um agravante: a distribuidora do Rio é propriedade da estatal francesa EDF.

Veias abertas
“Se a Colômbia é o Vietnã, o Equador é o Camboja desta guerra.” A advertência foi feita pelo The New York Times em uma de suas últimas edições. Para o jornal, “o Equador é o mais vulnerável aos efeitos da violência na Colômbia, ou, pelo menos, o menos preparado e o pior equipado”. Primeiro país da América Latina a ter a economia dolarizada, o Equador está em pé de guerra antes mesmo das ações das tropas dos EUA na região. Para cumprir as exigência do FMI de ajuste fiscal, o Governo Gustavo Noboa acaba de elevar em 75% as tarifas do transporte público, em 25% o preço da gasolina e em 100% o preço do bujão do gás de cozinha. Diante da possibilidade de a Justiça sustar o aumento, a advogada da Presidência da República Martha Escobar afirmou que o governo pode desobedecer à Lei: “Se o juiz decidir suspender o aumento, o presidente da República editará outros decretos para cobrir o pressuposto do Estado, porque tem essa obrigação”, ameaçou. Enquanto isso, crescem nas ruas os protestos populares.

Insiste
O comércio varejista – incluindo aí veículos e autopeças, supermercados, material de construção, farmácias, móveis e decoração, têxteis e eletroeletrônicos – representa 52% do PIB comercial do país, estimado em R$ 376 bilhões. Os dados são do novo presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Sebastião Mauro Figueiredo Silva, que toma posse, hoje, às 14 h, na sede da entidade, em Brasília. Silva promete assumir lutando pela realização da reforma tributária. Se se limitar às ações nos gabinetes da nomenclatura econômica, o comércio vai continuar esperando sentado pela reforma tributária, transformada em anátema por Malan & Cia.

Pauleira
Nada contra o rock, mas esta coluna alerta que, se o esquema de trânsito durante o Rock in Rio III não for muito bem elaborado, a cidade corre o risco de se ver envolvida num engarrafamento tal, que o caos vivido durante o show do U2, também na Barra, parecerá uma experiência não tão dramática. Entre a primeira versão do evento, em 1985, e a atual, o fluxo de veículos para a Barra cresceu geometricamente, sem que os acessos ao bairro tivessem tido o mesmo incremento.

Labirintos
As providências que o governador Anthony Garotinho prometeu  adotar em relação às irregularidades apuradas pela Coppetec/UFRJ na privatização do Banerj parecem estar tomando o rumo do esquecimento e da “geladeira”. O governador informou que o relatório foi entregue para o procurador José Muiños Piñero, do Ministério Público Estadual. Este distribuiu-o para Hélio Fichberg, segundo subprocurador, que por sua vez o teria encaminhado ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Cidadania.

“Cash cow”
O lucro líquido potencial da Light poderia ser superior ao R$ 1,2 bilhão por ano previsto, em matéria publicada no MM, pelo consultor Joaquim de Carvalho, ex-diretor da Eletrobrás. Como a empresa distribuidora de energia vende 31 milhões de megawatts/hora, com tarifa média de R$ 190/mwh, chegaria a um faturamento bruto de R$ 5,9 bilhões por ano. Ainda de acordo com as contas de Joaquim de Carvalho, a Light compra de Furnas a energia a R$ 44/mwh, o que significaria um lucro bruto de R$ 4,5 bilhões. Como a empresa, depois de privatizada, demitiu pessoal especializado, reduzindo muito a despesa com folha de pagamentos e outras despesas administrativas, poderia chegar a um lucro líquido de R$ 2 bilhões, já deduzidos impostos. No primeiro ano de exploração da Light pela EDF, quando os lucros foram revelados, várias revistas internacionais de economia referiram-se à cash cow, num trocadilho com cash flow (fluxo de caixa), que caiu do céu, no colo do consórcio comprador. A distribuidora, porém, tem apresentado balanços com lucros bem inferiores ao potencial.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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