Apelo a um cessar-fogo mundial

Por António Guterres.

Opinião / 16:19 - 24 de mar de 2020

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O mundo enfrenta hoje um inimigo comum: a Covid-19. O vírus ameaça-nos a todos, independentemente de nacionalidades, etnias, credos ou posicionamentos políticos. É um vírus implacável!

Ao mesmo tempo, em vários pontos do globo, persistem ou intensificam-se conflitos armados brutais. Os mais vulneráveis – as mulheres e as crianças, as pessoas com deficiência, os marginalizados e os deslocados – pagam o preço mais elevado. E, atualmente, correm também um risco sério e devastador devido à Covid-19.

 

Acabar com os conflitos armados

e focar na batalha das nossas vidas

 

Tenhamos presente que, nos países assolados pela guerra, os sistemas de saúde colapsaram, e os já escassos profissionais de saúde são frequentemente atacados. Por sua vez, os refugiados e as pessoas deslocadas por conflitos violentos encontram-se numa situação de dupla vulnerabilidade.

A fúria do vírus põe em evidência a loucura da guerra, de uma forma muito clara. É, por isso, que hoje, apelo a um cessar-fogo mundial e imediato, em todas as regiões do mundo. É tempo de acabar com os conflitos armados e de, em conjunto, focarmo-nos na verdadeira batalha das nossas vidas.

Deste modo, dirijo-me às partes em conflito para que: acabem com as hostilidades; ponham de lado a desconfiança e a animosidade; silenciem as armas, parem a artilharia, acabem com os ataques aéreos.

Isto é crucial… Para ajudar a criar corredores humanitários que salvam vidas; para abrir janelas preciosas para a diplomacia; para trazer esperança aos que são mais vulneráveis à Covid-19.

Deixemo-nos inspirar pelos casos, que lentamente vemos surgir, de entendimento e diálogo entre facões rivais na busca de estratégias conjuntas de combate à Covid-19. Mas precisamos de muito mais. Precisamos por fim à doença da guerra e combater a doença que está a devastar o nosso mundo.

Comecemos por parar as hostilidades. Agora. Em todo os pontos do globo. É isso que a nossa família – a família humana – necessita. Agora, mais do que nunca.

António Guterres

Secretário-geral da ONU.

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