Apesar de restrições, material de construção deve ter alta de 17%

Sem auxílio emergencial, queda no varejo de SP seria duas vezes maior; lojas de vestuário perderão dois terços do tamanho.

Mesmo com a injeção de R$ 1,54 bilhão do auxílio emergencial destinado ao consumo das famílias, a partir de abril, a manutenção das medidas de restrição de circulação de pessoas, de funcionamento de lojas e de fechamento de atividades não essenciais sobre o varejo paulista fará com que o setor feche o mês que vem com um faturamento 3% menor do que abril de 2020 – que, à época no auge da primeira onda de Covid-19, registrara retração recorde de 23%. Os números são parte de uma projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), para o mês de abril, levando em conta o retorno do benefício, agora no valor médio estimado de R$ 250 por pessoa.

Em abril do ano passado, o prejuízo do conjunto das atividades do varejo no estado fora de R$ 16,4 bilhões, o que, somado à estimativa para abril de 2021, significará um rombo de R$ 17,9 bilhões no caixa do setor, levando em conta os dois períodos.

Neste cenário, em que as restrições implementadas em março pelo governo estadual permaneçam ao longo de abril, a previsão da federação é que as atividades impactadas pelas medidas, consideradas não essenciais, percam 43% do faturamento em comparação a abril de 2020. No caso das atividades essenciais, ao contrário – como supermercados e farmácias -, a previsão é de alta de 4%. Pelos cálculos da entidade, a atividade varejista mais impactada pelo contexto será o de vestuário e calçados, que perderá mais de dois terços do seu tamanho em abril (-68%) frente ao mesmo mês de 2020. Em seguida estão as concessionárias de veículos (-56%), as lojas de móveis e decoração (-41%) e as de eletrodomésticos e eletrônicos (-35%). Todas elas fazem parte do grupo de atividades que, consideradas não essenciais, passam por limitação de funcionamento ou fechamento integral, sem contar o impacto da ausência de pessoas em circulação.

No lado oposto, as lojas de materiais para construção devem registrar aumento de 17% no faturamento em comparação a abril de 2020, o que indica que o auxílio emergencial será – assim como foi no fim do ano passado – usado por muitas famílias para promover reformas domésticas. Os supermercados, que se mantiveram em alta ao longo do último ano, vão faturar 2% a mais. Chama a atenção, no entanto, a previsão de queda de 7% nas receitas das farmácias e perfumarias.

O levantamento ainda mostra que, apesar da retração do varejo em razão das restrições, a chegada do auxílio emergencial será um alento para o setor. Em um cenário sem o benefício, a queda seria o dobro: -6%.

Já o Indicador da Serasa Experian de Atividade do Comércio – Páscoa mostra que as vendas nacionais no varejo físico cresceram 1,9% durante a semana (29 de março a 4 de abril). A ligeira alta acontece em relação ao índice negativo registrado ano passado (6 a 12 de abril de 2020), o menor de toda a série histórica:

Na análise do fim de semana de Páscoa, levando em conta apenas de 2 a 4 de abril de 2021, a queda foi de 9,5%, com relação ao 10 a 12 de abril de 2020. Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o agravamento da pandemia e as medidas de distanciamento social em muitas cidades impactaram o índice. No recorte regional da cidade de São Paulo, a semana da Páscoa também marcou crescimento, apesar de ser ainda menor que a nacional (0,6%). Quando levado em consideração somente o final de semana houve retração de 8,4%.

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