API Company: brincar de Lego é a salvação das empresas que querem sobreviver nos próximos anos

Como a integração de APIs se torna vital para a sobrevivência das empresas na era digital e promove a inovação. Por Fábio Braz.

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APIs

Desde a infância, as pessoas são encorajadas a desenvolver suas habilidades mentais ao criar cenários cativantes usando uma variedade de peças, que vão desde blocos de madeira e quebra-cabeças até os icônicos Legos. Essa atividade envolve a combinação de peças de plástico distintas em termos de cores e formas para criar algo.

Hoje, existe um efeito semelhante no cenário tecnológico e corporativo: as empresas recorrem a várias APIs (Application Programming Interfaces) de diferentes fornecedores, e as obras finais são as novas soluções igualmente impressionantes, os novos modelos de negócios e as disrupções geradas a partir dessas junções. Em ambas as situações, a chave está na habilidade de combinar elementos distintos de forma eficaz e harmoniosa.

Em uma economia cada vez mais digital, construir plataformas abertas via APIs é crucial para inovação, alcance de mercado e adaptabilidade. As empresas que não adotarem APIs arriscam perder competitividade e relevância no mercado pela falta de informações compartilhadas. Diante desse cenário, é preciso começar a se aventurar nos jogos de Lego.

Mas claro que ser uma API Company não depende apenas da montagem de blocos. Na verdade, isso implica em estar aberto para conduzir negócios de forma descentralizada, preocupando-se não apenas com os dados em si, mas com o que é possível realizar com essas informações.

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No contexto brasileiro, o Open Banking é um exemplo notável, uma vez que demonstra a disponibilidade dos dados para todos. Portanto, ser uma empresa orientada para APIs significa saber compartilhar e explorar informações, criando novas oportunidades e empreendimentos a partir das relações entre os dados adquiridos e gerados.


A transformação do cenário tecnológico

Redes de colaboração, monetização de APIs, cobrando por acesso a dados ou funcionalidades específicas, e foco em compartilhar capacidades de negócio como serviços são alguns dos impactos que a economia das APIs possibilita, o que tem desempenhado um papel significativo na moldagem da indústria de tecnologia.

Esses sistemas permitem que empresas e desenvolvedores aproveitem recursos e dados de terceiros para criar novas aplicações e serviços de forma mais rápida e eficiente, o que acelera a inovação, pois não é necessário reinventar a roda toda vez.

Dessa forma, a adoção de uma abordagem baseada em APIs permite integrações mais profundas e experiências personalizadas para os clientes, já que os parceiros podem acessar funcionalidades e dados da empresa a partir dessas conexões.

Tudo isso aumenta o engajamento do cliente, agiliza o desenvolvimento de novos produtos e serviços, tanto pela própria empresa quanto por parceiros, resultando em inovações mais rápidas e que atendem melhor às necessidades dos clientes. É um enorme ganho para o cenário de tecnologia.


Mas montagem de blocos não é tão simples

Até aqui, uma coisa já deve estar clara: nos dias de hoje, a adoção de APIs não é apenas uma escolha estratégica, mas, na verdade, tornou-se um critério decisivo para a sobrevivência das empresas nos próximos anos.

Mas essa seleção não é tão simples. Tornar-se uma “API Company” envolve a transformação de uma organização para aproveitar ao máximo o potencial desses sistemas em suas operações e estratégias de negócios. E esse processo não é isento de desafios, ele demanda não apenas uma mudança tecnológica, mas também cultural.

É necessário redesenhar os sistemas internos, investir em tecnologia, em segurança e governança ao se permitir acesso externo a sistemas internos de maneira mais ampla. Nesse meio, é essencial que os times adotem uma mentalidade mais aberta e colaborativa ao compartilhar dados e capacidades, e isso envolve superar resistências internas e promover uma cultura de colaboração, inovação e compartilhamento de recursos.

E os gestores não estão isentos dessas transformações. A forma de pensar e estruturar o negócio da empresa precisa se mover. A construção de cenários com peças de brinquedo e o uso de APIs dentro das organizações, portanto, compartilha a ideia fundamental de que a criação de algo novo e valioso pode ser alcançada ao unir elementos diversos, de maneira estratégica e criativa. E essa ideia é a base para se manter em pé nos dias de revolução tecnológica que estão por vir.

Fábio Braz é CRO da Engineering Brasil.

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