Após queda, INCC tem terceira alta seguida

Indicador de confiança reflete percepções sobre a economia de seus países; Brasil é o 10º, de 24, com melhor avaliação em setembro.

Conjuntura / 12:04 - 1 de out de 2020

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O Índice Nacional de Confiança do Consumidor chegou a 41,9 pontos em setembro, apresentando uma alta de 1,8 ponto em relação ao mês passado (40,1). Este é o terceiro mês consecutivo de aumento no grau de confiança do consumidor brasileiro, depois de o índice ter atingido um de seus níveis mais baixos (37,4) em junho deste ano. No histórico de 10 anos do Índice Nacional de Confiança do Consumidor, a única vez em que houve baixa tão drástica foi no período entre setembro de 2015 e 2016, que culminou no impedimento da então presidente Dilma Rousseff.

O índice funciona em uma escala de 0 a 100, na qual acima de 50 pontos há um otimismo com a situação econômica do país e abaixo dos 50, pessimismo dos consumidores - o que mostra que, ainda que haja melhora, a confiança da população brasileira ainda está baixa. Mesmo com o aumento de 1,8 ponto em setembro, o índice do Brasil permanece 8,4 pontos abaixo do nível pré-pandemia registrado em janeiro de 2020. Já o Índice Global de Confiança do Consumidor, média de cada um dos 24 índices nacionais dos mercados mundiais, ficou em 41,8 neste mês, registrando um crescimento de 0,4 em relação ao período anterior.

Os dados são baseados em uma pesquisa mensal com mais de 17.500 adultos - sendo mil brasileiros - realizada na plataforma on-line Global Advisor, da Ipsos. O Índice Nacional de Confiança do Consumidor reflete as percepções dos entrevistados acerca de temas como: economia local vigente e futura, situação financeira atual e futura, poder de compra, estabilidade no emprego e possibilidade de poupar e investir.

Além do Brasil, em setembro, outros quatro países apresentaram crescimento significativo (de 1,5 ponto ou mais) em seu Índice Nacional: Suécia (+2,3), Rússia (+1,6), México (+1,5) e Japão (+1,5). China (-2,0) e Coreia do Sul (-1,8), por outro lado, foram as únicas nações com quedas significativas em seu Índice Nacional. Apesar do declínio, o índice chinês permanece superior ao de qualquer outro dos 24 países avaliados, em 70,9. Em contraste, o índice de setembro mais baixo foi o da África do Sul, em 29,4. O Brasil ficou em 10º lugar.

Já dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta, que o consumidor brasileiro continua sem confiança, devido aos efeitos da Covid-19 na economia. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de setembro de 2020 ficou em 42,8 pontos, 3,3 pontos abaixo da média histórica (46,1 pontos) e 4,5 pontos abaixo do último resultado disponível, de dezembro de 2019.

O índice varia de zero a 100. Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do consumidor. Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

Segundo a CNI, a queda do Inec da pesquisa de setembro deste ano, na comparação com dezembro de 2019, é comum a todos os perfis de consumidor considerados na pesquisa. As maiores quedas foram dos consumidores com renda familiar maior do que cinco salários mínimos (-7,4 pontos), com ensino superior (-6,8 pontos), com idade de 25 a 34 anos (-5,5 pontos) e que moram em capitais (-5,3 pontos).

Entretanto, os menores índices de confiança são registrados entre a população de renda familiar até um salário mínimo (Inec de 40,4 pontos), entre os consumidores que residem nas capitais (41,1 pontos), os com ensino superior (41,4 pontos) e os que residem na Região Sudeste (41,6 pontos).

Segundo a CNI, a falta de confiança do consumidor é explicada pela piora das expectativas em relação à evolução futura dos preços, do desemprego e da renda. Além disso, houve piora nas condições financeiras.

O índice de expectativa de inflação "mostra piora significativa das perspectivas dos preços para os consumidores". O indicar chegou a 71,4 pontos, com cinco altas seguidas. "A despeito da baixa inflação da economia como um todo, possivelmente o aumento de preços em produtos específicos, sensíveis para o consumidor, está afetando a percepção do seu poder de compra e contaminando as expectativas", diz a CNI.

O índice de expectativas de desemprego subiu de 56,4, em dezembro, para os atuais 65,1 pontos, enquanto o de expectativas para a própria renda de 50 para 44,5 pontos.

Já o índice de compras de bens de maior valor registrou 53,4 pontos, 1 ponto acima do verificado em dezembro de 2019. Para a CNI, o "resultado reflete o início de período mais favorável para o consumo desses bens e as medidas do governo de transferência de renda".

Valores acima de 50 pontos indicam expectativa de alta da inflação, desemprego, própria renda ou gastos com compras de bens de maior valor. Quanto mais acima de 50 pontos, maior e mais disseminada é a expectativa de crescimento.

O índice de situação financeira chegou a 54,4 pontos, depois de registrar 48,9 pontos em dezembro. Já o índice de endividamento ficou em 50,7 pontos, contra 49,6 pontos em dezembro de 2019. Valores abaixo de 50 pontos indicam alta do endividamento ou melhora da situação financeira.

A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência, que ouviu 2 mil pessoas em 127 municípios. O período de coleta foi de 17 a 20 de setembro de 2020.

 

Com informações da Agência Brasil

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